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26 julho, 2021

Para que lado vai seu otimismo?

Fernando Gurgel Fº

A resposta ao Henfil poderia ser assim:

Para que lado vai seu otimismo? Não importa.

Segundo meu amigo calhorda, para onde for seu otimismo, temos excelentes notícias para você.

Por exemplo: essas iniciativas de plantio de uma árvore para cada morto por Covid-19 é fantástica. Ora, pelo número de mortos, as árvores plantadas devem chegar próximo à reposição das que foram queimadas este ano. E o melhor, ainda segundo meu amigo, para o ano que vem poderemos ter novas e maiores queimadas nas florestas. Que tal?

E o meu amigo calhorda completa as "boas" notícias: os ecologistas estão vendo um futuro brilhante para o planeta Terra. A natureza vai, enfim, eliminar o ser humano e o planeta vai brilhar como nunca. Algo parecido com o que a Margaret Atwood descreve em seu livro "Oryx e Crake".

Será que ainda sentiremos saudades de 2021? Estou quase achando que sim.

😭Buáááááááááá.

Fontes
http://www.acritica.com/channels/manaus/news/ong-japonesa-vai-plantar-uma-arvore-em-manaus-para-cada-morte-por-covid
http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2020-06/covas-sao-paulo-plantara-uma-arvore-para-cada-vitima-de-covid-19
http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2020/11/02/interna_gerais,1200338/arcebispo-planta-ipes-e-pau-brasil-homenagem-aos-mortos-pela-covid-19.shtml
http://www.ufrgs.br/jornal/ailton-krenak-a-terra-pode-nos-deixar-para-tras-e-seguir-o-seu-caminho/fbclid=IwAR2JapsXzQdlPzOCaB6d1jZ4vOWr_w9qf2ccKTgtuZrtdGRfU8RzEocyTcE
http://www.dn.pt/mundo/autoanticorpos-estao-a-gerar-casos-mais-graves-de-covid-19-13134697.html

24 julho, 2021

Pessimistas de todo o Brasil, uni-vos!

Publicadas na "Isto É" e compiladas no livro "Cartas da Mãe - Henfil", as cartas de Henrique de Souza (1944-1988) à sua mãe Dona Maria merecem ser relidas. De narrativa clara, elas conduzem o leitor a profundas reflexões sobre a atual conjuntura, em que reaparece a necessidade de protegermos "esta planta muito tenra", que é a nossa democracia.
Criador de personagens icônicos dos quadrinhos brasileiros (como o cangaceiro Zeferino, o bode Orelana, a Graúna, o Cabôco Mamadô e os dois Fradim), Henfil era uma espécie de termômetro do ânimo da luta pela reabertura democrática. Naquele momento, o país tentava livrar-se da ditadura militar, arregimentando suas forças pela anistia e para a campanha das "Diretas Já".
O Brasil de hoje sofre as turbulências de outro golpe, ao qual não faltou no momento mais azado o apoio dos militares. Os paisanos que o planejaram, financiaram e concretizaram ainda apostam na ampliação do desânimo como uma forma de desmobilização popular.
Foto: Henfil, sentado no colo materno

HENFIL NO CEARÁ

São Paulo, 9 de janeiro de 1980.
Mãe,
Sem piadinha. Vou me abrir.
Eu tenho acordado de uns seis meses para cá sem ânimo, sem esperança, sem vontade de brilhar, de lutar, de mudar a Lucinha, O Brasil, o mundo, o universo!
Muitas noites eu não durmo, assombrado. Pensando assim: tô ficando velho, é isso. Talvez o pessoal odara tenha razão e eu já seja coisa antiga.
Passo então a pensar angustiado em como enfrentar minha velhice tomando fortificantes, complexo B, mudando meu guarda-roupa.
Bão.
De repente eu percebi que o mano Betinho e a Maria também estão de farol baixo.
Aí, anteontem, pego o jornal e vejo o resultado da pesquisa Gallup que dizia que 71% dos brasileiros estão pessimistas. Há uma epidemia de desânimo e impotência assolando o país nesse exato momento!
O atual sistema, para governar, nos fez pessimistas. E pessimista não dorme, não faz amor, não faz partidos, não incomoda, não reclama, não briga.
Que diabo de país é este?
Pessimistas de todo o Brasil, uni-vos! Somos a maioria! Às ruas!
Henfil