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15 dezembro, 2020

A parábola do muro

Um homem estava sobre um muro, indeciso. Ele não sabia para que lado deveria descer a fim de continuar seu trajeto.
Então, avistou um anjo, em um dos lados, que dizia com grande insistência:
- Vem, vem, desce logo para cá.
Do outro lado, estava o diabo que nada dizia.
Intrigado com o comportamento silencioso do demônio, o homem resolveu lhe perguntar:
- Por que você, diabo, não pede nada?
- É que o muro é meu.
(fazendo a ronda na internet; reescrita)

No Preblog: EM CIMA DO MURO

22 dezembro, 2017

Um senhor muito velho com umas asas enormes

Numa pequena vila, a curiosa aparição de um senhor muito velho com umas asas enormes transforma a vida de todos no lugar. Sua presença intrigante e os estranhos acontecimentos que vão se revelando provocam fascínio, dúvida e as mais diferentes reações. Neste conto de Gabriel García Márquez, escrito em 1968, o mestre do realismo fantástico de uma forma inigualável se utiliza de fabulações povoadas por situações oníricas e fenômenos insólitos que estimulam, divertem e impressionam.
"No terceiro dia de chuva tinham matado tantos caranguejos dentro de casa que Pelayo teve de atravessar o seu pátio inundado para atirá‑los ao mar, pois o bebê recém‑nascido tinha passado a noite com febre e pensava‑se que era por causa da pestilência. O mundo estava triste desde terça‑feira. O céu e o mar eram uma única e mesma coisa de cinza e as areias da praia, que em março resplandeciam como poeira de luz, tinham‑se transformado numa papa de lodo e mariscos podres. A luz era tão fraca ao meio‑dia que, quando Pelayo regressava à casa depois de ter deitado fora os caranguejos, teve dificuldade em ver o que era que se movia e gemia no fundo do pátio. Teve de aproximar‑se muito, para descobrir que era um homem velho, que estava caído de borco no lodaçal e que, apesar dos seus grandes esforços, não podia levantar‑se, porque lho impediam as suas enormes asas.
Assustado por aquela visão aflitiva, Pelayo correu em busca de Elisenda, sua mulher, que estava a pôr compressas ao bebê doente, e levou‑a até ao fundo do pátio. Ambos observaram o corpo caído com um silencioso pasmo. Estava vestido como um trapeiro. Não lhe restavam mais do que uns fiapos descoloridos no crânio pelado e pouquíssimos dentes na boca, e essa lastimosa condição de bisavô ensopado tinha‑o desprovido de qualquer grandeza. As suas asas de abutre velho, sujas e meio depenadas, estavam encalhadas para sempre no lodaçal. Tanto o observaram, e com tanta atenção, que Pelayo e Elisenda muito rapidamente se recompuseram do assombro e acabaram por achá‑lo familiar. Então atreveram‑se a falar‑lhe, e ele respondeu‑lhes num dialeto incompreensível, mas com uma boa voz de navegante. Foi por isso que deixaram de preocupar‑se com o inconveniente das asas e chegaram à sensata conclusão de que era um náufrago solitário de algum navio estrangeiro, desfeito pelo temporal. Contudo, chamaram, para que o visse, uma vizinha que sabia todas as coisas da vida e da morte, e a ela chegou‑lhe um olhar para tirá‑los do engano.
‑ É um anjo ‑ disse‑lhes. ‑ Com certeza vinha por causa da criança, mas o desgraçado está tão velho que a chuva o fez cair."
Siga lendo o conto AQUI.

02 outubro, 2017

19 setembro, 2016

Anjo Malaquias

O Ogre rilhava os dentes agudos e lambia os beiços grossos, com esse exagerado ar de ferocidade que os monstros gostam de aparentar, por esporte.
Diante dele, sobre a mesa posta, o Inocentinho balava, imbele.
Chamava-se Malaquias – tão pequenino e reconchudo, pelado, a barriguinha pra baixo, na tocante posição de certos retratos da primeira infância...
O Ogre atou o guardanapo ao pescoço. Já ia o miserável devorar o Inocentinho, quando Nossa Senhora interferiu com um milagre.
Malaquias criou asas e saiu voando, voando, pelo ar atônito... saiu voando janela em fora...
Dada, porém, a urgência da operação, as asinhas brotaram-lhe apressadamente na bunda, em vez de ser um pouco mais acima, atrás dos ombros. Pois quem nasceu para mártir, nem mesmo a Mãe de Deus lhe vale!
(extraído do conto Anjo Malaquias, de Mario Quintana)
Captura de tela do curta "Anjo Malaquias", da série "20 Gaúchos que Marcaram o Século XX". RBS-RS
Mario era um poeta que gostava de brincar com as crianças. Mentia para elas, dizendo que era o Anjo Malaquias (aquele que, por falhas técnicas tinha as asinhas na bunda). E que até ia ser recebido no céu por uma banda de anjinhos uniformizados, com os sovacos suados e os sapatos apertados...

13 setembro, 2011

O Detran adverte

Tristan Bronkhorst


NUNCA DIRIJA MAIS RÁPIDO 
DO QUE O SEU ANJO DA GUARDA
CONSEGUE VOAR.