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12 dezembro, 2020

Com paciência e cuspe

Um destaque da coleção da galeria de arte do Mannheim, a pintura a óleo "A execução do imperador Maximiliano do México", de Édouard Manet, está sendo cuidadosamente limpa com uma fórmula inesperada para leigos: uma solução de água destilada e saliva (artificial).

Katrin Radermacher, chefe do departamento de restauração, trabalhando com máscara e luvas no quadro de Manet.

Não houve um tal Mr. Bean, no final dos anos 90, que deu à pintura "Arranjo em cinza e preto nº 1", de James McNeill Whistler, um tratamento especial com saliva? (*)
Bem, o que a princípio soa como uma piada é, segundo Radermacher, um "método completamente sensível e sensível", desde que o material processado permita sua utilização. "A saliva é perfeitamente adequada porque contém enzimas especiais (como a α-amylase) que quebram a contaminação da superfície", explica a restauradora de Mannheim.


(*) O episódio da restauração mal-sucedida do "Whistler's Mother" é uma situação isolada. Contudo, levanta a hipótese de que usar a saliva não seja muito apropriado (assim como o Thinner, claro) para o caso de um restauro pós-espirro.

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18 setembro, 2018

O poder de limpeza da saliva humana

Resumo
O uso da saliva humana para limpar superfícies sujas tem sido uma prática intuitiva por muitas gerações. Os autores estabeleceram as bases científicas para essa prática por meio de testes qualitativos e técnicas cromatográficas. A α-amylase foi o constituinte principal responsável pelo poder de limpeza da saliva. As preparações amilásicas obtidas do pão ou de microrganismos foram também testadas como substitutos da saliva.
Paula M. S. Romão, Adília M. Alarcão and César A.N. Viana, Studies in Conservation, vol. 35, 1990, pp. 153-155.
https://doi.org/10.1179/sic.1990.35.3.153
Prêmio Ig Nobel de Química de 2018

Crédito da imagem

Parabéns aos três pesquisadores lusitanos por este prêmio que merecidamente receberam. Suas conclusão foram validadas aqui no Blog EM desde que eu fiz recentemente uma limpeza na tela do meu notebook. Os restauradores usam há muito tempo a própria saliva no lugar de outros solventes quando trabalham com materiais delicados como folha de ouro e cerâmica. [PGCS]

21 fevereiro, 2013

Água na boca

Apesar de amplamente percebida, não há um mecanismo fisiológico claro para a sensação conhecida como "água na boca'", dizem os pesquisadores Yovaan Ilangakoon e Guy Carpenter, nas páginas do Journal of Texture Studies (volume 42, número 3, páginas 212-216, junho de 2011).
A equipe, com base na Unidade de Pesquisa Salivar do Kings College London Dental Institute, realizou um conjunto de estudos experimentais em que cinco participantes não só manusearam e mastigaram alimentos como também olharam para fotos de pizza, cachorro-quente, curry, morangos, bolo, limão, carne assada, doces, frango assado e outras iguarias. Enquanto isso, eles tiveram as produções de saliva cuidadosamente recolhidas e quantificadas.
Os resultados desses estudos mostraram que, "ao contrário dos animais, e dos cães de Pavlov em particular, os seres humanos não são capazes de salivar apenas pensando em alimentos", o que pode parecer contra-intuitivo e até mesmo desanimador para gourmets, chefs e profissionais das agências de publicidade. (PGCS)

Museu Pavlov, Rússia.
Um dos cães usados por Pavlov em suas experiências.
Note-se que o recipiente utilizado para o armazenamento de saliva
está cirurgicamente implantado no maxilar do animal. WIKIPÉDIA

Bônus
Avalie-se se você é capaz, ou não, de salivar ao ver comestíveis e bebíveis, assistando a este vídeo que mostra a preparação de uma caipirinha brasileira:


Pensamento
"Se tem uma coisa que me dá água na boca, essa coisa é o copo." (Glauco)
Imagem: Salve o Bule