27 abril, 2026

O Cão da Itaoca

Você já ouviu falar do Cão da Itaoca?
Pois bem. No início da década de 1940, quando a noite caía na Rua Romeu Martins, era melhor ficar dentro de casa porque ele aparecia. Era um capeta cheio de atitudes e com olhos de fogo, que se instalou na casa de um oficial da Força Pública.
Os jornais relataram que, na residência do tenente João Lima,  foram registradas "cenas impressionantes, cuja significação exterior recorda a atividade de entes invisíveis".  Na casa, um santuário foi lançado à distância, espatifando-se; houve uma "queda teatral do fogão da cozinha"; uma "dança dos talheres", pois os utensílios da cozinha voaram pelos ares; os pratos tiniam; panelas desciam do fogão e rolavam pelo chão; um vaso se ergueu e foi-se alojar no quintal; e uma toalha passou a voar "como um tapete mágico". 
Entre 20 e 22 de março de 1941, o caso foi noticiado nos principais jornais da cidade: Gazeta de Notícias, O Povo, O Nordeste, Unitário e Correio do Ceará, além da Ceará Rádio Clube (PRE-9), a primeira e então única rádio de Fortaleza. Devido à repercussão dos fenômenos na capital cearense, a casa de João Lima foi visitada pela Federação Espírita e mobilizou a Delegacia de Investigações e Capturas, na tentativa de solucionar o caso.
Um dia, seja lá quem estivesse por trás daqueles fenômenos de poltergeist, ele parou de praticá-los. E a inércia voltou aos objetos da casa da Romeu Martins.
Entre um café coado e um sinal da cruz, as pessoas ficaram a se perguntar sobre o que aconteceu com o Cão da Itaoca para ele encerrar a sua atuação local. 
Aplacado pelo tempo? Incomodado pelas rezas das beatas, que não foram poucas? Ou por que  tinha concluído seu grande intento, que era colocar Itaoca no mapa da cidade?
Más-línguas, porém, garantiram que ele se mandou mesmo foi por medo. Dos catimbozeiros do lugar.

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