Era uma vez um agricultor muito humilde, mas muito sábio, que trabalhava arduamente a terra de sol a sol junto com seu filho.
Um dia, o filho lhe disse: "Pai, uma desgraça aconteceu conosco, o cavalo desapareceu".
O pai respondeu: "por que você acha que é uma desgraça? Vamos ver o que o tempo traz."
Alguns dias depois, o cavalo voltou, acompanhado por outro cavalo. Então o filho disse: "pai, que sorte, nosso cavalo trouxe outro cavalo". O pai disse novamente "por que você acha que é sorte? Vamos ver o que o tempo traz".
Depois de alguns dias, o rapaz quis montar o cavalo recém-chegado e este, não acostumado ao cavaleiro, ficou furioso e o jogou no chão. E o jovem quebrou a perna.
O rapaz exclamou: "Pai, que desgraça, quebrei minha perna!" E o pai, com sua experiência e sabedoria, disse: "Por que você chama isso de desgraça? Vamos ver o que o tempo traz." O jovem não estava completamente convencido da filosofia do pai, mas recolheu-se em sua cama.
Alguns dias depois, os enviados do rei atravessaram a aldeia, procurando jovens para levá-los à guerra, chegaram à casa do camponês e viram o jovem com a perna quebrada, deixando-o e continuando o caminho.
O jovem entendeu então que, em muitas ocasiões o que parece um infortúnio é uma bênção disfarçada. Que sorte ou azar não são acontecimentos absolutos, e que é preciso ver o que o tempo traz.
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21 março, 2025
11 março, 2019
Nascido sob um signo ruim
Uma das consequências dos modelos cosmológicos de Copérnico, em 1543 (heliocentrismo), e Tycho, em 1588 (geoheliocentrismo), foi que os planetas internos, Mercúrio e Vênus, cruzariam ou transitariam, como dizem os astrônomos, na frente do Sol. Mas isso não ocorre em cada órbita, uma vez que as órbitas dos planetas são inclinadas em relação ao caminho aparente do Sol ao redor da Terra e que, por isso, tais trânsitos apenas são visíveis da Terra quando o planeta, a Terra e o Sol estão em posições propícias (alinhados). Para Vênus, isso ocorre em um padrão que se repete a cada 243 anos, com passagens aos pares separadas por oito anos.
Aqui entra o astrônomo francês Guilherme-Joseph-Hyacinthe-Jean-Baptiste Le Gentil de la Galazière (1725-1792). Ele foi escolhido pela Academia Francesa de Ciências para observar o trânsito de Vênus, em Pondicherry, na Índia. Ele navegou da França em 1760 e fez uma estada nas Maurícias, então conhecida como Ilha de França. Enquanto ele estava se preparando para navegar para Pondicherry, ele soube que esta tinha sido atacado e capturado pelos britânicos, então ele mudou seus planos e foi enviado em uma fragata francesa para Coromandel, apenas três meses antes do trânsito. No entanto, o capitão do navio ouvindo os desenvolvimentos da guerra com os britânicos voltou para as Maurícias, obrigando Le Gentil a observar o trânsito de Vênus a partir de um navio no mar e tornando suas observações cientificamente inúteis.
De volta às Maurícias, Le Gentil decidiu permanecer na Ásia por oito anos e observar o trânsito de 1769. Ele ocupou o tempo fazendo uma expedição para sua coleção de história natural do Oceano Índico. Em 1766, ele decidiu fazer suas observações em Manila, nas Filipinas, e partiu de navio para seu novo destino. Nas Filipinas, ele mudou de ideia novamente e decidiu voltar para Pondicherry. Sua decisão baseou-se em dois fatores: uma atitude hostil do governador espanhol das Filipinas e um pedido da Academia de Ciência em França para fazer suas observações na Índia.
Depois de várias aventuras pelo mar, chegou a tempo para o trânsito em Pondicherry. Ele foi tratado com respeito pelas autoridades britânicas que até lhe forneceram um novo telescópio de alta qualidade e ele montou seu equipamento para o excelente dia. Os dias que antecederam o trânsito foram perfeitos para observar, no entanto, no dia do trânsito, os céus foram cobertos por nuvens, fazendo todas as tentativas de observação impossíveis. O desapontamento de Le Gentil só se aprofundou ao descobrir que o tempo em Manila tinha sido perfeito para observar o trânsito.
Cansado, doente e desmoralizado, Le Gentil decidiu voltar para a França, chegando às Maurícias em 1770, muito doente para prosseguir a viagem. O infortúnio o levou à beira da insanidade mas, no final do ano, ele se recuperou para navegar para a França. Um furacão no Cabo da Boa Esperança obrigou seu navio a retornar para as Maurícias, onde ele aportou em 1771.
Le Gentil teve dificuldades em encontrar outro navio preparado para levá-lo de volta à Europa. Finalmente, um capitão espanhol concordou em levá-lo e, depois de mais aventuras marítimas, ele chegou a Cádiz, de onde passou por terra para a França, atravessando os Pirineus e chegando a Paris no dia 8 de outubro de 1771.
Durante sua ausência, Le Gentil foi presumido morto e seus herdeiros e credores já haviam dividido suas propriedades, e a Academia de Ciências havia atribuído sua posição a outra pessoa. Com a ajuda do rei, Le Gentil conseguiu recuperá-la. e, mais adiante, casou-se e teve uma filha para confortá-lo na velhice. O seu último desapontamento foi a perda de seus espécimes de história natural que haviam desaparecido no navio que o havia levado de volta às Maurícias por causa da tempestade, em sua primeira tentativa de voltar para casa. Se alguma vez um astrônomo nasceu sob um signo ruim, ele foi Guillaume Joseph Hyacinthe Jean-Baptiste Le Gentil de la Galaisière.
Extraído de: Born under a bad sign, The Renaissance Mathemticus
http://www.astronomy.ohio-state.edu/~pogge/Ast161/Unit4/venussun.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Le_Gentil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A2nsito_de_V%C3%AAnus
Aqui entra o astrônomo francês Guilherme-Joseph-Hyacinthe-Jean-Baptiste Le Gentil de la Galazière (1725-1792). Ele foi escolhido pela Academia Francesa de Ciências para observar o trânsito de Vênus, em Pondicherry, na Índia. Ele navegou da França em 1760 e fez uma estada nas Maurícias, então conhecida como Ilha de França. Enquanto ele estava se preparando para navegar para Pondicherry, ele soube que esta tinha sido atacado e capturado pelos britânicos, então ele mudou seus planos e foi enviado em uma fragata francesa para Coromandel, apenas três meses antes do trânsito. No entanto, o capitão do navio ouvindo os desenvolvimentos da guerra com os britânicos voltou para as Maurícias, obrigando Le Gentil a observar o trânsito de Vênus a partir de um navio no mar e tornando suas observações cientificamente inúteis.
De volta às Maurícias, Le Gentil decidiu permanecer na Ásia por oito anos e observar o trânsito de 1769. Ele ocupou o tempo fazendo uma expedição para sua coleção de história natural do Oceano Índico. Em 1766, ele decidiu fazer suas observações em Manila, nas Filipinas, e partiu de navio para seu novo destino. Nas Filipinas, ele mudou de ideia novamente e decidiu voltar para Pondicherry. Sua decisão baseou-se em dois fatores: uma atitude hostil do governador espanhol das Filipinas e um pedido da Academia de Ciência em França para fazer suas observações na Índia.
Depois de várias aventuras pelo mar, chegou a tempo para o trânsito em Pondicherry. Ele foi tratado com respeito pelas autoridades britânicas que até lhe forneceram um novo telescópio de alta qualidade e ele montou seu equipamento para o excelente dia. Os dias que antecederam o trânsito foram perfeitos para observar, no entanto, no dia do trânsito, os céus foram cobertos por nuvens, fazendo todas as tentativas de observação impossíveis. O desapontamento de Le Gentil só se aprofundou ao descobrir que o tempo em Manila tinha sido perfeito para observar o trânsito.
Cansado, doente e desmoralizado, Le Gentil decidiu voltar para a França, chegando às Maurícias em 1770, muito doente para prosseguir a viagem. O infortúnio o levou à beira da insanidade mas, no final do ano, ele se recuperou para navegar para a França. Um furacão no Cabo da Boa Esperança obrigou seu navio a retornar para as Maurícias, onde ele aportou em 1771.
Le Gentil teve dificuldades em encontrar outro navio preparado para levá-lo de volta à Europa. Finalmente, um capitão espanhol concordou em levá-lo e, depois de mais aventuras marítimas, ele chegou a Cádiz, de onde passou por terra para a França, atravessando os Pirineus e chegando a Paris no dia 8 de outubro de 1771.
Durante sua ausência, Le Gentil foi presumido morto e seus herdeiros e credores já haviam dividido suas propriedades, e a Academia de Ciências havia atribuído sua posição a outra pessoa. Com a ajuda do rei, Le Gentil conseguiu recuperá-la. e, mais adiante, casou-se e teve uma filha para confortá-lo na velhice. O seu último desapontamento foi a perda de seus espécimes de história natural que haviam desaparecido no navio que o havia levado de volta às Maurícias por causa da tempestade, em sua primeira tentativa de voltar para casa. Se alguma vez um astrônomo nasceu sob um signo ruim, ele foi Guillaume Joseph Hyacinthe Jean-Baptiste Le Gentil de la Galaisière.
Extraído de: Born under a bad sign, The Renaissance Mathemticus
http://www.astronomy.ohio-state.edu/~pogge/Ast161/Unit4/venussun.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guillaume_Le_Gentil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tr%C3%A2nsito_de_V%C3%AAnus
10 julho, 2016
Além de queda, coice e tal
O jóquei irlandês Chris Meehan estava disputando uma prova hípica com obstáculos em Merano, Itália, quando seu cavalo o derrubou, e ele foi chutado no rosto ao cair. Com isso, ele quebrou o nariz e ficou sangrando na mandíbula.Is this the unluckiest jockey in Ireland?— Today FM (@todayfm) 5 de julho de 2016
Chris Meehan told Anton his incredible story!https://t.co/YQ7M28wOO0 pic.twitter.com/ecUZVuHdcA
Mas a ajuda estava a caminho!
Ei-la: uma ambulância do hipódromo que parou exatamente sobre uma de suas pernas, quebrando-a.
"Eu comecei a gritar. É ruim o suficiente estar com a mandíbula quebrada e ainda por cima ter de aguentar o peso de uma ambulância sobre a perna."Meehan foi levado de volta à Irlanda para uma dupla cirurgia. Ele não será capaz de andar novamente por pelo menos dois meses.
06 outubro, 2015
A aversão ao risco
por Alvy, Microsiervos
A aversão ao risco é a forma como economistas, matemáticos e psicólogos explicam um fenômeno muito comum que, de certo modo, desafia a lógica. É mais ou menos assim: quando atuamos em economia ou em jogos de azar, tendemos a evitar as situações de risco, ainda que os benefícios previstos possam ser maiores do que as perdas, inclusive em longo prazo.Derek, de Veritasium, explica isso com um exemplo simples: com o jogo de cara e coroa.
Quase ninguém aceita pagar 10 dólares ao perder, ainda que receba 12 dólares ao ganhar, não obstante a margem de benefício ser de 20 por cento.
Os psicólogos acreditam que, de fato, o sofrimento da perda supera a alegria do ganho.
Somente quando a aposta alcança um valor entre 30 e 50 dólares por jogo ganho, frente a 10 dólares por jogo perdido (o que já dá uma margem de benefício entre 300 e 500 por cento), é que a maioria das pessoas aceita apostar.
La gente simplemente no quiere perder y ni siquiera prometerles que pueden jugar muchas veces para que el efecto sea más palpable sirve de nada.
O paradoxo dentro do paradoxo
Apesar dessa singular aversão ao risco, aqui temos o paradoxo dentro do paradoxo. Quase todo mundo parece aceitar fórmulas seguras de perder como nas loterias, cassinos e sobretudo na Lotería de Navidad.
13 junho, 2014
Sexta-feira 13 é mais comum do que você pensa
Nick Berry diz que o 13º dia do mês é mais provável acontecer numa sexta-feira do que em qualquer outro dia da semana.
O gráfico abaixo mostra a frequência deste fenômeno nos últimos 400 anos.
Como pode ser isso?
Em um show de aritmética e astronomia, Nick Berry explica por que se dá essa afinidade do dia 13 (e dos dias 6, 20 e 27) com a sexta-feira.
Mas para ver como é a explicação, você tem de ir ao site DataGenetics.
Quanto ao 13, não há nada de azarado com ele, é apenas um número.
E as pessoas não sofrem de má sorte durante o dia 13. Sofrem de um termo descrito pelos psicólogos como amnésia seletiva.
O que isto significa?
Que as pessoas só se lembram dos eventos que correspondem e reforçam suas crenças. Por outro lado, seus cérebros ignoram ou desfocam os eventos que conflitam com elas.
Curiosidade - O calendário gregoriano foi, na verdade, proposto por Aloysius Lilius, um médico de Nápoles.
"A ciência é a maneira de entender a realidade com a mínima crença." - Jorge Vagensberg
O gráfico abaixo mostra a frequência deste fenômeno nos últimos 400 anos.
Como pode ser isso?
Em um show de aritmética e astronomia, Nick Berry explica por que se dá essa afinidade do dia 13 (e dos dias 6, 20 e 27) com a sexta-feira.
Mas para ver como é a explicação, você tem de ir ao site DataGenetics.
Quanto ao 13, não há nada de azarado com ele, é apenas um número.
E as pessoas não sofrem de má sorte durante o dia 13. Sofrem de um termo descrito pelos psicólogos como amnésia seletiva.
O que isto significa?
Que as pessoas só se lembram dos eventos que correspondem e reforçam suas crenças. Por outro lado, seus cérebros ignoram ou desfocam os eventos que conflitam com elas.
Curiosidade - O calendário gregoriano foi, na verdade, proposto por Aloysius Lilius, um médico de Nápoles.
"A ciência é a maneira de entender a realidade com a mínima crença." - Jorge Vagensberg
13 janeiro, 2012
08 março, 2010
O cúmulo do azar
Para a imaginação popular é... cair de costas e quebrar o nariz. Mas será que essa absurda conjugação de fatos pode realmente acontecer a alguém?

Bem, leia o relato a seguir e tire suas conclusões.

"Há uma locução proverbial, que eu literalmente realizei. Era em Corumbá: tinha sete para oito anos, embalava-me na rede, à hora da sesta, em um quartinho de telha-vã; a rede, ou por estar frouxa a argola, ou por um impulso demasiado violento da minha parte, desprendeu-se de uma das paredes e deu comigo no chão. Caí de costas; mas assim mesmo de costas quebrei o nariz, porque um pedaço de telha, mal seguro, que só esperava ocasião de vir abaixo, aproveitou a comoção e caiu também."
Saiba porém que essa história não foi contada por alguém de carne e osso. Relatou-a o autodeclarado "mais caipora de todos os homens", o desafortunado Sr. Matias Deodato de Castro e Melo, personagem suicida do conto Último Capítulo, de Machado de Assis.
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