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13 julho, 2019

Corpo e Alma

Fernando Gurgel Filho
Dostoiévski, no livro "Os Irmãos Karamázov", intuía a unicidade do Universo, ou seja, que tudo que existe se interliga, por fazer parte de uma coisa só, dizendo: "...tudo se derrama e comunica, toca-se num lugar e isto repercute na outra extremidade do mundo".
Estudos científicos, que desaguaram na Teoria do Caos, vieram confirmar a intuição de Dostoiévski. Edward Lorenz, um dos expoentes da Teoria do Caos, dizia praticamente a mesma coisa: "O bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo..."
A única diferença de ambas as frases é o século em que foram ditas. "Os Irmãos Karamázov" foi lançado em 1880 e a frase de Lorenz é do início dos anos 60. Ou seja, passaram-se 80 anos para que a intuição de Dostoiévski fosse considerada dentro do arcabouço de Leis que regem o Universo.
Dostoiévski ia além, dizendo, no mesmo livro citado, que todos eram responsáveis por tudo e por todos, intuindo que qualquer ação humana, principalmente, traria consequências para todos os outros seres vivos.
Mas sua religiosidade não permitia que visse a unicidade do próprio ser humano, fazendo distinção entre "corpo" e "alma" como se existisse essa dicotomia. Ora, hoje sabemos que, o que chamamos de Alma, nada mais é que o resultado de processos do Corpo ao ser afetado pelas coisas que o cerca, como diria Spinoza.
Então, creio eu, que o grande mal da cultura ocidental ainda está na crença de que possa existir uma Alma e um Corpo como entidades distintas e que estas algum dia possam existir de forma independente. Na morte, por exemplo, como acreditam os religiosos.
Esta crença, entretanto, não causaria nenhum mal à humanidade se não fosse o fato de que a medicina findou por se bipartir em medicina do Corpo e em medicina da Alma, quando o ser humano deveria ser estudado e tratado como a unicidade que é. Assim, para mantermos a saúde física e mental, bem como para tratarmos de ambas, deveríamos sempre atentar para o que está afetando os nossos sentidos, refletindo nos nossos sentimentos e, portanto, no nosso corpo.
Os profissionais da saúde, principalmente os médicos, deveriam ter, em primeiro lugar, ou antes, em primeirísso lugar, uma formação que incluísse o entendimento das causas efetivas das doenças, ou seja, deveriam ser bons conhecedores da psiquê humana para entenderem que a maioria dos problemas físicos nada mais são do que reflexos de problemas do dia a dia que estão a afetar o paciente.
A medicina psicossomática tem caminhado neste sentido, mas, em minha opinião, ainda de forma tímida, porque não considera a unicidade do ser humano como o padrão a ser estudado, entendendo que apenas alguns fatores podem provocar alterações que resultam no que chamamos de doença. Porém, ao atentarmos para a unicidade do ser humano, creio que a medicina psicossomática deveria ser o padrão de estudos de todos os que trabalham com a área de saúde e bem-estar, principalmente na área das Ciências Médicas.

N. do E.
🙏Senhor, pode me dar 10 minutos do seu tempo? É para UM CAFÉ LÁ EM CASA.
Endereço - Body and Soul, Canal de Nelson Farias no YouTube, com Nelson Faria e Alexandre Carvalho.

18 setembro, 2017

A psicostasia e outras pesagens

Psicostasia: avaliação, julgamento simbólico ou pesagem da alma depois da morte.
Para os antigos egípcios, depois da morte a alma era levada perante o trono de Osíris. Anúbis, o deus chacal, colocava em um dos pratos de uma balança o coração do falecido. No outro prato, Maat, definida como a deusa da justiça, colocava a Pena da Verdade. Se o o coração fosse mais leve do que a pluma, o resultado era favorável ao morto, e sua alma era recebida no paraíso onde gozaria da vida eterna. Caso contrário, ele era imediatamente devorado pelo terrível monstro Ammit (um híbrido de crocodilo, hipopótamo e leão) e morria para sempre.
O cristianismo recolheu - provavelmente através dos coptas - a noção da psicostasia, com algumas modificações. No momento da morte, a alma é levada para o julgamento divino. O gerente de pesagem das almas, neste caso, é o Arcanjo Miguel, que também dispõe de uma balança de pratos. Num deles, as boas ações que o falecido tenha praticado durante a vida são colocadas. No outro prato, as más obras que obviamente contrariam a bondade. O diabo assiste ao julgamento e, se o resultado for negativo, ele leva a alma para o inferno.
Teoricamente, cabe ao diabo simplesmente assistir à pesagem e aguardar o veredito. Mas, como ele é um contumaz batoteiro (trapaceiro), é preciso estar atento a todos seus movimentos.


A balança de dois pratos
Uma balança de dois pratos é aquela onde se colocam pesos (confeccionados geralmente de metal) e no outro lado se coloca o que se deseja pesar. É possível também colocar os pesos nos dois pratos. Para valores inteiros, é possível representar os números usando-se pesos cujos valores são potências de 3, de 1 até 3 n .
Por exemplo, usando-se os pesos de 1 (= 30), 3 e 32  (apenas um peso de cada valor!), é possível representar os valores inteiros de 1 até 13 (as somas correspondem aos pesos colocados no mesmo prato da balança que o objeto a ser pesado, enquanto as diferenças são os contrapesos, ou seja, os pesos colocados no outro prato).
Assim:
NúmeroRepresentação
11
23-1
33
43+1
59-(3+1)
69-3
79-3+1
89-1
99
109+1
119+3-1
129+3
139+3+1