Mostrando postagens com marcador metáfora. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador metáfora. Mostrar todas as postagens

01 março, 2024

A metáfora de cavalgar o tigre

A imagem de cavalgar o tigre tem uma origem oriental. Origina-se de um provérbio extremo-oriental que diz que "aquele que cavalga o tigre não pode descer" porque, naturalmente, o animal o atacaria. Em vez disso, se ele mantiver o controle, poderá prosseguir em sua cavalgada. Símbolos semelhantes, porém, podem ser encontrados em outros lugares no mesmo domínio religioso. Nos antigos mistérios de Mitra, dos quais conhecemos a grande difusão que tiveram no Império Romano, especialmente entre as legiões, Mitra, o herói divino, foi retratado como aquele que agarra um touro furioso pelos chifres, deixa-se arrastar por ele em uma corrida louca e não abandona a presa até que o animal, exausto, pare. Então ele o mata.
Um paralelo característico pode ser encontrado no chamado Zen, uma doutrina reputada como sendo a dos samurais, ou seja, da aristocracia guerreira japonesa. Também aqui, em uma sequência muito difundida e muito antiga de dez imagens simbólicas, o touro aparece. Entretanto, o episódio da execução final está faltando. Ao invés disso, no final, o animal exausto segue docilmente a pessoa que o montou sem se permitir ser ultrapassado. 
~ Coronilha [link não funcionante]

16 abril, 2021

Metáforas

Lucrécio disse para lidar com elas com cautela; Berkeley, para não lidar com elas de forma alguma. Aristóteles disse que muitas confundem; Locke, que mesmo uma pode "enganar o julgamento"; Hobbes, que seu fim natural era "contenda e sedição, ou desprezo". Sontag disse, simplesmente: elas matam.

Pena a pobre metáfora, tão difamada, tão atraente. Fomos advertidos repetidamente - e, inevitavelmente, com metáforas - que elas podem fazer coisas terríveis. (De acordo com Sontag, as metáforas grotescas ligadas à AIDS e ao câncer contribuíram para seus estigmas e impediram as pessoas de procurar tratamento.) E, no entanto, é impossível ficar sem. 

Supostamente, usamos uma metáfora por minuto, cerca de uma metáfora para cada 25 palavras; parecemos quase incapazes de encadear dois pensamentos sem elas (lá vai uma), que lançam uma luz tão esclarecedora quanto necessária (e lá vai outra).



03 janeiro, 2013

O Juízo Final

Para Marcelo Gurgel
O blogue In The Dark apresenta uma metáfora para a física teórica moderna:
"Esta é a pintura que eu costumo usar na introdução de minha fala sobre cosmologia. Eu gosto de usar 'O Juízo Final' (Das letzte Gericht), de Hieronymus Bosch, para ilustrar os meus sentimentos sobre o modelo cosmológico padrão.
A parte de cima da pintura representa a cosmologia da concordância. Claramente, mostra um cosmólogo eminente, cercado por pesquisadores de pós-doutorado. Tudo parece estar em harmonia celestial e tomado por um brilho radiante de autossatisfação. As trombetas representam as várias formas de cobertura exagerada da imprensa.
Mas, se você insistir em olhar a cena toda, sob uma perspectiva adequada, vai perceber que há uma enorme quantidade de coisas acontecendo lá embaixo, que não são tão agradáveis nem fáceis de interpretar. Nessa parte de baixo, há inúmeros infelizes em condições miseráveis ​​e sofrendo tormentos inimagináveis, os quais, obviamente, são os estudantes de pós-graduação. Quanto à grande faca, visível no canto inferior direito, simboliza perfeitamente a ameaça dos cortes orçamentários.
E o ponto principal desse modelo da cosmologia da concordância baseia-se em um fundamento bastante estranho: ninguém entende o que a matéria e a energia escuras são, por exemplo..."
Traduzido por PGCS

24 fevereiro, 2012

Os dentes do mar

Esta foto foi tirada em 6 de fevereiro de 2011 por Nikos Golfis, em Kyklades, Notio Aigaio, Grécia.

Jaws, Flickr

A propósito do assunto
Fez me lembrar de um dos versos que Abel Silva colocou na música "Maresia", de Sueli Costa:
"A maresia são os dentes do mar."
Uma bela metáfora.