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21 setembro, 2022

In saecula saeculorum

Há uma palavra etrusca, saeculum, que descreve o período de tempo vivido pela pessoa mais velha presente, às vezes calculado em cerca de cem anos. Em um sentido mais amplo, a palavra significa a extensão de tempo durante a qual algo permanece na memória viva. Todo evento tem seu saeculum e depois seu pôr do sol quando a última pessoa que lutou na Guerra Civil Espanhola se foi. Para nós, as árvores pareciam oferecer outro tipo de saeculum, uma escala de tempo mais longa e uma continuidade mais profunda, protegendo nossa efemeridade da mesma forma que uma árvore pode oferecer abrigo literal sob seus galhos.
Reflexão da escritora Rebecca Solnit (depois de visitar com um amigo seis majestosos eucaliptos – lendas locais vivas com raízes profundas na história global).

De acordo com o livro Guinness de recordes, a árvore mais velha alguma vez documentada foi a "Prometeu", no pico Wheeler, Nevada, nos EUA. A árvore teria cerca de 5.200 anos quando foi acidentalmente cortada. Donal Rusk Currey é o professor de geologia norte-americano que acabou por ficar na história por ter sido responsável pelo abate dessa árvore, em 1964.
No Pinus longaeva em causa foi possível contar 4.867 anéis. Considerando-se que o local onde se encontrava pode ter condicionado o crescimento da árvore, os especialistas calcularam uma idade aproximada de 5.200 anos na data em que foi cortada, um recorde que consta do Guinness Book e que até hoje ainda não foi quebrado.
Atualmente, o recorde para a árvore mais velha ainda viva também pertence à mesma espécie de pinheiro. Chama-se "Matusalém" (foto), encontra-se nas Montanhas Brancas, na Califórnia e estima-se que já tenha atingido os 4.854 anos.
Controvérsias
https://www.tricurioso.com/2019/05/16/qual-e-a-arvore-mais-antiga-do-planeta/

21 setembro, 2021

A porra da árvore

William Blake:
"Como um homem é, então ele vê a porra da árvore."
Perdão, leitores.
Parece que um ser malévolo (JMB) se interpôs neste tweet.
@EntreMentes

A porra da árvore, por Ruy Castro
(publicado na Folha de SP em 04/10/2019)
Nesta terça-feira (1º), numa tentativa de elevar sua estatura como estadista, o presidente Bolsonaro subiu numa cadeira e discursou para um grupo de garimpeiros na entrada do Palácio do Planalto. Segundo ele, a campanha estrangeira em defesa da floresta amazônica não quer saber da preservação ambiental ou da proteção aos índios. E, de acordo com sua ideia do nível de sofisticação de sua plateia, declarou: “O interesse na Amazônia não é no índio, nem na porra da árvore. É no minério!”.
A maneira de Bolsonaro se referir à árvore é injusta. A árvore não é uma porra. É verdade que contém uma seiva que, à visão desarmada, pode ser confundida com o esperma –ambos são espessos, aderentes e viscosos. Mas a semelhança acaba aí, e Bolsonaro, matuto de origem, sabe disso. Seu uso de “porra”, portanto, só pode ter se dado na forma chula, significando, segundo o Aurélio, “enfado, impaciência, desagrado”. É o que as árvores lhe provocam, donde estar dedicando seu mandato a transformar o Brasil num pasto ou numa Serra Pelada sem volta. Deve isso aos patronos da sua candidatura.
O jovem Bolsonaro certamente se aplicava em chutar árvores, desfolhar galhos ou urinar em canteiros. Mas, se cursou a escola fundamental, talvez tenha aprendido que o Brasil nasceu de uma árvore: o pau-brasil, cujo ciclo econômico durou pouco, pela exploração irresponsável que o levou à quase extinção. Bolsonaro não gosta dos índios, mas sua mentalidade tem algo em comum com a deles –também é extrativista.
Quanto à porra, expressão que usou para desmerecer a árvore, é bom lembrar que, na origem, Bolsonaro também já foi uma. Pelo menos, foi chapinhando nela que se cruzaram os genes que o formaram. Em respeito ao leitor, vou me abster de entrar em detalhes.
Basta dizer que, embora talvez Bolsonaro não acredite, o processo de sua fecundação foi o mesmo que gerou o cacique Raoni.
Via

21 setembro, 2018

Dia da Árvore, 2018


Árvores produzem oxigênio (necessário à vida), absorvem os poluentes do ar, fornecem sombra, refrigeram as cidades e os campos, protegem o solo da erosão, atenuam os ventos fortes e reduzem a poluição sonora. Suas folhas e galhos que caem servem de adubo para novas árvores. Elas dão abrigo e alimento para os animais silvestres. Árvores ainda fornecem: sementes, flores, frutos, madeira, papel, óleos, roupas, medicamentos etc. etc. etc. É pouco?

21 setembro, 2017

Leitura da natureza

Na Alemanha, onde a moderna silvicultura (1) começou, um curioso novo tipo de literatura surgiu no século 18:
"Alguns entusiastas pensaram em ir além dos volumes botânicos que meramente ilustravam a taxonomia das árvores. Em vez disso, os próprios livros deveriam ser fabricados a partir da matéria em questão, de modo que o volume do Fagus, (2) por exemplo, a faia comum européia, teria como capa a casca desta árvore. E seu interior conteria amostras de castanha e sementes de faia, e suas páginas seriam literalmente suas folhas."
Isso está no "Paisagem e Memória" (1995), de Simon Schama. (3) Estas xilotecas, ou repositórios de madeira, cresceram em todo o mundo desenvolvido - e a maior delas, na Escola Florestal Florestal da Universidade de Yale, EUA, possui um acervo na casa das 60.000 amostras. (4) "Mas os livros de madeira não eram um puro capricho, um bom trocadilho sobre o significado do cultivo", escreve Schama. "Ao prestar homenagem à matéria vegetal de que ela e toda a literatura foi constituída, a biblioteca de madeira fez uma declaração deslumbrante sobre a necessária união da cultura com a natureza".
https://www.futilitycloset.com/2017/05/03/nature-reading/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Xiloteca

N. do E.
(1) Ciência que se dedica ao estudo dos métodos naturais e artificiais de regenerar e melhorar os povoamentos florestais e que compreende o estudo botânico das espécies, além da identificação, caracterização e prescrição da utilização das madeiras.
(2) Gênero que agrupa 10 espécies de árvores nativas das zonas temperadas da Europa, Ásia e América do Norte, conhecidas pelo nome comum de faia.
(3) Neste livro, Schama busca identificar a mitologia da natureza no Ocidente em suas várias manifestações; uma análise detalhada das significações atribuídas à paisagem natural em diversas épocas e lugares, mostrando o que se conserva e o que se perde, na visão culturalmente herdada da natureza.
(4) No Brasil, as maiores xilotecas ficam em São Paulo (17.000 amostras) e Rio de Janeiro (8.000 amostras).