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19 setembro, 2017

Novíssimo farol



A Praia do Futuro
Farol velho e o novo
Os olhos do mar
São os olhos do mar
São os olhos do mar
O velho - que apagado
O novo - que espantado
Vendo a vida, espalhou
Luzindo na madrugada
Nossos corpos suados
E à praia fazendo amor.
("Terral" - Ednardo)

O novo farol de Fortaleza, em funcionamento desde 27 de julho, foi inaugurado ontem (18), às 16 horas, em uma solenidade promovida pela Capitania dos Portos e Grupo J Macêdo. O farol tem 72 metros de altura e foi construído ao lado do antigo, datado de 1958.
É o maior farol do tipo tradicional das Américas e o sexto maior do mundo.

LINHA DO TEMPO
1826. D. Pedro II aprovou a construção do primeiro farol do Mucuripe, no bairro Serviluz.
1840. As obras se iniciam, mas o farol, com apenas nove metros de altura, só ficou pronto em 1846.
1958. O farol é desativado com a construção de um segundo, com 22 metros de altura, localizado a cerca de 3 quilômetros de distância do primeiro.
1973. Ednardo lançou o hit "Terral"
1983. O antigo farol foi tombado pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult) e, em seguida, abrigou o Museu do Jangadeiro, que foi fechado posteriormente.
2016. Iniciada a construção de uma nova torre com 72 metros de altura, ao lado do segundo farol, no bairro Vicente Pinzon.
2017. O terceiro farol iniciou suas operações em 27 de julho e foi inaugurado em 18 de setembro. Tem estrutura de concreto armado, elevador de carga e uma lanterna automatizada que, emitindo um lampejo a cada dez segundos com o alcance de 40 milhas, torna ainda mais segura a navegação costeira no Ceará.

02 outubro, 2015

Faróis, onde estais?

"...famosos ou não, ainda hoje ponteiam pelos mares, indiferentes aos progressos da tecnologia, aos satélites artificiais. Com sua luz intermitente, trazem aos homens lampejos de poesia e meditação."
Prof. Elysio de Oliveira Belchior, por ocasião da apresentação de sua coleção de cartões-postais intitulada "Faróis: onde estais?" (14ª Expostal – Brasília – 2000/ 2001)

A origem dos faróis de navegação remonta à época em que os primeiros habitantes das povoações litorâneas se aventuraram ao mar, pois logo surgiu a necessidade de estabelecer sinais luminosos que pudessem servir, durante a noite, como pontos de referência em terra, além de indicar aos navegantes os locais perigosos.
Imagem: Wikipédia
O primeiro farol de que se tem notícia é o de Alexandria, construído em 280 a.C. pelo arquiteto e engenheiro grego Sóstrato de Cnido, a mando de Ptolomeu II, em Pharos - de onde deriva a palavra farol -, pequena ilha no delta do Rio Nilo, na entrada da Baía de Alexandria. Sua torre octogonal, montada sobre uma base quadrada, alcançava cerca de 150 metros de altura e, no seu topo, ardia uma fogueira, cuja luz, à noite, e sua fumaça, durante o dia, eram vistas a uma distância de até 50 quilômetros). A edificação incorporava também cisternas, escolas, templos e um observatório astronômico.
O Farol de Alexandria, listado como uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, foi destruído por um terremoto em 1374 d.C.
Num processo evolutivo, os faróis utilizaram velas de sebo, lâmpadas de óleo e gás de acetileno. Com o passar do tempo, a ciência substituiu todos esses métodos primitivos pelos aperfeiçoados sistemas de construção de torres, lanternas, luzes elétricas e lentes modernas.

O Farol

30 dezembro, 2013

Pós-naufrágio

Em uma viagem para a Inglaterra, em 1757, Ben Franklin escapou de um naufrágio.
Depois, ele escreveu à sua esposa:
"Com o sino a nos chamar para a igreja, fomos para lá imediatamente, e, com o coração cheio de gratidão, fizemos sinceros agradecimentos a Deus pelas misericórdias que recebemos.
Se eu fosse um católico, talvez eu devesse, nessa ocasião, ter feito o voto de construir uma capela para algum santo, mas como eu não sou, o meu voto foi para a construção de um farol."

O FAROL

23 fevereiro, 2012

Guardiões do farol

Por Dulce Magalhães, da Work Educação Empresarial
Há muitas e boas oportunidades na vida, porém a principal delas é a de escolher o que fazer e como fazê-lo. A questão é que a maioria das pessoas não acredita nisso, pois tem a firme crença de que a vida é inteiramente definida por fatores externos, como o contexto, as circunstâncias e a variável da sorte.
Claro que todos esses fatores interferem e afetam nossa vida, mas não a definem – esta é uma prerrogativa que nos pertence. Como agir, o que aprender, de que forma mudar – tudo isso está sob nosso poder. Estamos no leme de nossa existência, e nossa trajetória é regida e gerida por nós mesmos.
E ainda podemos ir além. Podemos nos tornar guardiões do farol, habitar a torre de orientação e servir de guia para que outros não se percam nem passem por percalços evitáveis. Podemos nos tornar educadores, líderes, mentores, pais e mães que se empenham em desenvolver seres humanos de alto quilate e intenso brilho.
Contudo, é fundamental que possamos entender algumas premissas básicas, princípios que nos ajudarão a guiar outros com o facho luminoso do farol. Não cabe a nós decidir o destino dos outros, mas apenas apontar-lhes os possíveis caminhos e alertá-los quanto aos perigos.
Cada um tem o sagrado e inalienável direito de decidir por si mesmo, e aí se inclui o direito de errar.
É importante nos darmos conta disso para permitir que as pessoas ao nosso redor tenham a chance de aprender as lições apropriadas, seja na empresa, na família ou na comunidade.
Errar não é algo indesejável; aliás, é um resultado esperado na vida. Em algum momento, vamos errar, pois ninguém acerta 100% das vezes. A questão é como lidamos com nossos erros e o que aprendemos a partir deles.
Para nos tornarmos bons guardiões do farol, devemos nos aperfeiçoar com as lições da experiência. Assim, aprenderemos a orientar sem tentar controlar, ensinar sem julgar os outros apenas com base em nossa própria visão.
Maturidade não é algo que se transfere, é algo que se constrói. Ao captarmos esse princípio básico, aprenderemos a criar espaços para que o outro também amadureça, experimentando a vida, errando, acertando, corrigindo perspectivas. Como orientadores, cabe-nos a tarefa de sinalizar os perigos e iluminar os caminhos, respeitando a decisão alheia e honrando sua passagem como algo especial e precioso.
Um dos deveres do guardião do farol é estar sempre disponível, 24 horas por dia, e mesmo nas noites turbulentas e nebulosas da existência. Todos nós passamos, em algum momento, pela “noite escura da alma”, para usar a expressão do místico cristão São João da Cruz.
Períodos de dificuldades e de conflitos internos acarretam, simultaneamente, o medo e o desejo de mudança. Nesses momentos de sombras e de crise, a luz do farol se torna ainda mais importante – é no estertor da crisálida que nascem as borboletas de asas fortes.
O bom guia deve emprestar seu ombro ao caminhante, sustentando-o e ajudando-o a avançar, mas sem tentar caminhar no lugar dele. Por vezes, a tarefa mais difícil é a daquele que apoia, guia e ensina, pois o respeito ao passo e ao ritmo do outro é o fundamento que mantém a caminhada e possibilita o aprendizado.
O guardião do farol é aquele que observa ativamente o progresso alheio, orientando sem oprimir, iluminando sem cegar, indicando sem decidir. Todos já precisamos desse tipo de apoio em algum momento de nossas vidas – mas recebemos pouco ou nenhum treinamento para exercer essa tarefa, que exige a habilidade de iluminar opções e de permitir que o outro siga em direção de si mesmo, buscando o norte da própria trajetória.
A figura do guardião do farol talvez pareça um tanto passiva e até efêmera, pois mais cedo ou mais tarde será deixada para trás – um dia, o aprendiz saberá andar sozinho, e seguirá adiante. Mas o guardião é a garantia de que o caminho está sinalizado e pode ser percorrido.
Quem se dispõe a exercer essa tarefa cedo ou tarde vai notar que o topo do farol é o ponto mais elevado, embora traga consigo tantos desafios. Existirá posição melhor do que emanar luz sobre os caminhos?
(texto extraído da revista Amanhã, aqui postado por sugestão de Fernando Gurgel)

Leitura complementar

04 junho, 2008

O Farol

Poderia ser chamado de farol do cafundó-de-judas, do caixa-pregos, do cornimboque do Diabo ou de farol com qualquer outra expressão do gênero. Que desse a idéia de estar situado num local ermo, afastado. Ou, ainda, simplesmente ser chamado de O Farol (menos de O Farol do Fim do Mundo, porque aí já seria plagiar Julio Verne). E, digamos que o farol em questão (Santa Sutileza, que quase me fez dizer "em foco"!) fora erigido numa ilha pequena e montanhosa - uma ilhota! A fim de que, na escuridão da noite, protegesse as embarcações da destruição contra os arrecifes. E, desse modo, evitar que vidas humanas servissem de repasto aos tubarões.
Quantos rochedos e arrecifes havia por ali onde um navio, em noite de breu, poderia bater! Sobrosso acontecia algum, porém aquele farol era a única garantia para uma nau atravessar aquelas águas sem... sobroço. Daí a importância do trabalho do guardião do Farol. Subir, todas as noites, a comprida escada helicoidal que ia dar na sala onde ficavam as grandes lanternas. A seguir, ajudado por Georges, imediato de guardião, encher de óleo o reservatório das grandes lanternas, as quais eram postas a iluminar o oceano (mas não todo o oceano, como pensava Georges).
Uma noite, porém, o faroleiro notou que muitas das residências da ilhota estavam às escuras. Pois que existiam outros moradores naquela ilhota (afinal, vocês não estão lendo o romance de Julio Verne). E ele procurou saber o motivo de tanta escuridão doméstica. "A falta de óleo para as lâmpadas", responderam-lhe. "E o navio de suprimento não vem antes de um mês. O que é a ironia, senhor. Mandamos luz para o oceano, mas não a temos em nossas casas". Embora não gostasse muito desse "mandamos" (pois era ele quem mandava), o guardião ficou de estudar a solução.

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