https://twitter.com/historia_pensar/status/1628132659066023936
Pintura a óleo sobre madeira produzida em 1559 por Pieter Bruegel, o Velho, mestre do Renascimento flamengo. A obra representa uma disputa simbólica entre o hedonismo e os prazeres mundanos e a abnegação e a observância religiosa. É apresentada como um panorama imaginário algo caótico, formado por um conjunto de cenas fragmentadas, e não por uma narrativa linear. A ação se desenvolve na praça central de uma cidade não especificada da Holanda, onde mais de 200 personagens se reúnem.
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14 fevereiro, 2024
22 fevereiro, 2023
O castor, por ocasião da Quaresma
Para grandes males, grandes remédios. Houve um tempo em que, durante a Quaresma, não se podia comer carne de castor na América. Era um problema. Mas a Igreja Católica não hesitou em fornecer uma solução rápida.
Sim, mais do que com o castor, também com o maior roedor do mundo: a capivara.
Estima-se que, do México ao Canadá, entre 40 e 600 milhões de castores viveram sua idade de ouro. No entanto, a chegada de colonos europeus desencadeou uma intensa motivação para caçá-los, com o objetivo de obter sua carne, suas peles e as secreções de suas glândulas anais. Esta substância , conhecida como castóreo, tem sido historicamente muito útil, inicialmente para fins curativos e depois como aditivo em perfumes e alimentos (notadamente para dar o sabor de baunilha na indústria alimentícia).
Infelizmente, essa matança reduziu marcadamente as populações de castores, levando-os à quase extinção. Atualmente, as estratégias de conservação aumentaram um pouco o número, mas apenas até 12 milhões.
A chegada de colonos europeus não só trouxe a caça de castores para a América. Também trouxe a religião católica. E muitos indígenas de diferentes partes do continente acabaram se convertendo, adotando novos costumes.
O problema é que alguns deles eram mais difíceis. Por exemplo, no período da Quaresma, quando comer carne era proibido, os paroquianos canadenses tiveram muita dificuldade ao não poder recorrer à carne requintada do castor. Tal foi a decepção, que o bispo de Quebec acabou consultando seus superiores se algo poderia ser feito a respeito.
E estes não hesitaram. Tendo uma cauda escamosa e passando parte de sua vida na água, decidiram então classificá-lo como um peixe.
Como resultado, os paroquianos católicos puderam continuar desfrutando dessa iguaria durante a Quaresma. E também da carne da capivara. Este é um animal conhecido por ser o maior roedor do mundo, típico da América do Sul.
Nesta parte do continente americano, portanto, foi a esse falso peixe que os fiéis passaram a recorrer para aplacar suas consciências.
Extraído de: https://hipertextual.com/2021/05/castor-cuaresma
Relacionada com: https://blogdopg.blogspot.com/2017/03/o-roedor-gigante-que-tem-gosto-de-peixe.html
- Nada e vive na água?Na verdade, essa não é uma reprodução fiel das palavras que foram ditas. É mais uma dramatização, porém deve ter sido algo assim. Aconteceu no século XVII, em Quebec, Canadá, embora a resolução tenha se espalhado por toda a América e até acabou se tornando uma tradição nesta parte do mundo.
- Sim.
- Bem, então não é carne, é peixe. Vá com Deus.
Sim, mais do que com o castor, também com o maior roedor do mundo: a capivara.
Estima-se que, do México ao Canadá, entre 40 e 600 milhões de castores viveram sua idade de ouro. No entanto, a chegada de colonos europeus desencadeou uma intensa motivação para caçá-los, com o objetivo de obter sua carne, suas peles e as secreções de suas glândulas anais. Esta substância , conhecida como castóreo, tem sido historicamente muito útil, inicialmente para fins curativos e depois como aditivo em perfumes e alimentos (notadamente para dar o sabor de baunilha na indústria alimentícia).
Infelizmente, essa matança reduziu marcadamente as populações de castores, levando-os à quase extinção. Atualmente, as estratégias de conservação aumentaram um pouco o número, mas apenas até 12 milhões.
A chegada de colonos europeus não só trouxe a caça de castores para a América. Também trouxe a religião católica. E muitos indígenas de diferentes partes do continente acabaram se convertendo, adotando novos costumes.
O problema é que alguns deles eram mais difíceis. Por exemplo, no período da Quaresma, quando comer carne era proibido, os paroquianos canadenses tiveram muita dificuldade ao não poder recorrer à carne requintada do castor. Tal foi a decepção, que o bispo de Quebec acabou consultando seus superiores se algo poderia ser feito a respeito.
E estes não hesitaram. Tendo uma cauda escamosa e passando parte de sua vida na água, decidiram então classificá-lo como um peixe.
Como resultado, os paroquianos católicos puderam continuar desfrutando dessa iguaria durante a Quaresma. E também da carne da capivara. Este é um animal conhecido por ser o maior roedor do mundo, típico da América do Sul.
Nesta parte do continente americano, portanto, foi a esse falso peixe que os fiéis passaram a recorrer para aplacar suas consciências.
Extraído de: https://hipertextual.com/2021/05/castor-cuaresma
Relacionada com: https://blogdopg.blogspot.com/2017/03/o-roedor-gigante-que-tem-gosto-de-peixe.html
10 março, 2017
O roedor gigante que tem gosto de peixe e outras obscuras delícias da Quaresma
por Mary Rezac, da CNA
Quando se trata de jejum, nós, católicos não temos muito a reclamar. Nós jejuamos, mas ainda podendo ter uma refeição maior e duas refeições menores. Nós não podemos comer carne às sextas-feiras, mas podemos comer peixe.A Igreja, por sua vez, tem sido muito complacente para decidir entre o que é o peixe e o que é não-peixe.
Aqui estão alguns alimentos obscuros que talvez você não saiba que foram autorizados para o seu menu das sextas-feiras da Quaresma:
Capivara
Este roedor gigante sul-americano (o maior roedor do mundo) ainda é considerado um "peixe" para fim de Quaresma. Quando os colonizadores espanhóis começaram a catequizar os sul-americanos, eles não tinham certeza se podiam permitir que comessem este roedor gigante durante a Quaresma. Eles escreveram a Roma (ou, possivelmente, até mesmo enviaram o Padre Sojo, um sacerdote venezuelano famoso), descrevendo o roedor que gastava uma quantidade significativa de tempo na água e ainda tinha um sabor salgado que nem peixe. A bula papal foi emitida, permitindo o consumo da capivara em toda a Quaresma, uma permissão que ainda continua em vigor na Venezuela e em outros países da América do Sul.
"É delicioso", disse um dono de restaurante ao New York Sun, em 2005. "Eu sei que é um rato, mas o gosto é muito bom."
Iguana
Na Nicarágua, a sopa da cauda de iguana é um prato popular na Quaresma.
"É realmente saboroso. É um prato tradicional ", disse Manuel Zamora, ao Huffington Post, em 2013, entrevistado quando comprava duas iguanas em um mercado. A popular sopa de iguana é feita com carne de iguana, ovos, farinha de milho torrada e legumes. Outra sopa chamada Levanta Muerto, que pode ser traduzido como "Levanta-Defunto", consiste de carne da iguana preta espinhosa, cérebro, medula óssea, testículos de touro e, em alguns casos, mariscos.
Embora muitas pessoas não incluam os répteis em suas refeições da Quaresma, elas são permitidas, porque são animais "de sangue frio".
Castor
A América do Norte aparentemente foi o lar dos castores - com os 400 milhões de castores que nadavam em seus córregos e rios. Quando os colonos europeus aqui chegaram, os cintos e a gordura de castor logo viraram, digamos, uma hot commodity, e a população de castores diminuiu rapidamente. A carne de castor também era especialmente popular entre os nativos norte-americanos. Em um dilema semelhante ao dos seus homólogos da Venezuela, o Bispo de Quebec, no século 17, perguntou a seus superiores se o castor poderia ser considerado um peixe para a Quaresma, uma vez que passava tanto tempo na água. Apesar de não estar claro se essa tolerância vale para hoje, o castor ainda é um prato popular em algumas áreas da América do Norte, mesmo durante a Quaresma.
Rato-almiscarado
Como seu parente roedor semi-aquático, o castor, o rato-almiscarado também tem sido uma carne quaresmal popular em certas partes da América do Norte. Em particular, nas cidades ao sul de Detroit em que é o prato preferido para as sextas-feiras da Quaresma. A origem da dispensação do rato almiscarado é amplamente debatida - alguns dizem que veio do papa durante a guerra de 1812, outros acreditam que um arcebispo a concedeu durante a Grande Depressão, na década de 1930. Seja qual for a história, sua popularidade tem-se mantido forte.
"É uma tradição oral de muitas gerações", diz Yvonne Lockwood, um pesquisador da Universidade de Michigan, ao New York Times. " E mesmo que não haja qualquer documento para provar, as pessoas continuam a acreditar e, por isso, o costume se mantém."
Em 2002, a Arquidiocese de Detroit reiterou oficialmente a dispensa da obrigação, dizendo que "Há uma antiga permissão, que remonta às nossas origens missionárias em 1700, para permitir o consumo de rato almiscarado em dias de abstinência, incluindo as sextas-feiras da Quaresma".
O bispo Kenneth Povish, de Lansing, descreveu a prática como "um costume imemorial", dizendo que "qualquer um que coma o rato almiscarado estaria fazendo uma penitência digna dos maiores santos".
Jacaré
A carne de jacaré é especialmente popular em Nova Orleans, Louisiana. É por isso que Jim Piculas, um criador de jacaré, escreveu ao Arcebispo de Nova Orleans em 2010, para perguntar se era permitido comer jacaré nas sextas-feiras da Quaresma. A resposta (que, no caso, foi afirmativa) se tornou viral em 2013, quando Piculas postou uma foto da carta na internet.
"Em relação à pergunta se seria aceitável comer jacaré durante o tempo da Quaresma... Sim, o jacaré é considerada da família dos peixes", escreveu na carta o arcebispo Gregory M. Aymond. Aproveitando ainda para concordar com o paroquiano sobre "a importância dessa magnífica criatura para o estado da Louisiana".
Arau
Este adorável pequeno pássaro do mar foi uma vez centro de muito debate no norte da França. De acordo com o livro "Food and Faith in Christian Culture", um padre local informou ao arcebispo de Rouen que os monges de um mosteiro beneditino nas proximidades tinham consumido carne-do-mar durante a Quaresma, em 1698. O arcebispo emitiu uma resposta "rápida e inequívoca", para ser lida em todas as paróquias, enquadrando o papagaio-do-mar como um prato sujeito a jejum. Mas os monges não ficaram satisfeitos e recrutaram médicos de uma faculdade local para ajudá-los a compilar evidências de que o papagaio-do-mar era de fato mais peixe do que ave. As conclusões da investigação, apresentadas ao arcebispo em uma reunião de clérigos, convenceram-no a reverter sua decisão. Não está claro, porém, se esta dispensa de obrigação ainda continua de pé.
The giant Venezuelan rodent that tastes like fish, and other obscure Lenten delicacies, Catholic News Agency. Tradução: PGCS
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