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04 fevereiro, 2020

Lacônicas - 4

A entrevista mais breve que já realizei foi com Renato Dulbecco, Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1975, por seu trabalho sobre oncovírus, que são vírus que podem causar câncer quando infectam células animais. Através de sua secretária, marcamos uma consulta. Quando cheguei a seu escritório, ele me conduziu para dentro, fechou a porta, sentou-se à sua mesa — e disse que não ia falar comigo. Assustado, mas respeitando-o, pelo menos por não ter imposto à sua secretária a tarefa da rejeição, eu disse algo sobre a importância de levar o trabalho científico para o público em geral. Dulbecco respondeu:
"Não fazemos ciência para o público em geral. Nós fazemos isso um para o outro. Bom dia".
(Agradeci a ele pela entrevista e saí, prometendo-me usá-la algum dia. Ele estava correto, é claro, embora incomumente sincero.)

— Horace Freeland Judson, The Sciences, novembro/dezembro de 1983. [Via FC]
"Eu não falo pouco. São os outros que falam muito."
— Luís Fernando Veríssimo, em entrevista a Drauzio Varella.

Da série "Lacônicas": 1, 2 e 3

01 setembro, 2009

Passando adiante

"Chegarei de surpresa dia 15, às duas da tarde, vôo 619 da VARIG." (Mengálvio, ex-meia do Santos, em telegrama à família quando em excursão à Europa)
"As pessoas querem que o Brasil vença e ganhe." (Dunga, em entrevista ao programa Terceiro Tempo)
"Eu, o Paulo Nunes e o Dinho vamos fazer uma dupla sertaneja." (Jardel, ex-atacante do Grêmio)
"O novo apelido do Aloísio é CB, Sangue Bom." (Souza, meio-campo do São Paulo, em uma entrevista ao Jogo Duro)
"A partir de agora o meu coração só tem uma cor: vermelho e preto." (Jogador Fabão, assim que chegou ao Flamengo)
"Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu." (Claudiomiro, ex-meia do Inter de Porto Alegre, ao chegar a Belém do Pará para disputar uma partida contra o Paysandu, pelo Brasileirão de 72)
"Nem que eu tivesse dois pulmões eu alcançava essa bola." (Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)
"No México é que é bom. Lá a gente recebe semanalmente de 15 em 15 dias." (Ferreira, ex-ponta esquerda do Santos)
"O meu clube estava a beira do precipício, mas tomou a decisão correta, deu um passo a frente." (João Pinto, jogador do Benfica de Portugal)
"Na Bahia é todo mundo muito simpático. É um povo muito hospitalar." (Zanata, baiano, ex-lateral do Fluminense, ao comentar sobre a hospitalidade do povo baiano)
"O Sócrates é invendável, inegociável e imprestável." (Vicente Matheus, ao recusar a oferta dos franceses)
Nelson Cunha (por e-mail)