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22 julho, 2026

Andando em círculos (2)

Um estudo publicado na Nature Communications confirmou que as pessoas tendem a caminhar no sentido anti-horário quando se deslocam livremente por espaços como edifícios, praças ou campos. Pesquisadores da Universidade de Navarra teriam detectado o fenômeno durante a pandemia e, posteriormente, o confirmaram em diversos experimentos, incluindo um realizado no Japão.
A tendência aparece tanto em homens quanto em mulheres, embora seja mais pronunciada em crianças. A causa exata permanece desconhecida, mas pode estar relacionada a pequenas assimetrias corporais ou neurológicas. E isso talvez explique por que as rotações em atividades atléticas e outros esportes são feitas no sentido anti-horário.
A descoberta pode ser usada para aprimorar modelos de movimentação de multidões e evacuações de emergência.

10 janeiro, 2021

Por que andamos

Um manifesto pelo empoderamento peripatético:


1 Um resgate da palavra francesa flâneur (masculina; feminina: flâneuse), para quem vagueia numa urbe, popularizada na primeira metade do século XX. Elkin escreveu: "O flâneur entende a cidade como poucos de seus habitantes, pois a memorizou com os pés. Cada esquina, beco e escada tem a capacidade de mergulhá-lo nessa recuperação. O que aconteceu aqui? Quem passou por aqui? O que significa este lugar? O flâneur, sintonizado com os acordes que vibram por toda a cidade, sabe sem saber".

2 Caminhar é mapear com os pés. Ajuda você a compor uma cidade, conectando bairros que, de outra forma, poderiam permanecer entidades distintas, diferentes planetas ligados entre si, sustentados e remotos. Eu gosto de ver como, de fato, eles se misturam, eu gosto de perceber os limites entre eles. Caminhar me ajuda a me sentir em casa. Há um pequeno prazer em ver o quão bem eu conheço a cidade através de minhas andanças, atravessando diferentes bairros da cidade, alguns que eu conhecia muito bem, outros que eu não via há algum tempo, como me familiarizar com alguém que conheci em uma festa.

3 Às vezes, eu ando porque tenho coisas em mente, e caminhar me ajuda a resolvê-las. Solvitur ambulando, dizia Santo Agostinho. Ao ouvir esta frase, Bruce Chatwin imediatamente tomou nota. E Diógenes, o Cínico, respondeu aos paradoxos de Zenão sobre a irrealidade do movimento, levantando-se e indo embora. Usem esta conduta do filósofo grego para lidar com os "bolsomitos". Simples assim.

Why We Walk, Brain Pickinks
Flâneur, Wiki
Solvitur ambulando, Wiki

30 março, 2016

Caminhantes lentos

Liverpool torna-se a primeira cidade a abrir pistas para caminhadas rápidas
A propósito
O que os leitores do reddit pensam sobre os caminhantes lentos:
– Eu ando através dessas pessoas. Danem-se.
– Acho mais fácil empurrá-los para o chão e continuar minha caminhada sem aqueles passos desajeitados de bebê por trás deles.
– O melhor é bater-lhes na cabeça com um objeto pontiagudo e colocá-los em uma lixeira nas proximidades.
– Existe uma pista para as caminhadas bobas?
– Estudos mostram que os caminhantes rápidos tendem a viver mais tempo. Então, a ironia é que estes caminhantes lentos estão se movendo mais rapidamente para suas sepulturas.
– Pior do que caminhar lento é parar perpendicular ao fluxo dos pedestres para manter uma conversa.
– A solução é andar com uma campainha de bicicleta (vídeo).

– Ou apenas andar de bicicleta e atropelá-los, o melhor dos dois mundos!
Contraditório
♪Tocando em frente♪ (vídeo)

25 abril, 2015

Caminhadas coreografadas - 2

Como se deve andar ao sair de uma dimensão para entrar em outra?
Para não ofender aqueles que residem no interstício que existe entre duas dimensões, o Neatorama preconiza que se caminhe no local de uma forma muito boba. Como o grupo Monty Python faz em O Ministério das Caminhadas Bobas.
Apesar do risco de que seus sonhos de ficção científica se tornem bobos, muito bobos mesmo.


Caminhadas coreografadas - 1

14 março, 2014

Andando em círculos

A crença comum diz que as pessoas que se perdem em um terreno desconhecido acabam muitas vezes andando em círculos. É uma crença que está bastante arraigada na cultura popular.
Em um trabalho que publicaram no Current Biology (resumo), Jan L. Souman e colaboradores testaram a capacidade de seres humanos para caminhar em linha reta através de terrenos desconhecidos. Em dois ambientes diferentes - numa grande área florestal e no deserto do Saara - voluntários, com os olhos vendados, andaram por várias horas. Suas trajetórias, capturadas através do sistema de posicionamento global, mostraram que os participantes da experiência andavam em círculos quando não conseguiam ver o sol. Sob estas condições, eles caminharam em pequenos círculos, sendo estes muitas vezes extremamente pequenos (com diâmetros inferiores a 20 metros).
De maneira inversa, quando o sol podia ser percebido, esses participantes, por vezes, desviaram-se do caminho reto mas não andaram em círculos. A percepção de uma referência direcional externa lhes permitia recalibrarem o sistema sensório-motor para que pudessem caminhar em linha reta.