Em seu discurso de agradecimento, o cineasta brasileiro Walter Salles (na foto, com Fernanda Torres) dedicou o prêmio do filme à Eunice Paiva, afirmando "que ela, durante uma perda sofrida em um regime autoritário, decidiu a não se curvar e resistir".
Também agradeceu às atrizes Fernanda Montenegro e Fernanda Torres (mãe e filha na vida real), que representaram a personagem principal de "Ainda estou aqui" em períodos diferentes de sua existência.
A luta de Eunice Paiva após seu marido, o ex-deputado Rubens Paiva, ser detido e morto pela ditadura militar no Brasil (1964 - 1985), é uma evocação ao mundo do que acontece na vida cotidiana das pessoas, quando golpes de Estado obtêm sucesso.
Que a merecida premiação lembre a todos que esquecê-los não é uma boa ideia. Anistiá-los, muito menos.
Lamentável que o nome do cineasta e escritor Cacá Diegues, falecido em 14/02/2025, não tenha sido lembrado por ocasião do IN MEMORIAM da cerimônia do OSCAR 2025. Um dos fundadores do Cinema Novo, ao longo de sua carreira, Cacá Dieges fez mais de 20 filmes de longa-metragem e publicou livros sobre o cinema no Brasil.
Na solenidade de premiação, o ator Will Smith usou um velho método para redefinir as configurações de fábrica do cérebro do comediante Chris Rock.
Diga não à violência (verbal, física), diga sim à caneta azul.
Algumas das cenas mais memoráveis de "White Wilderness", documentário da Disney sobre a vida selvagem na parte norte do continente norte-americano, vencedor da premiação do Oscar de 1958, foram as que mostravam a morte de lêmingues que se afogavam no mar depois de saltar de um penhasco. O público vê o que parece ser uma horda de roedores pulando de penhascos e caindo no mar Ártico, e também correndo por praias cobertas de rochas para entrar na água da costa, onde todos acabam se afogando, porque eles supostamente confundiram a vasta extensão do mar Ártico com um lago e presumiram que há uma costa alcançável do outro lado da água.
No geral, a narração sugere fortemente que o comportamento mostrado no filme é uma forma de marcha irracional e compulsiva para morte, com a qual os lêmingues periodicamente se envolvem.
Nada do que é mostrado no vídeo acima foi um comportamento realista dos lêmingues. As cenas foram gravadas na província canadense de Alberta, que não é um habitat nativo para os lêmingues e não tem saída para o mar. Para o documentário, os cineastas tiveram que importar lêmingues para Alberta (comprando-os de crianças Inuit que os tinham apanhado noutras províncias).
Lêmingues não se lançam periodicamente dos penhascos para o mar. Explosões cíclicas na população ocasionalmente induzem esses roedores a migrar para áreas de menor densidade populacional, e quando tais migrações ocorrem, alguns lêmingues morrem caindo de penhascos ou se afogando em lagos ou rios. Essas mortes não são nem atos de "suicídio", nem o resultado de um comportamento compulsivo irracional: são mortes acidentais resultantes de eles se aventurarem em busca de alcançar um novo território.
Então, os cineastas tiveram que usar vários truques de câmera para capturar cenas deles supostamente mergulhando para a morte. Através de câmaras cuidadosamente controladas, ângulos e edição, os cineastas fizeram não mais do que algumas dúzias de lêmingues parecerem um número muito maior reunidos em um penhasco e caindo na água (que era realmente o rio Bow, e não o mar Ártico).
As cenas mostradas no documentário foram encenadas a fim de replicar supostos comportamentos reais de lêmingues que não podiam ser capturados no filme, e assim a Disney ajudou a perpetuar a lenda dos periódicos e inexplicáveis suicídios em massa cometidos por lêmingues que morrem atirando-se dos penhascos.
Faltou este aviso: Nenhum lêmingue saiu ferido nesta filmagem. Apenas morreram depois de lançados no abismo por uma mesa giratória.