O Sudeste brasileiro está localizado entre as latitudes 15° e 30° Sul, a mesma faixa do planeta onde ficam o deserto do Atacama no Chile, os desertos do Kalahari e da Namíbia na África e o deserto do interior da Austrália. Nessa faixa, sistemas de alta pressão atmosférica impedem a formação das grandes nuvens e mantêm(*) os dias ensolarados. É assim que os desertos se formam.
Mas o Sudeste do Brasil é verde, úmido e cheio de rios. E o motivo disso tudo está na Floresta Amazônica.
A Amazônia funciona como uma bomba gigante de umidade, o que impede o Sudeste de se tornar um deserto. O processo começa com os ventos alísios, que trazem ar úmido do Oceano Atlântico para o interior da floresta. As árvores absorvem essa água e a devolvem à atmosfera por transpiração, formando o que os pesquisadores chamam de "rios voadores": massas de vapor que carregam a umidade por milhares de quilômetros até o Sudeste e o Centro-Oeste do Brasil.
A Cordilheira dos Andes também desempenham um papel importante ao direcionar esses rios voadores para o Sudeste.
A Amazônia produz cerca de 20 bilhões de toneladas de vapor d"água por dia, mais do que o próprio Rio Amazonas despeja no oceano. Esse volume é o que mantém(*) o regime de chuvas do Sudeste funcionando. Sem a grande Floresta Amazônica, o destino climático de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro não seria tão promissor para a agricultura e a geração de energia.
Quando a floresta é derrubada, o que migra para o Sudeste não é mais a umidade, e sim a fumaça das queimadas cujas partículas, na verdade, dificultam a formação das chuvas.
(*) A diferença entre "mantém" e "mantêm" está na concordância do verbo com o sujeito no singular ou no plural.