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29 janeiro, 2024

1984

Os livros tornam-se influentes de diferentes maneiras. Antes da impressão em massa e das listas de best-sellers, sua repercussão dependia de quem lia um determinado livro. Se um livro influenciasse uma pessoa poderosa, poderia mudar o mundo. Se fosse lido por estudiosos, poderia mudar toda uma disciplina, como a astronomia. No mundo moderno, os livros mais vendidos podem influenciar a opinião pública, revelando o que antes era desconhecido para a maioria dos leitores, ou especulando sobre o que poderia ter sido, ou o que poderia algum dia ser. A opinião pública percorre um longo caminho para mudar a sociedade e, de fato, foram os livros que alimentaram o fim da escravidão, o feminismo, os direitos civis, as regulamentações ambientais, a revolução comunista e outros movimentos que mudaram o mundo.
1984 - "É uma fantasia do futuro político e, como qualquer fantasia, serve a seu autor como um dispositivo de ampliação para um exame do presente", escreveu o The New Yorker na publicação do "Nineteen Eighty Four", em 1949. Essa revisão poderia ter sido escrita ontem. Embora dificilmente seja um conto de terror, o romance de Orwell - sobre o escritor Winston Smith, obrigado a mudar a verdade para se adequar ao estado dominador - há muito tempo é uma pedra de toque para alertas sobre futuros distópicos.
A expressão "big brother", por exemplo, surgiu de Orwell, que estava gravemente doente com tuberculose enquanto escrevia o livro. (Ele morreu poucos meses depois de ter sido publicado.) E a novela tornou-se uma súmula da autoridade opressiva e da verdade flexível - ou, em uma palavra, orwelliana.
(https://www.mentalfloss.com/posts/books-that-changed-the-world)

01 março, 2022

Fritar no mármore

"Nunca entendi essa de fritar no mármore. Mármore é gelado!"
(http://twitter.com/TuicoMoreira/status/1498323147677970443)

"Fritar no mármore" pode ser o encurtamento da expressão "arder (ou queimar) no mármore do inferno".
Relembrando os cinco bordões mais famosos da novela "O Clone":
"Insh'Allah" (se Deus quiser)
"Não é brinquedo, não"
"Tratada como um camelo"
"Pisada como um tapetinho"
"Arder no mármore do inferno" (uma das frases mais repetidas durante toda a trama por Tio Ali, o personagem de Stênio Garcia, para destacar o que acontece com os pecadores segundo o Corão).

A propósito:
Há no mercado as chamadas frigideiras de mármore, descritas como uma das mais novas tecnologias em antiaderência.
(http://youtu.be/hfMr-FvvXoE, link não patrocinado)
Bom para o Dicionário Brasileiro de Frases, o DBF.

31 agosto, 2021

Falhas na segurança do Palácio de Buckingham (1)

Desde que o Palácio de Buckingham se tornou a principal residência da monarquia britânica, existem relatos de brechas em sua segurança.
O inacreditável aconteceu logo em 1837, o ano em que a rainha Vitória foi viver no palácio, quando um rapaz de 12 anos conseguiu viver mais de um ano no edifício sem o conhecimento dos lacaios.  Escondia-se nas chaminés, ficando pretos os panos onde dormia, e só foi apanhado em dezembro de 1838, o que originou muitas criticas no parlamento a propósito da segurança real.
"The Mudlark", uma novela de 1949 escrita pelo americano Theodore Bonnet, baseia-se vagamente nesta história de meninos de rua que sobreviviam vasculhando o lixo nas margens do Tâmisa.. Em 1950, fez-se um filme baseado no livro. 
Sinopse
Um jovem moleque de rua, meio faminto e sem-teto, encontra um camafeu contendo a imagem da Rainha Vitória. Não a reconhecendo, é informado que ela é a "mãe de toda a Inglaterra". Tomando a observação literalmente, ele viaja para o Castelo de Windsor para vê-la. Quando o menino é pego pelos guardas do palácio, ele é erroneamente considerado parte de uma conspiração de assassinato contra a rainha. O primeiro-ministro Benjamin Disraeli percebe que o menino é inocente e implora por ele no Parlamento, fazendo um discurso que critica indiretamente a rainha por haver se retirado da vida pública. A rainha fica furiosa com o discurso, mas se comove genuinamente ao conhecer o menino e decide retornar para a vida pública.
Trailer: http://youtu.be/fyLtiuIHsGc

12 maio, 2018

Para cumprimento da representação racial

O Ministério Público do Trabalho (MPT) do Rio de Janeiro enviou à Rede Globo uma notificação para que a emissora cumpra com a devida representação racial na próxima novela das 21h, Segundo Sol. O MPT afirma que o não espelhamento da sociedade nos programas televisivos "gera a perpetuação da exclusão e reafirma estereótipos de limitação de espaços a serem ocupados pela população negra", ressalta o informativo.
De acordo com o Estatuto da Igualdade Racial (LEI Nº 12.288, DE 20 DE JULHO DE 2010), cabe ao Poder Público a promoção de ações que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra. Isso inclui a implementação de medidas visando a promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e organizações privadas.
"Decidimos expedir essa nota com o fim de mostrar a importância de a empresa respeitar a diversidade racial. Apesar de ser uma obra artística e uma obra aberta, consideramos que ela tem como obrigação incluir atores negros em proporção suficiente para uma real representação da sociedade", explicou a coordenadora nacional da Coordigualdade, Valdirene Silva de Assis.
Fonte: site Metropoles

09 maio, 2015

O Menino Homofobiquinho

O escritor e desenhista Ziraldo Pinto causou polêmica nas redes sociais ao criticar a atriz Fernanda Montenegro por "fazer apologia ao afeto homossexual" na novela "Babilônia", da TV Globo.
O site humorístico Sensacionalista, que satiriza as notícias do dia a dia, aproveitou o episódio para dizer que o escritor lançará agora um livro infantil com um novo personagem: "Bolsonarinho, O Menino Homofobiquinho":
"Ele vai sair pelo mundo consertando as coisas erradas desse pessoal, que é uma porcentagem muito pequena da sociedade, usando seu rifle de estimação, chamado AI-Cinquinho. Ele também é muito arteiro e gosta de andar pela avenida Paulista de noite com lâmpadas fluorescentes na mão, que é a forma como ele encontrou de evitar que os gays participem da vida em sociedade."

19 novembro, 2012

O roteiro da novela "mensalão"

por Najla Passos
Se há uma linguagem que o brasileiro comum domina e aprecia é a da telenovela. Farta literatura acadêmica aponta a popularidade do principal produto cultural de exportação brasileiro como a razão que lhe confere alta efetividade na construção de consensos hegemônicos. Há exemplos consagrados de produções que inovaram padrões estéticos, alteraram costumes, reforçaram estereótipos e interferiram no comportamento político da nação. Não por acaso, foi justamente o formato de telenovela o escolhido para dar corpo ao julgamento da ação penal 470, o “mensalão”, que invade os lares dos brasileiros há quase quatro meses, televisionado pela TV Justiça e reverberado em edições do estilo “melhores momentos” pelo noticiário.
Antes mesmo de o julgamento ter início, os jornais já apresentavam a sinopse do enredo, a descrição dos personagens. Herói e vilão foram previamente fixados no imaginário coletivo, assim como quem seriam os protagonistas e os coadjuvantes do elenco escalado. A nomenclatura adotada não deixou nada a dever aos conhecidos roteiros da teledramaturgia. O processo foi fatiado em “capítulos”. Os réus, agrupados em “núcleos”. Tudo ao melhor estilo “padrão globo de qualidade”.
Embora os resumos dos capítulos estivessem antecipados, diariamente, nos jornalões, a direção geral, assinada pelo relator do processo, Joaquim Barbosa, não economizou em inovar as estratégias para surpreender o público. Com o apoio da maioria dos ministros, que se produzia diariamente para enfrentar os holofotes, negou a 34 réus o direito constitucional à dupla jurisdição. Inverteu a ordem dos capítulos sugerida no roteiro prévio feito pelo Ministério Público. E a alterou, novamente, quando a audiência dava sinais de cansaço, no atropelado processo de fixação das penas.
Fez merchandising de teoria jurídica estrangeira que até então ainda não havia assegurado espaço no mercado judiciário brasileiro. E o pior: com uma releitura tão tacanha que “obrigou” o alemão Claus Roxin, autor da obra original, a vir ao Brasil desautorizar seu uso indevido. Reagiu rápido e mudou o foco da polêmica ao apenar os protagonistas antes que o enredo desandasse de vez. Atropelou garantias individuais consagradas para manter o cronograma que, como tantas outras novelas globais já o fizeram, intencionava influir nas eleições.
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