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10 novembro, 2019

Índios violonistas

Paulo Gurgel Carlos da Silva
Índios Tabajaras
Muçaperê (Tianguá - CE) e Erundi (1918, Crato - CE) eram índios da tribo Tabajara. Em 1933, esses dois irmãos cearenses migraram a pé para o Rio de Janeiro. E, numa caminhada que durou três anos, a dupla entrou em contato com violeiros e cantadores das regiões pelas quais passaram. No Rio de Janeiro, onde a seguir fixaram residência, eles se registraram com os nomes de Antenor e Natalício, respectivamente. Mantiveram, porém, o nome de "Índios Tabajaras" para suas apresentações e gravações de discos.
O repertório da dupla ia do gênero popular (apresentado em trajes indígenas) ao erudito (apresentado com smokings). Os "Índios Tabajaras" residiram por alguns anos nos Estados Unidos, onde alcançaram grande sucesso, e fizeram excursões musicais em diversos países da América Latina, da Europa e Japão.
Ouvidos pelo violonista espanhol Andrés Segovia (1893 - 1987), receberam do pai do violão erudito moderno o seguinte elogio:
"Os Índios Tabajaras tocam vertiginosamente com dedos ligeiros e obedientes."
https://blogdopg.blogspot.com/2009/05/indios-tabajaras.html
https://blogdopg.blogspot.com/2009/07/pela-blogosfera-33.html

Cacique Robson Miguel
Robson Neves Miguel, nascido em 28/8/1959, em Vitória, ES. Violonista, compositor e arranjador.
Entre os seus discos, destacam-se "Dos Manos y una Guitarra", "Sueño azul" e "Robson Miguel en vivo, Córdoba-España", lançados na Espanha, e "Cores do Brasil", lançado na Alemanha..
Maestro Cacique Robson Miguel (falando):
"Uma vez, eu encontrei uma índia a quem perguntei:
– Qual o seu nome?
– We-e-e-na.
– Como?
– We-e-e-na.
– Qual é mesmo o seu nome?
– We-e-e-na.
– Mas por que você está cantando We-e-e-na? Mi, Si, Mi, Mi.
– Eu sou da etnia Tikuna que fica na fronteira do Brasil com a Colômbia e o Peru. Nossa língua está sendo estudada porque somos os únicos índios na América com uma língua tonal. Meu pai é Boatecu, minha irmã é Jueena, e eu sou Weena.
– Que interessante! Uma índia que eu tenho de cantar para dizer o nome: We-e-e-na.
Então, começou um grande amor e agora estamos casados há oito anos."
(transcrito do vídeo "Escuta Só: Ouvido Absoluto", 18:26–19:17)
https://blogdopg.blogspot.com/2014/12/escuta-so-ouvido-absoluto.html
https://blogdopg.blogspot.com/2015/04/hino-nacional-brasileiro-em-guarani.html

Fernando Batista
A viola foi um instrumento utilizado para a catequização dos indígenas pela Companhia de Jesus, em 1549. O som da viola, segundo alguns autores, despertava entre os silvícolas uma espécie de encantamento, facilitando a conversão ao cristianismo. Em 1929, em Paris, Heitor Villa-Lobos apresentou a primeira execução pública de seu poema sinfônico "Amazonas", após 59 anos do grande sucesso na Europa da ópera "O Guarani", de Antônio Carlos Gomes. Em seus espetáculos, os dois grandes músicos procuravam representar o universo indígena brasileiro para as plateias europeias.
Na Comunidade Indígena Amarelão, no Rio Grande do Norte, o Projeto Musical Irmã Therezinha Galles iniciava, desde 2004, crianças e adolescentes no estudo de flauta e violão. Foi nesse projeto que o jovem potiguara Fernando Batista conheceu a musicalidade, não da viola catequista mas da música erudita, com que se tornou um violonista da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/3288-comunidade-amarelao-tem-um-violonista-erudito

Vídeos
"Hora Staccato" - de Grigoras Dinicu [https://youtu.be/XwgVdsixnYI]
"Czardas" - de Victorio Monti [https://youtu.be/V9HIWGklegI]
"La Catedral" - de Agustín Barrios [https://youtu.be/h4djFzNF5_Q]

27 maio, 2018

LAS CUERDAS BREÑENSES. Músicas de filmes

JINETES EN EL CIELO (1)
LO BUENO,LO MALO Y LO FEO (2)
CAMINO A SAN FRANCISCO (3)
POPCORN (4)


GRAVADO EN LAS BREÑAS, CHACO, ARGENTINA

(1) "Riders in the sky" ("Cavaleiros do céu", no Brasil). O autor é Stan Jones, bombeiro florestal do Vale da Morte, que se inspirou a escrever a letra desta canção (1948) numa lembrança da infância. Um vaqueiro lhe contou que, nas noites tempestuosas, podia-se ver no céu uma movimentação de vacas do inferno conduzidas por cavaleiros fantasmas. Quanto à música da canção, tem uma longa história de plágios que inclui a "When Johnny comes marching house", uma canção do século 19 com a letra composta pelo irlandês Patrick Gilmour.
https://www.taringa.net/comunidades/taringamexico/7086637/Jinetes-en-el-Cielo-la-historia-detras-del-mito.html
(2) "O bom, o mau e o feio", do italiano Ennio Morricone. A música tema do filme "Três homens em conflito".
https://blogdopg.blogspot.com.br/2015/02/o-bom-o-mau-e-o-feio.html
(3) O autor de "Camino a San Francisco" é Hugo "Chichín" Coimbra Gutiérrez, de Santa Cruz de la Sierra, Bolivia.
http://www.bolivia.com/noticias/autonoticias/DetalleNoticia9319.asp
http://www.diarionorte.com/article/7170/las-cuerdas-brenenses-reconocidas-por-el-autor-de-camino-a-san-francisco
(4) "Popcorn" ("Palomitas de maiz", na Argentina). É uma música instrumental (pop, pop, pop, pop / pop, pop, pop, pop) composta em 1969 por Gershon Kingsley, que ficou famosa na década de 1970. Diz-se que um jovem ficou autista depois de escutá-la numa gravação de dez horas (rsrsrsrs).
A versão original: https://www.youtube.com/watch?v=NjxNnqTcHhg

15 junho, 2007

Bar NB

Encontro-me com alguém num elevador. É uma mulher, aí pelos 50 anos de idade, que abre um sorriso largo em minha direção, como a demonstrar que me conhece. Conhecemo-nos. É Natércia Benevides, que cantava na noite de Fortaleza nos anos 70 e 80. Não nos víamos há muito, muito tempo.
Já no saguão do edifício, lembro-me de lhe perguntar sobre Iara, outra cantora da época. Boa notícia. Natércia me assegura que a cantora negra está viva, aparentando gozar saúde. E até me dá as coordenadas do local em que Iara pode ser encontrada. Ficou esse lapso de informação quando escrevi sobre o Nick Bar (arquivo de maio, dia 13).
O encontro casual com Natércia trouxe-me à lembrança que esta cantora também já teve uma casa noturna no Mucuripe. Funcionou na sobreloja do edifício Marinho de Andrade, na avenida Beira-Mar (hoje avenida Presidente Kennedy). Com um nome de duplo sentido: NB. Que tanto podia significar Natércia Benevides quanto Nosso Botequim.
Além de proprietária, Natércia era a principal atração dessa casa noturna. Com a sua afinada voz, cujo timbre lembrava a de Gal Costa (de quem Natércia inclusive adotava uma parte do repertório), e a sua radiante presença em cena. Outros nomes também subiam ao pequeno palco do bar NB. Como a cantora Ana Fonteles (que gravou disco solo) e o violonista Lima que a acompanhava, o Borrão e o Cláudio Costa, este último um exímio violonista. Portanto, um time de instrumentistas para lá de encorajador ao boêmio que, depois de algumas libações, também desejasse soltar a voz.
Foram momentos bem agradáveis os que eu passei no NB. Um bar que a mó do tempo, impiedosamente, fez desaparecer de nossa cidade.


Ilustração: óleo sobre tela (sem título) de Di Cavalcanti, 1959
Fundo musical: Canta Brasil, de Alcyr Pires Vermelho e David Nasser, na voz de Gal Costa. Aqui.