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09 outubro, 2022

La Lune de Gorée

Fiz esta tirinha ouvindo uma obra-prima de Gilberto Gil: #LaLunedeGorée. @alvescomics

La lune qui se lève / Sur l'île de Gorée / C'est la même lune / Qui sur tout le monde se lève / Mais la lune de Gorée / A une couleur profonde / Qui n'existe pas du tout / Dans d'autres parts du monde / C'est la lune des esclaves / La lune de la douleur / Mais la peau qui se trouve / Sur les corps de Gorée / C'est la même peau qui couvre / Tous les hommes du monde / Mais la peau des esclaves / A une douleur profonde / Qui n'existe pas du tout / Chez d'autres hommes du monde / C'est la peau des esclaves / Un drapeau de Liberté. 

A lua que se ergue / Na ilha de Gorée / É a mesma lua / Que se ergue em todo o mundo / Mas a lua de Gorée / Tem uma cor profunda / Que não existe, não / Em outras partes do mundo / É a lua dos escravos / É a lua da dor / Mas a pele que há / Nos corpos de Gorée / É a mesma pele que cobre / Todos os homens do mundo / Mas a pele dos escravos / Tem uma dor profunda / Que não existe, não / Em outros homens do mundo / É a pele dos escravos / Um pendão da liberdade.

N. do T.
A Ilha de Goreia ou Île de Gorée localiza-se ao largo da costa do Senegal, em frente a Dacar, na África Ocidental. É considerada um símbolo do tráfico negreiro.

28 maio, 2020

Tristes "tigres"

Enquanto o Brasil discute uma forma de, finalmente, conseguir prover saneamento básico para toda a população, ressurge a memória de um capítulo não tão conhecido desse aspecto do país.
Durante o Brasil Império, o país era o maior território escravagista do Ocidente, com quase 5 milhões de africanos escravizados. Tal número representa cerca de 40% do total embarcado para as Américas.
Com a mão de obra escrava sendo utilizada em larga escala, foram os cativos apelidados de "tigres" os responsáveis pelo recolhimento e despejo da urina e fezes de muitos moradores das cidades durante cerca de 300 anos.
Nessa época, a maior parte das casas não contava com banheiros, água corrente ou algum outro tipo de instalação sanitária. Por isso, os moradores das antigas cidades faziam as necessidades em penicos e outros recipientes de metal ou porcelana.
Esses objetos ficavam sob as camas ou em armários até a manhã seguinte, quando eram esvaziados em grandes tonéis que comportavam todos os dejetos dos moradores da casa.
Parte do conteúdo, que continha ureia e amônia, vazava dos tonéis e deixava marcas brancas sobre a pele negra, parecidas com listras. Por essa reação química, as marcas se pareciam com as do animal — daí o apelido em tom pejorativo dos "tigres" ou "tigrados".
O cheiro dos tonéis, obviamente, não era agradável e fazia com que as pessoas não se aproximassem dos "tigres" enquanto os carregavam.


"A pele ficava listrada, com alternância de faixas pretas e outras descoloridas pela ação química dos dejetos. Por isso, esses escravos eram conhecidos como tigres", afirma o jornalista Laurentino Gomes, autor do livro "Escravidão", sobre o tema.

Ler mais:
Pereira, V. Quem eram os escravos 'tigres', marcantes na história do saneamento básico no Brasil, BBC News Brasil. Publicado em 30/11/2019. Acessado em 04/12/2019

Sem dizer água vai
Esta locução é antiga e sua explicação é conhecida. Ela é dos tempos em que não havia esgotos nas cidades. Os moradores lançavam normalmente a água usada pelas janelas, usando sempre o indispensável grito de alerta aos transeuntes: água vai!...
É compreensível a intolerância às pessoas que costumavam lançar seus dejetos à rua sem o costumeiro grito.
Com o sistema de esgotos, o velho costume desapareceu, mas a expressão sobreviveu com um significado bastante próximo do original.
Silva, PGCS. QUIMOEIROS, Preblog. Publicado em 06/03/2015

27 novembro, 2017

Os repugnantes anúncios relacionados a escravos

Abolida em 1888 e tendo contribuído para a queda do Império no ano seguinte, a escravidão foi o fato mais obscuro da história do Brasil em que índios e, principalmente, negros eram tratados como animais e sem qualquer direito civil. Pessoas vendiam, compravam e até alugavam escravos, em uma atividade que movimentava a economia brasileira no século 19.
Como se sabia quem vendia, quem comprava ou quem alugava? Como se reportava à fuga de escravos que, cansados de tanto sofrimento, fugiam de seus proprietários? Por meio de anúncios de jornal.
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Douglas Nascimento, do site São Paulo Antiga, fez uma seleção de 14 anúncios relacionados a escravos do jornal "Correio Paulistano", que foram veiculados entre os anos de 1857 e 1879. Considerados normais e corriqueiros naqueles tempos, os anúncios hoje causariam repulsa e indignação, confira-os.
Estes anúncios não podem ser esquecidos, pelo contrário. São provas documentais de um passado terrível da história do Brasil.

(matéria sugerida pelo colaborador Jaime Nogueira)