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29 setembro, 2021

A conversão de Clóvis


Um monge escreveu que Clovis, estando num grande perigo na batalha de Tolbiac, fez voto de se tornar cristão se conseguisse escapar; é porém natural que uma pessoa se dirija a um deus estrangeiro em tal ocasião? Não é precisamente num momento desses que a religião na qual se nasceu age mais fortemente? Qual é o cristão que, numa batalha contra os turcos, não se dirigirá antes à Santa Virgem que a Mafoma? Acrescenta-se que um pássaro levou a santa ampola em seu bico a fim de ungir Clovis e que um anjo trouxe a auriflâmula para o conduzir. O preconceito crê em todas as historietas desse gênero. Os que conhecem a natureza humana sabem que o usurpador Clóvis e o usurpador Rolão ou Rol se tornaram cristãos para governar mais seguramente a cristãos, como os usurpadores turcos se tornaram muçulmanos para governar mais seguramente os muçulmanos.

Voltaire, Preconceitos históricos. "Dicionário Filosófico"

Clóvis I é importante na historiografia da França como "o primeiro rei do que se tornaria a França". Ele uniu todas as tribos francas sob um único governante, assegurando-se de que o reinado seria passado a seus herdeiros, e foi o primeiro bárbaro a se tornar rei católico após a queda do Império Romano do Ocidente. Sua conversão ao catolicismo, sob o estímulo de sua esposa Clotilde, foi um ato de imensa importância na história subsequente da Europa.

30 março, 2018

Quanto sangue russo corria pelas veias dos Romanov?

Alguém pode ser mais russo do que um tsar da Dinastia Romanov? Bem, prepare-se para alguns fatos surpreendentes sobre a genealogia dessa dinastia imperial.
George, que foi rei da Grâ-Bretanha, e Nicolau 2º, o último imperador da Rússia, eram primos. Suas mães, Dagmar e Alexandra, eram filhas do rei da Dinamarca, Christiano 9º. Isso significa, então, que eles eram metade dinamarqueses? Tipo isso.
Mas isso também quer dizer que o último imperador russo era metade russo? A resposta é: não. Um quarto russo? Errado de novo. Sua bisavó era russa? Desculpe desapontá-los... A verdadeira resposta é: ele era menos que 1% russo! Para ser mais preciso, era 0,7% russo – e isso não é brincadeira. Vejamos como isso ocorreu.
A culpa é de Pedro 1º
Miguel Fiodorovitch, o primeiro governante da Dinastia Romanov, assumiu o trono russo em 1613. Seu pai era um boiardo, e membro da família nobre dos Romanov; sua mãe era Boiarinia Chestova. Miguel era sobrinho do último governante da antiga dinastia Rurik, portanto, podia-se dizer que tinha sangue 100% russo.
Ao longo dos 112 anos seguintes, isso não mudou: os cinco tsares que reinaram nesse período (incluindo Miguel) eram integralmente russos. Os governantes misturavam seu sangue apenas com damas de famílias influentes como Strechnevi e Miloslavskie. O quinto e mais conhecido desses tsares foi Pedro, o Grande.
Sob Pedro, no entanto, tudo mudou. Embora considerando o "grande", Pedro vivia atormentado por algumas conflitos de pai e filho, eventualmente executando seu potencial sucessor, o tsarevitch Aleixo, acusado de conspiração para derrubar o tsar.
Isso permitiu que uma pessoa sem sangue russo governasse o país pela primeira vez na história. A segunda esposa de Pedro, o Grande, posteriormente intitulada Catarina 1ª, nasceu como Marta Helena Skowrońska em uma família pobre – talvez, polonesa, talvez, lituana, metade sueca ou até mesmo alemã. Ninguém sabe ao certo. Mas, como seus dois filhos morreram muito cedo, ela acabou assumindo o governo por dois anos.
O último tsar 100% russo
Na sequência, foi decidido que o sétimo tsar Romanov seria um menino de 10 anos e filho do tsarevitch assassinado. Quando Aleixo estava vivo, ele se casara com uma mulher da Casa de Welf, uma dinastia europeia que incluiu várias monarquias alemãs e britânicas nos últimos mil anos. Originalmente, Pedro, o Grande, considerou o casamento de seu filho com Charlotte Christine Sophie como uma demonstração de diplomacia, uma vez a irmã mais velha dela era casada com o imperador romano-germânico Carlos 6º. Desse modo, o jovem governante, Pedro 2º, era só meio russo. Mas ele não governou por muito tempo, pois morreu aos 14 anos.
Durante o resto do século 18, a maioria dos governantes russos foram mulheres. O oitavo Romanov a se sentar no trono foi Anna Ioannovna, filha do quarto tsar, Ivan 5º. Sua mãe era de uma bem conhecida e poderosa família russa, os Saltikovi, razão pela qual pode-se considerá-la a última imperadora de sangue 100% russo.
A questão, porém, é que Anna Ioannovna não teve filhos.
Houve uma tentativa de continuar a linhagem de Ivan 5º proclamando seu neto de dois meses, Ivan 6º, como imperador, mas isso também não durou muito.
A astúcia de Catarina 2ª
Em seguida, foi a vez de Isabel, a filha de Pedro, o Grande, e Catarina 1ª (ou Marta Helena Skowrońska) subir ao trono. Isabel era naturalmente "metade russa" e, como não podia ter filhos, acabou deixando o trono para o filho de sua irmã, Pedro 3º.
O novo imperador era, assim, somente 25% russo. Seu pai era o duque de Schleswig-Holstein-Gottorp, que possuía terras na atual Dinamarca e no norte da Alemanha.
Os membros dessa família ascenderam a vários tronos europeus, incluindo Suécia, Noruega, Dinamarca, Grécia e Rússia.
Não é surpresa, portanto, que Pedro 3º tenha se casado com uma princesa da família alemã de Anhalt. Mas Sophie e Pedro não se deram bem desde o início. Ela era um pouco mais sábia que o marido, além de mais popular entre os membros da alta sociedade. Assim, permitiu que o esposo governasse por apenas 186 dias, obrigando-o a assinar um ato de abdicação. Ela então se autodeclarou Catarina 2º, e foi a última da Casa dos Romanov com nem mesmo uma gota de sangue russo.
Princesas alemãs e dinamarquesas
O resto da história é pura matemática – basta ir dividindo por dois. Mesmo com as diferenças entre Sophie e Pedro 3º, eles tiveram um filho. Catarina 2ª nomeou seu filho e herdeiro, Paulo. Pedro 3º era um quarto russo, Catarina 2ª não era nada russa; então a porção de sangue russo nas veias de Paulo 1º era metade de 25%, ou 12,5%.
Por alguma razão, todos os imperadores seguintes, incluindo Paulo, casaram-se com com uma princesa alemã ou dinamarquesa. Se o objetivo fosse viver em paz com o resto da Europa, pode-se dizer que foi uma estratégia malfadada, pois isso nunca impediu a eclosão de guerras. E a Primeira Guerra Mundial é exemplo disso.
Assim sendo, Alexandre 1º, filho da duquesa Sophie Dorothea de Württemberg tinha 6,25% de sangue russo (o mesmo que seu irmão mais novo, Nicolau 1º). Já Alexandre 2º, que era o filho da princesa Charlotte da Prússia, tinha 3,1%, e seu sucessor, Alexandre 3º, 1,5%. Não é à toa o último tsar, Nicolau 2º, era o menos russo de todos.

Fonte: RUSSIA BEYOND

19 janeiro, 2013

A dinastia de Darwin


Se alguém lhe pedir que cite uma pessoa com o sobrenome Darwin, as chances - em cem por cento - serão de que seja a pessoa da fotografia ao lado:
Charles Robert Darwin
Conhecido por ter proposto a teoria científica da seleção natural, o que ele fez teve um impacto significativo na ciência e cultura.

Mas ele não foi a única maçã de uma macieira, por assim dizer. Existiram outros Darwins que fizeram contribuições significativas, inclusive no campo específico em que Charles Darwin atuou.
Só que eles encontram-se ofuscados pelo parente famoso.
O Kuriositas convida-o a conhecer esses outros Darwins menos conhecidos.