19 setembro, 2010

Miados rossinianos

Se alguém pensa que a música erudita não pode ser divertida é porque ainda não ouviu o "Duo dos Gatos" de Gioachino Rossini (1792-1868). O compositor trabalhou muito em sua juventude, logo se fez rico e famoso, e, com trinta e poucos anos, ele deixou de compor para desfrutar os prazeres da vida, dentre os quais o de uma boa mesa.
Rossini também era conhecido pelo senso de humor, ainda que não achasse graça quando os intérpretes de suas óperas se afastavam das respectivas partituras. E não sabemos se isto teve alguma influência para compor esta peça que vamos escutar. Há quem diga que ele a compôs em homenagem a um par de gatos que vinha visitá-lo, todas as manhãs, em sua casa de Pádua.



O "Duo dos Gatos" tem uma letra fácil, pois só emprega uma palavra: "miau". Mas, repetida de diversas formas, essa palavra acaba por trazer dificuldades vocais para seus intérpretes. Originalmente, foi composta para piano e duas vozes femininas, geralmente soprano e meio-soprano. Aqui, foi cantado por meninos do coro Petit Chanteurs à la Crois de Bois, em um concerto que teve lugar em Seul, a 30 de novembro de 1996.

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3 comentários:

nonato.albuquerque@gmail.com disse...

Maravilha de post! Pelo inusitado, pela beleza da composição de Rossini e pelo blog q esta cada vez melhor. Aliás, compilei algo para vc - como médico - analisar: "os aforismos de Isaac ben Solomon Isfraeli":

Semelhança com a obra hipocrática apresenta também o trabalho de Isaac ben Solomon Israeli, também conhecido pelo nome árabe de Abu Yakub Ishak ibn Suleiman Al-Israeli (830?-932?), que nasceu no Egito e viveu no norte da África. Como Hipócrates, ele recorre a aforismos, o segundo dos quais ("A ciência da medicina é extensa e a vida do homem é curta") reproduz, quase literalmente, o "A vida é curta, a arte, longa" hipocrático. Eis alguns outros aforismos (Friedenwald, op. cit., p. 24-26):

"(...) 4. Assim como o médico não deve agir apressadamente, ele também não pode ser negligente e procastinador, porque no caso de muitas doenças, não há tempo a perder.(...) Em se tratando de doenças agudas deve pensar e agir rápido.

(...) 11. O médico não cura; ele prepara e aplaina o caminho para a Natureza, da qual vem a cura verdadeira.

(...) 15. A missão do médico é dupla, preservar a saúde e curar a doença. A primeira é mais importante. (...)

(...) 17. O médico que promete a cura de uma doença está assumindo uma grande responsabilidade.

(...) 21. É preferível curar o paciente por meio de alimentos ou de uma dieta sadia do que usando remédios, especialmente purgativos, que são contrários à Natureza.

(...) 23. Propõe-te a usar sempre os remédios mais simples, porque é mais fácil saber como agem.

(...) 25. Nunca te proponhas a realizar curas milagrosas, porque estão baseadas na ignorância e na superstição.

(...) 27. É conveniente para o médico que seja moderado à mesa e não um glutão. Se, por causa do excesso alimentar, adoecer, as pessoas perguntarão:

‘Como pode curar outros alguém que não cura a si mesmo?’

(...) 29. Evita condenar outros médicos. Todos têm o seu mau dia. Que teus sucessos falem por ti; não procures te valorizar com a desgraça alheia.

30. Procura visitar e tratar doentes pobres e necessitados, porque é uma obra meritória.

31. Tenta acalmar o paciente, encorajando-o a esperar pela cura, mesmo que não estejas convencido desta possibilidade; isto ajudará nele as forças da natureza;

(...) 38. Quando o paciente não segue tua prescrição, ou quando seus familiares e criados não cumprem tuas ordens, ou se mostram desrespeitosos, é melhor desistir do tratamento.

39. Estabelece os honorários quando a doença se encontra na fase mais grave, porque assim que o paciente estiver curado, os serviços que prestaste serão esquecidos.

40. Quanto mais altos teus honorários, maior a tua respeitabilidade. Se cobras pouco, tua arte será considerada insignificante.

(...) 42 A menos que a situação o exija, não visites o paciente muito seguido e nem fiques muito tempo na casa dele, porque ver o médico de novo é uma alegria para o paciente.

43. Uma clientela muito grande confunde o médico em seu julgamento e o faz errar.

(...) 46. Preocupa-te em tratar os nobres e os ricos, porque eles te pagarão bem, te elogiarão e lembrarão de ti após a cura, enquanto as pessoas comuns, depois de curadas, até te odiarão ao lembrar o que cobraste." (Friedenwald, op. cit., p. 24-26).



Como se pode ver, estes aforismos fornecem três tipos de orientação. Em primeiro lugar recomendam que o tratamento seja simples e baseado na força curativa da natureza, a vis medicatrix naturae da expressão latina. Depois, envolvem preceitos éticos, na relação com o paciente e com outros médicos. Finalmente, dão alguns conselhos bastante práticos, e até astutos, sobre honorários e prestígio.

nonato.albuquerque@gmail.com disse...

Semelhança com a obra hipocrática apresenta também o trabalho de Isaac ben Solomon Israeli, também conhecido pelo nome árabe de Abu Yakub Ishak ibn Suleiman Al-Israeli (830?-932?), que nasceu no Egito e viveu no norte da África. Como Hipócrates, ele recorre a aforismos, o segundo dos quais ("A ciência da medicina é extensa e a vida do homem é curta") reproduz, quase literalmente, o "A vida é curta, a arte, longa" hipocrático. Eis alguns outros aforismos (Friedenwald, op. cit., p. 24-26):

"(...) 4. Assim como o médico não deve agir apressadamente, ele também não pode ser negligente e procastinador, porque no caso de muitas doenças, não há tempo a perder.(...) Em se tratando de doenças agudas deve pensar e agir rápido.

(...) 11. O médico não cura; ele prepara e aplaina o caminho para a Natureza, da qual vem a cura verdadeira.

(...) 15. A missão do médico é dupla, preservar a saúde e curar a doença. A primeira é mais importante. (...)

(...) 17. O médico que promete a cura de uma doença está assumindo uma grande responsabilidade.

(...) 21. É preferível curar o paciente por meio de alimentos ou de uma dieta sadia do que usando remédios, especialmente purgativos, que são contrários à Natureza.

(...) 23. Propõe-te a usar sempre os remédios mais simples, porque é mais fácil saber como agem.

(...) 25. Nunca te proponhas a realizar curas milagrosas, porque estão baseadas na ignorância e na superstição.

(...) 27. É conveniente para o médico que seja moderado à mesa e não um glutão. Se, por causa do excesso alimentar, adoecer, as pessoas perguntarão:

‘Como pode curar outros alguém que não cura a si mesmo?’

(...) 29. Evita condenar outros médicos. Todos têm o seu mau dia. Que teus sucessos falem por ti; não procures te valorizar com a desgraça alheia.

30. Procura visitar e tratar doentes pobres e necessitados, porque é uma obra meritória.

31. Tenta acalmar o paciente, encorajando-o a esperar pela cura, mesmo que não estejas convencido desta possibilidade; isto ajudará nele as forças da natureza;

(...) 38. Quando o paciente não segue tua prescrição, ou quando seus familiares e criados não cumprem tuas ordens, ou se mostram desrespeitosos, é melhor desistir do tratamento.

39. Estabelece os honorários quando a doença se encontra na fase mais grave, porque assim que o paciente estiver curado, os serviços que prestaste serão esquecidos.

40. Quanto mais altos teus honorários, maior a tua respeitabilidade. Se cobras pouco, tua arte será considerada insignificante.

(...) 42 A menos que a situação o exija, não visites o paciente muito seguido e nem fiques muito tempo na casa dele, porque ver o médico de novo é uma alegria para o paciente.

43. Uma clientela muito grande confunde o médico em seu julgamento e o faz errar.

(...) 46. Preocupa-te em tratar os nobres e os ricos, porque eles te pagarão bem, te elogiarão e lembrarão de ti após a cura, enquanto as pessoas comuns, depois de curadas, até te odiarão ao lembrar o que cobraste." (Friedenwald, op. cit., p. 24-26).



Como se pode ver, estes aforismos fornecem três tipos de orientação. Em primeiro lugar recomendam que o tratamento seja simples e baseado na força curativa da natureza, a vis medicatrix naturae da expressão latina. Depois, envolvem preceitos éticos, na relação com o paciente e com outros médicos. Finalmente, dão alguns conselhos bastante práticos, e até astutos, sobre honorários e prestígio.

Paulo Gurgel disse...

Nonato, olá.
Cerca de quinze séculos separam o Mestre de Kós do judeu egípcio Isaac ben Solomon. E aquele, por um imperativo cronológico, deve ter influenciado as práticas deste.
Muitos dos aforismos de Solomon, todavia, continuam válidos.
Da exposição de Friedenwald, particularmente, eu pinço suas conclusões:
"Como se pode ver, estes aforismos fornecem três tipos de orientação. Em primeiro lugar recomendam que o tratamento seja simples e baseado na força curativa da natureza, a vis medicatrix naturae da expressão latina. Depois, envolvem preceitos éticos, na relação com o paciente e com outros médicos. Finalmente, dão alguns conselhos bastante práticos, e até astutos, sobre honorários e prestígio."
Um abraço.
Paulo