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09 maio, 2025

Ave, conclave

O conclave, um dos ritos mais antigos da Igreja Católica, é cercado de mistérios. Muitos se perguntam como funciona o processo da escolha de um novo Papa, a origem do termo, quais os conclaves mais longo e mais curto, e até mesmo quem veste o novo Santo Padre após a eleição.
Por que conclave?
O termo vem do latim "cum clave" (com chave), porque os cardeais são literalmente trancados dentro da Capela Sistina até que um novo Papa seja eleito, para evitar interferências externas. Durante esse período, os cardeais não têm qualquer contato com o mundo externo. Ficam sem rádio, sem TV, sem internet e sem notícias da terra civilizada.
O mais curto, o mais longo
O conclave mais curto aconteceu em 1503, durando apenas algumas horas. Quem se elegeu foi o Papa Júlio II. 
A título de comparação, os quatro últimos conclaves duraram poucos dias: três para o Papa João Paulo II (1978), e dois para os Papas Bento XVI (2005), Francisco (2013) e Leão XIV (2025), respectivamente.
Já o conclave mais longo durou 2 anos e 10 meses (de 29 de novembro de 1268 a 1.º de setembro de 1271), resultando na eleição do Papa Gregório X.
A demora se deu por divisões políticas entre cardeais franceses e italianos. Nenhum dos lados conseguia alcançar os dois terços necessários para eleger o papa. 
Então, foi necessário que os cardeais fossem: 1) trancados a chave no Palácio Episcopal de Viterbo (sede do papado no século XIII); 2) expostos ao frio pela remoção do teto do edifício; e 3) submetidos a severo racionamento de comida - tudo isso para acelerar a decisão final dos príncipes da Igreja. (PGCS)
Fumo nero vs fumo bianco

18 outubro, 2010

Fumaça no outdoor

Para divulgar seus serviços de atendimento médico de emergência, uma empresa dos EUA instalou um outdoor que mostrava um acidente de carro. De um dos veículos saía fumaça de verdade, gerada por uma máquina atrás do outdoor. A agência de publicidade garante que a ação funcionou, atraindo vários consumidores para o site da anunciante. Mas atraiu também os bombeiros que, depois de várias ligaçoes para o 911, decidiram acabar com a brincadeira.

17 junho, 2010

A falência de uma "cidade"


Nelson José Cunha, oftalmologista em João Monlevade - MG

Não há forma mais efetiva de divulgação científica do que fazer analogias. Aqui farei uma. Compare seu corpo a uma cidade com infinidade de ruas que levam a lojas, escolas, oficinas, restaurantes, hospitais, quartéis etc. Imagine um estreitamento delas por veículos estacionados em fila dupla. De repente, uma quadrilha se apossa de um edifício e começa o assaltá-lo.
É o caos, mas pode ser uma invasão bacteriana.
O quartel é avisado, mas a polícia não chega a tempo. Feridos graves ficam sem atendimento porque a ambulância não comparece. A quadrilha sente-se estimulada a praticar assaltos repetidos e o ataque se espalha incontrolavelmente.
É o caos, mas pode ser uma infecção num corpo indefeso.
Vejam agora o restaurante. Cheio de clientes famintos, mas as cozinheiras não chegaram ainda. O supermercado não entregou os cereais, os canos estouraram, falta água e a energia elétrica é claudicante. O esgoto está entupido e o lixo se acumula.
É o caos, mas pode ser o olho de um diabético.
Chegam a essa “cidade” dez mil caminhões carregados de cigarros, doces, lingüiças e biscoitos que vêm atender ao “stress” da população angustiada com tantos problemas. Os caminhões entopem de vez as ruas restantes.
É o caos, mas pode ser o corpo de um fumante, hipertenso ou diabético.
A população aflita começa a queimar os cigarros, a fumaça polui ainda mais o ambiente, o oxigênio vai rareando e as janelas das casas vão se abrindo, mas é pouco. Tudo é muito sufocante. As paredes enfraquecidas são arrombadas por falta de manutenção. As casas e apartamentos vão ficando irreconhecíveis, tal o número de buracos. É a ruína total.
É o caos, mas pode ser o pulmão de um fumante.
A tragédia em uma cidade assim não estaria completa sem os tratores de esteira circulando impunemente. Levam o que resta do pavimento e calçadas, entulhando as ruas até sua completa obstrução.
É o caos, mas pode ser o cérebro ou o coração enfartado.
O rio que um dia foi majestoso está assoreado e suas margens repletas de detritos. Todo o veneno lançado nele durante anos fez seu efeito: o rio não consegue mais levar suas águas para o mar e a inundação toma conta de tudo.
É o caos, mas pode ser o rim de um hipertenso não controlado.
As pessoas vão ficando sem ânimo para enfrentar essa enorme quantidade de problemas produzida pela falta de circulação de mercadorias e serviços. A cidade começa a parar. Ninguém sai de casa, os amigos e parentes não se visitam, desaparece a alegria e a vida vai se esfarelando.
É o fim, mas pode ser a velhice numa cadeira de rodas e um cérebro tomado por placas amilóides: Alzheimer.
O olho é particularmente sensível a todos os males produzidos por dificuldades na circulação. Seus vasos são extremamente delicados e miniaturizados e por isso mesmo são os primeiros a sentirem os efeitos da má circulação de nutrientes e eliminação dos seus resíduos. Os oftalmologistas veem frequentemente na clínica diária os danos de organismos assim envenenados. Isso é muito típico no paciente diabético ou hipertenso. O cigarro funciona nestes pacientes como a pá de cal do coveiro. Nos fumantes, o que preocupa não é o olho vermelho pela irritação da fumaça, mas os efeitos dos venenos inalados. As grandes causas de cegueira no mundo são agravadas pelo pernicioso e anti-social hábito de fumar. São elas: A Retinopatia Diabética, a Degeneração Macular Relacionada à Idade ( DMRI ), o Glaucoma e a Neuropatia Óptica Isquêmica. Todas INCURÁVEIS. O fundamento dessas doenças tem um parente comum: o congestionamento das “ruas” do nosso corpo.
E se posso dar um conselho:
Tire os caminhões da Souza Cruz e da Sadia de suas ruas. A Secretaria da Saúde agradece.