O dial ou botão ético seria um controle imaginário a ser instalado nos painéis dos carros autônomos do futuro. Antes de iniciar uma viagem, ele poderia ser regulado para o modo em que o carro atuaria em caso de acidente - ou mesmo em outras situações menores. Basicamente, uma regulação que modificaria as decisões do veículo em situações que pudessem causar danos aos seres humanos.
Mas...
Por que não também sobre o cumprimento das "normas sociais" do tráfego? Os carros deveriam contar com esse botão, nenhum ou qualquer outro? Se todos deveriam usá-lo ou ser algo como o "cartão de ponto"? Como os programadores poderiam garantir a sua eficácia?
Quase todas as análises colocam alguma restrição quanto à sua possibilidade perturbadora. Haveria mais bons veículos samaritanos ou Mad Max nas estradas?
http://www.microsiervos.com/archivo/coches/dial-etico.html
Relacionada: Automóveis autônomos
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Você quis dizer: O dialético (Google)
Não, Google. Eu quis dizer exatamente "O dial ético".
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26 março, 2018
25 fevereiro, 2016
A Interpretação de Copenhague da Ética
A Interpretação de Copenhague da Mecânica Quântica diz que, partículas que estão a girar, ao mesmo tempo, em sentidos horário e anti-horário, num determinado ponto da observação, este se torna um ou outro. A teoria afirma que o simples ato de observar a realidade pode fundamentalmente mudá-la.
A Interpretação de Copenhague da Ética diz que, ao observar ou interagir de alguma forma com um problema, você pode ser responsabilizado por isso. No mínimo, você é o culpado por não dar continuidade à observação. Mesmo se você não piorar o problema, mesmo se você torná-lo um pouco melhor a carga ética do problema recai sobre você, logo que você passa a observá-lo. Em particular, se você interagir com um problema e se beneficiar dele, você é um monstro completo.
Eu não concordo com essa escola de pensamento, mas parece bastante popular.
Em 2010, Nova Iorque escolheu aleatoriamente os sem-tetos que participariam do seu programa Homebase, monitorando aqueles que não foram autorizados a entrar no programa como um grupo-controle. O programa estava ajudando tantas pessoas quanto podia fazê-lo, a única diferença foi rotular explicitamente as pessoas que não estava ajudando como um grupo-controle.
A reação?
"Eles deviam imediatamente parar com esta experiência", disse o subprefeito do distrito de Manhattan, Scott M. Stringer. "A cidade não deve transformar em cobaias os seus mais vulneráveis."
Fonte: blog.jaibot.com
A Interpretação de Copenhague da Ética diz que, ao observar ou interagir de alguma forma com um problema, você pode ser responsabilizado por isso. No mínimo, você é o culpado por não dar continuidade à observação. Mesmo se você não piorar o problema, mesmo se você torná-lo um pouco melhor a carga ética do problema recai sobre você, logo que você passa a observá-lo. Em particular, se você interagir com um problema e se beneficiar dele, você é um monstro completo.
Eu não concordo com essa escola de pensamento, mas parece bastante popular.
Em 2010, Nova Iorque escolheu aleatoriamente os sem-tetos que participariam do seu programa Homebase, monitorando aqueles que não foram autorizados a entrar no programa como um grupo-controle. O programa estava ajudando tantas pessoas quanto podia fazê-lo, a única diferença foi rotular explicitamente as pessoas que não estava ajudando como um grupo-controle.
A reação?
"Eles deviam imediatamente parar com esta experiência", disse o subprefeito do distrito de Manhattan, Scott M. Stringer. "A cidade não deve transformar em cobaias os seus mais vulneráveis."
Fonte: blog.jaibot.com
20 dezembro, 2013
O efeito moral da manhã
(onde se apresenta o antídoto para A solução final)
Que horas são? Essa simples pergunta ganha um novo significado neste estudo:The Morning Morality Effect: The Influence of Time of Day on Unethical Behavior. Maryam Kouchaki and Isaac H. Smith, Psychological Science, epub October 28, 2013.Os autores, da Universidade de Harvard e da Universidade de Utah, explicam:
"As pessoas são mais moralistas pela manhã do que à tarde? Sugerimos que as experiências banais, associadas com a vida cotidiana, podem esgotar a capacidade de resistir às tentações morais. Em uma série de quatro experimentos com estudantes de graduação e com uma amostra de adultos norte-americanos envolvidos em comportamento não ético (por exemplo, mentir e ludibriar), tarefas foram cumpridas no período da manhã e depois comparadas com as mesmas tarefas quando cumpridas no período da tarde. Tendo sido observado, no presente estudo, que o efeito moral da manhã foi influenciado pela diminuição da consciência moral e do autocontrole na parte da tarde. Além disso, o efeito do período do dia no comportamento ético foi encontrado ser mais forte nas pessoas com menor propensão para se afastar de seus princípios morais. Estes resultados destacam que um fator simples, porém abrangente (ou seja, a hora do dia), pode ter importantes implicações para o comportamento moral."
20 setembro, 2012
Não ressuscitar
Joy Tomkins, 81, da cidade de Norfolk, Virginia, EUA, querendo ter certeza de que ninguém tentará trazê-la de volta à vida, mandou tatuar a frase DO NOT RESSUSCITATE em seu tórax. "Eu não quero ficar meio morta, eu quero ficar totalmente morta", disse Tomkins, que sofre de artrite, doença de Raynaud, e diabetes. "Eu tenho medo de que os médicos, com a melhor das intenções, me mantenham viva quando eu já não quero mais viver", completou.
Mas é provável que a Sra. Tomkins não seja atendida exatamente do jeito que deseja. Uma tatuagem por si só não autoriza um médico a tomar esse tipo de decisão em uma situação de emergência.
Humor
07 maio, 2012
Ética e trapaças
Havia em uma cidade dos Estados Unidos uma igreja batista.Os batistas, como se sabe, são um ramo do cristianismo muito rigoroso em seus princípios éticos. Na mesma cidade, havia também uma fabrica de cerveja que, para a igreja batista, era a vanguarda de Satanás.O pastor não poupava a fábrica de cerveja em suas pregações.
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 150 mil dólares para a igreja. Foi um tumulto na cidade...Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito. Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas.
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a decisão democrática.
Depois de muita discussão registrou-se o seguinte no livro de atas:
"A Igreja Batista Bethel resolve aceitar a oferta de 150 mil dólares feita pela cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus."
A historieta acima (repassada por Germano Gurgel) foi relatada por Peter Burger, no capítulo "Como trapacear e se manter Ético ao mesmo tempo", do seu livro "Introdução à Sociologia".
09/09/2014 - Atualizando...
Deixe ver se eu entendi: Deus tem um plano, então você reza para Ele mudar as partes de que você não gosta.
Aconteceu, entretanto, que, por razões pouco esclarecidas, a fábrica de cerveja fez uma doação de 150 mil dólares para a igreja. Foi um tumulto na cidade...Os membros mais ortodoxos da igreja foram unânimes em denunciar aquela quantia como dinheiro do Diabo e que não poderia ser aceito. Mas, passada a exaltação dos primeiros dias, acalmados os ânimos, os mais ponderados começaram a analisar os benefícios que aquele dinheiro poderia trazer: uma pintura nova para a igreja, um órgão de tubos, jardins mais bonitos, um salão social para festas.
Reuniu-se então a igreja em assembléia para a decisão democrática.
Depois de muita discussão registrou-se o seguinte no livro de atas:
"A Igreja Batista Bethel resolve aceitar a oferta de 150 mil dólares feita pela cervejaria na firme convicção de que o Diabo ficará furioso quando souber que o seu dinheiro vai ser usado para a glória de Deus."A historieta acima (repassada por Germano Gurgel) foi relatada por Peter Burger, no capítulo "Como trapacear e se manter Ético ao mesmo tempo", do seu livro "Introdução à Sociologia".
09/09/2014 - Atualizando...
Deixe ver se eu entendi: Deus tem um plano, então você reza para Ele mudar as partes de que você não gosta.
19 maio, 2011
O efeito placebo 2.0
Em muitos estudos médicos, pessoas que tomam falsos medicamentos, tais como pílulas de açúcar sem os ingredientes ativos, ainda assim podem se sentir melhor. Elas apresentam os resultados positivos do enigmático "efeito placebo". E isso levanta uma questão interessante do ponto de vista ético: se podem os médicos prescrever placebos justificadamente a seus pacientes?
A resposta padrão é não. Se o fizerem, os médicos podem prejudicar a confiança que recebem dos pacientes e violar os princípios do consentimento informado.
Muitos dos argumentos, porém, são baseados na idéia de que os efeitos de um placebo dependem da crença de que ele é um medicamento real. E de que, ao tomá-lo, as pessoas esperam que ele de fato vá funcionar, daí os possíveis benefícios do placebo. Mas, de acordo com Ted Kaptchuk, da Harvard Medical School, tal expectativa pode não ser necessária.
Em um ensaio clínico, ele descobriu que pacientes com síndrome do intestino irritável melhoravam de seus sintomas, quando tomavam pílulas de placebo, em comparação com pacientes que não tomavam nada. Mesmo que eles fossem previamente informados de que os comprimidos não continham qualquer substância ativa.
Referências
Evidence that placebos could work even if you tell people they are taking placebos.
Placebos without Deception: A Randomized Controlled Trial in Irritable Bowel Syndrome.
A resposta padrão é não. Se o fizerem, os médicos podem prejudicar a confiança que recebem dos pacientes e violar os princípios do consentimento informado.
Muitos dos argumentos, porém, são baseados na idéia de que os efeitos de um placebo dependem da crença de que ele é um medicamento real. E de que, ao tomá-lo, as pessoas esperam que ele de fato vá funcionar, daí os possíveis benefícios do placebo. Mas, de acordo com Ted Kaptchuk, da Harvard Medical School, tal expectativa pode não ser necessária.
Em um ensaio clínico, ele descobriu que pacientes com síndrome do intestino irritável melhoravam de seus sintomas, quando tomavam pílulas de placebo, em comparação com pacientes que não tomavam nada. Mesmo que eles fossem previamente informados de que os comprimidos não continham qualquer substância ativa.
Referências
Evidence that placebos could work even if you tell people they are taking placebos.
Placebos without Deception: A Randomized Controlled Trial in Irritable Bowel Syndrome.
22 fevereiro, 2010
CFM: um basta aos cupons!
Uma recente resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) proibiu que médicos oferecessem a pacientes os famigerados cupons e cartões da indústria farmacêutica. Utilizados para a obtenção de descontos na compra de determinados medicamentos, encontram-se eles agora proibidos de serem fornecidos nos consultórios médicos.
Por meio da resolução 1939/2010, que foi publicada na edição do Diário Oficial da União de 09/02/10, entendeu o CFM que esta prática, por questões relacionadas ao conflito de interesses e à proteção do sigilo do paciente, não podia mais ter continuidade. Eis os artigos da resolução:
Art. 1º É vedado ao médico participar, direta ou indiretamente, de qualquer espécie de promoção relacionada com o fornecimento de cupons ou cartões de descontos aos pacientes, para a aquisição de medicamentos.
Parágrafo único. Inclui-se nessa vedação o preenchimento de qualquer espécie de cadastro, formulário, ficha, cartão de informações ou documentos assemelhados, em função das promoções mencionadas no caput deste artigo.
Art. 2º Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.
Uma enquete em andamento, feita pelo site oficial de uma especialidade médica, revela que muitos médicos estão em desacordo com a medida do CFM. É preciso que estes colegas compreendam que a nova resolução visa a garantir, no tocante a este assunto, a lisura do comportamento ético dos médicos brasileiros.
26 outubro, 2007
Morte ou mamba?
Três missionários foram aprisionados por uma tribo africana, cujo chefe lhes ofereceu escolherem entre morte ou mamba (uma serpente africana peçonhenta, cuja picada inflige grande sofrimento antes de uma morte certa). Dois deles, sem saber do que se tratava, escolheram mamba e aprenderam da maneira mais cruel que mamba significava uma longa e torturante agonia, para só então morrer. Diante disso, o terceiro missionário rogou pela morte logo, ao que o chefe lhe respondeu:
"Morte você terá, mas primeiro um pouquinho de mamba".

Esta pequena história foi inserida no artigo “Escolhendo morte ou mamba em UTI”, do Dr. John Hansen, o qual foi publicado no Washington Post, em maio de 1991. Desde então, é a historieta relatada e comentada por outros articulistas e conferencistas quando abordam a questão da distanásia.
Leitura recomendada:
"A terminalidade da vida", de Márcio Fabri dos Anjos.
"Distanásia: Até quando investir sem agredir?", de Leo Pessini.
"Morte você terá, mas primeiro um pouquinho de mamba".

Esta pequena história foi inserida no artigo “Escolhendo morte ou mamba em UTI”, do Dr. John Hansen, o qual foi publicado no Washington Post, em maio de 1991. Desde então, é a historieta relatada e comentada por outros articulistas e conferencistas quando abordam a questão da distanásia.
Leitura recomendada:
"A terminalidade da vida", de Márcio Fabri dos Anjos.
"Distanásia: Até quando investir sem agredir?", de Leo Pessini.
24 junho, 2007
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