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13 novembro, 2019

Na Feira

Os irmãos Fleischer eram conhecidos, em 1938, por seus desenhos do Super-Homem e do Popeye e por competirem com a Disney produzindo filmes de animação, como o "Viagens de Gulliver". Aqui, antes que o estúdio concorrente pudesse criar algo similar, eles pularam na frente com "All's Fair at the Fair".
Este filme é sobre um casal de velhos que vai para a nova Feira Mundial (de NY em 1939, possivelmente). É uma feira completamente insana em que máquinas e robôs fazem todos os tipos de coisas. É tudo muito bobo e encantador. Mais importante ainda é que o desenho animado mostra a grande esperança que as pessoas tinham na época com relação à Feira.


08 outubro, 2013

A primavera do livro brasileiro em Frankfurt

Mais de 70 autores, representando a literatura e a produção editorial brasileira, estarão presentes na Feira do Livro de Frankfurt, na Alemanha, a maior do mundo no gênero. No evento, de 9 a 13 de outubro, o Brasil será o país homenageado deste ano, como já havia ocorrido na edição de 1994. Trata-se de excelente oportunidade para ampliar as exportações de nosso setor editorial e as vendas externas de direitos autorais, no âmbito do consistente projeto de internacionalização que vem sendo empreendido nos últimos anos.
Há avanços nesse sentido: as exportações de direitos autorais evoluíram de US$ 495 mil, em 2010, para US$ 880 mil, em 2011, e 1,2 milhão, em 2012. Em apenas dois anos, o crescimento foi de 143 por cento. Nossa expectativa é que a Feira do Livro de Frankfurt gere muitas oportunidades de negócios para as editoras brasileiras, que terão alta visibilidade, considerando que o evento terá 8 mil expositores, de 111 países, e cerca de 300 mil visitantes. Tais perspectivas nos permitem projetar um crescimento de negócios de 3 a 7 por cento nos próximos 12 meses.
Para mostrar nossa cultura e nossos livros a esse imenso público, haverá uma exposição artística em um pavilhão de 2.500 metros quadrados. Haverá, ainda, um estande coletivo, de 700 metros quadrados, no qual 168 editoras irão expor seus livros. A participação brasileira é organizada pelos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, a Fundação Biblioteca Nacional (FBN), Fundação Nacional de Artes (Funarte), Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL).
Alemães e visitantes de todo o mundo perceberão melhor por que o Brasil já é o nono mercado editorial do planeta, segundo estudo da respeitada IPA (International Publishers Association — Associação Internacional de Editores de Livros). O setor apresentou faturamento de R$ 4,98 bilhões em 2012, quando foram vendidos cerca de 435 milhões de exemplares.
Desde agosto, a cidade alemã já está assistindo a uma programação cultural alusiva a nosso país, que terá seu clímax durante a feira. A intenção é dar grande destaque e potencializar ao máximo a participação brasileira no evento. Embora seja outono no Hemisfério Norte, vamos encantar o mundo com tropical primavera, a irresistível primavera do livro brasileiro!
Confira a programação, o perfil dos autores que virão a Frankfurt e outras novidades sobre a participação brasileira na Feira do Livro em: http://brazil13frankfurtbookfair.com/

20 outubro, 2012

Escrever é cortar palavras

por Armando Nogueira (1927-2010)
Escrever é cortar palavras. Passei alguns anos certo de que o autor dessa preciosa máxima era Carlos Drummond de Andrade. Até que um dia perguntei ao poeta. Ele conhecia, mas negou que fosse dele. Confesso que fiquei desapontado. A sentença tinha a cara do mestre Drummond, cuja prosa é um exemplo de concisão.
Otto Lara Resende desconfiava que pudesse ser de um escritor mexicano a ideia da dica preciosa. Eu, por mim, seria capaz de atribuí-la a John Ruskin, notável escritor e crítico inglês do século passado. Se não o disse, com todas as letras, certamente foi Ruskin quem melhor ilustrou o adágio, num conto antológico. É o caso de um feirante de peixes num porto britânico.
O homem chega à feira e lá encontra seu compadre, arrumando os peixes num imenso tabuleiro de madeira. Cumprimentam- se. O feirante está contente com o sucesso do seu modesto comércio. Entrou no negócio há poucos meses e já pôde até comprar um quadro-negro pra badalar seu produto.
Atrás do balcão, num quadro-negro, está a mensagem, escrita a giz, em letras caprichadas: HOJE VENDO PEIXE FRESCO. Pergunta, então, ao amigo e compadre:
- Você acrescentaria mais alguma coisa?
O compadre releu o anúncio. Discreto, elogiou a caligrafia. Como o outro insistisse, resolveu questionar. Perguntou ao feirante :
- Você já notou que todo o dia é sempre hoje? - E acrescentou: - Acho dispensável. Esta palavra está sobrando...
O feirante aceitou a ponderação: apagou o advérbio. O anúncio ficou mais enxuto. VENDO PEIXE FRESCO.
- Se o amigo me permite - tornou o visitante -, gostaria de saber se aqui nessa feira existe alguém dando peixe de graça. Que eu saiba, estamos numa feira. E feira é sinônimo de venda. Acho desnecessário o verbo. Se a banca fosse minha, sinceramente, eu apagaria o verbo.
O anúncio encurtou mais ainda: PEIXE FRESCO.
- Me diga uma coisa: Por que apregoar que o peixe é fresco? O que traz o freguês a uma feira, no cais do porto, é a certeza de que todo peixe, aqui, é fresco. Não há no mundo uma feira livre que venda peixe congelado...
E lá se foi também o adjetivo. Ficou o anúncio, reduzido a uma singela palavra: PEIXE.
Mas, por pouco tempo. O compadre pondera que não deixa de ser menosprezo à inteligência da clientela anunciar, em letras garrafais, que o produto aí exposto é peixe. Afinal, está na cara. Até mesmo um cego percebe, pelo cheiro, que o assunto, aqui, é pescado...
O substantivo foi apagado. O anúncio sumiu. O quadro-negro também. O feirante vendeu tudo. Não sobrou nem a sardinha do gato. E ainda aprendeu uma preciosa lição: escrever é cortar palavras.

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