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29 janeiro, 2026

O besouro e o sapo

Há um besouro aquático (Regimbartia attenuata) que consegue sobreviver ao ser comido por um sapo (Pelophylax nigromaculatus), porque ele combina suas aptidões naturais com uma caminhada rápida pelo sistema digestivo do anfíbio.
Como se eles simplesmente dissessem "não, obrigado", e fossem embora. Isso parece uma das adaptações mais insanamente poderosas que se pode imaginar que uma criatura tenha.
Tipo: "não, não consigo fazer nada para impedir que esse predador voraz do meu bioma me consuma. Mas não significa que eu vá desistir".

08 abril, 2021

O entomologista que escapou da morte graças a um besouro

Pierre André Latreille deve sua vida a um besouro. O zoólogo francês é freqüentemente considerado o pai da entomologia moderna, tendo feito consideráveis acréscimos ao nosso conhecimento desse ramo das ciências naturais. Ele foi a primeira pessoa a tentar uma classificação natural dos artrópodes e nomeou muitos gêneros e espécies.
Pierre André Latreille nasceu em 29 de novembro de 1762 na cidade de Brive, então província de Limousin. Ele era o filho ilegítimo de Jean Joseph Sahuguet d'Amarzit, barão geral d'Espagnac. Sua mãe, cuja identidade não era conhecida, o abandonou, e seu pai nunca o reconheceu, embora ele tenha fornecido apoio financeiro para a educação e educação de Latreille. Efetivamente órfão, ele teve, no entanto, protetores influentes, que garantiram que Latreille tivesse uma boa educação. Ele estudou inicialmente em Brive e, em Paris, no Collège du Cardinal-Lemoine, vinculado à Universidade de Paris para se tornar sacerdote. Entrou para o Grande Séminaire de Limoges, em 1780, e saiu como diácono em 1786.
Apesar de ser qualificado para pregar, Latreille nunca exerceu suas funções de ministro. Mesmo quando estava estudando para ser padre, Latreille costumava visitar os jardins botânicos do Jardin du Roi e pegar insetos nos arredores de Paris. Um de seus patronos, o famoso mineralogista Abbe RJ Hally também lhe deu aulas de botânica, fato que o ajudou a conhecer o naturalista francês Jean-Baptiste Lamarck.
Enquanto isso, uma grande tempestade sócio-política estava se formando na França. As pessoas estavam cansadas da monarquia e do sistema feudal e se revoltaram. Os Estados Gerais assumiram o controle da Assembleia e os camponeses invadiram a Bastilha, o símbolo da autoridade real. Muitos aristocratas e membros do clero foram presos, incluindo o rei Luís XVI. Foi aprovada uma nova lei que estabelecia a subordinação imediata da Igreja Católica ao governo francês. Essa lei exigia que todo sacerdote fizesse um juramento de lealdade ao Estado.
Muitos clérigos se recusaram a fazer o juramento, porque não podiam colocar sua lealdade para com a França acima de sua lealdade para com Deus. Latreille era um deles e, conseqüentemente, ele foi preso e encarcerado. Em breve, ele seria exilado para uma colônia penal onde a morte seria certa.
Enquanto esperava a sentença nas masmorras de Bordeaux, Latreille notou um besouro peculiar correndo pelo chão de sua cela. Ele estava estudando avidamente seu companheiro invertebrado de cela, quando o médico da prisão veio fazer uma visita. O médico ficou surpreso ao ver um homem adulto, de quatro, examinando o que parecia ser as lajes do chão da masmorra, quando Latreille pegou cuidadosamente o besouro (Necrobia ruficollis), virou-se para o médico da prisão e exclamou: "É um besouro muito raro".
O médico ficou devidamente impressionado e, para verificar se Latreille estava certo, enviou o besouro a um naturalista muito precoce de 15 anos, Jean Baptiste Bory de Saint-Vincent. Por sorte, Bory de Saint-Vincent já conhecia Latreille de suas publicações anteriores. Horrorizado ao saber que Latreille estava preso, o bem relacionado Bory de Saint-Vincent providenciou apressadamente a libertação de Latreille. Em um mês, todos os outros condenados estavam mortos.
Após o contato próximo de Latreille com a morte, ele decidiu ficar longe da política e devotou o resto de sua vida à entomologia. Com o incentivo de Johan Christian Fabricius (que primeiro classificou o Necrobia ruficollis), Latreille publicou seu primeiro trabalho "Précis des caractères génériques des insectes". Em 1798, Latreille foi nomeado para o Museu Francês de História Natural, onde trabalhou ao lado de Jean-Baptiste Lamarck, como curador das coleções de artrópodes e publicando uma série de trabalhos zoológicos. Em 1814, Latreille tornou-se membro titular da Academia Francesa de Ciências. Nos anos que se seguiram, Latreille publicou muitos artigos importantes para o museu, incluindo todo o volume sobre artrópodes para "Le Règne Animal", de George Cuvier, e centenas de entradas sobre assuntos entomológicos. Em 1829, ele sucedeu a Lamarck como professor de entomologia.
Quando Latreille morreu em 1833, a Sociedade Entomológica Francesa colocou uma lápide sobre o túmulo de Latreille, no cemitério Père Lachaise, com uma inscrição que dizia: "Necrobia ruficollis , o salvador de Latreille".

Extraído de: Pierre André Latreille: The Entomologist Who Escaped Death Because of a Beetle, por Kaushik Patowary. Site: Amusement Planet

16 maio, 2019

O besouro-artilheiro

O termo besouro-artilheiro é a designação comum a diversas espécies de besouros da família dos carabídeos, como o Brachinus crepitans. Esse inseto vive a maior parte do tempo escondendo-se entre raízes de árvores ou debaixo de pedras. Sendo um animal carnívoro, eles alimentam-se de insetos de corpo mole. Podem ser encontrados em todo mundo, menos na Antártida.
Sua defesa consiste em produzir um jato quente para repelir possíveis predadores. Esse material fica localizado em seu abdômen, em duas glândulas, que possuem substâncias químicas que explodem quando misturadas (hidroquinona e peróxido de hidrogênio), mas são inertes quando mantidas separadas.
Assim, a primeira capacidade é que esse besouro possui duas bolsas distintas que mantêm as substâncias químicas separadas até que ele precise da reação química para protegê-lo.
A segunda capacidade é que esse besouro possui um revestimento de amianto em seu "caldeirão", uma câmara onde os produtos químicos são misturados. Esse revestimento impede que a explosão química destrua o corpo do besouro ao ser projetada para fora.
Entretanto, uma terceira capacidade se faz necessária para impedir que a explosão, que ocorre fora do corpo do besouro, atinja-o quando a corrente da química explosiva irrompe para fora do corpo. Se essa corrente fosse contínua, o besouro seria explodido pela reação química que sai do corpo; no entanto, o besouro expele sua corrente em pulsações gotejantes pequenas e contínuas. Assim, a corrente de material explosivo não é continua, de forma que o besouro não é morto por seu próprio mecanismo de proteção. Depois disso, a substância, que atinge uma temperatura média de 100 °C, é pulverizada no animal que lhe tiver causando incômodo.



C6H4(OH)2 + H2O2 → C6H4O2 + 2 H2O

O vapor resultante desta substância irritante é conhecido como p-benzoquinona, que explode embaixo do abdômen fazendo um barulho tão poderoso que pode ser ouvido pelos humanos. O resultado é uma substancia com uma temperatura tão alta que é capaz de escaldar o possível predador, ou causar queimaduras em animais maiores, como nós!

https://pt.wikipedia.org/wiki/Besouro-bombardeiro
https://www.megacurioso.com.br/animais/70105-conheca-o-besouro-nervoso-que-dispara-jatos-superquentes-pelo-traseiro.htm
https://diariodebiologia.com/2010/09/besouro-bombardeiro-o-unico-animal-capaz-de-produzir-uma-bomba/

Bônus: O mundo dos besouros

11 setembro, 2010

A bola e o besouro


A bola conduzida por um "besouro".

A bola, por ser a Jabulani, é leve, muito fácil de ser levada. Mas, como não existe besouro grande assim, acredito que a figura acima seja o resultado de uma montagem fotográfica.
Só que o criador da imagem pegou pesado.
Por usar uma imitação do besouro rola-bosta, que tem este nome devido ao costume de rolar esferas de esterco pelas pradarias, e por acrescentar à imagem uma legenda nada cordial: SOCCER IS SHIT!
Ele deve viver em um país onde se joga o futebol com as mãos.