O refinado Dr. Asdrúbal, em se tratando de erguer o moral de um paciente, tem uma técnica infalível. Costuma aplicá-la em quem, receoso de estar apresentando uma grave patologia, ameaça entrar em estado de pânico.
Ele, simplesmente, convida o paciente a acompanhá-lo em um raciocínio de clareza solar.
- Ainda não formei o diagnóstico, quanto a isto vou recorrer a exames complementares. Mas já se vê que estamos diante de duas possibilidades: higidez ou doença. Se for a primeira, ótimo, você não tem nada, mas se for a segunda possibilidade, nem assim haverá motivo para se desesperar. Porque poderá ter uma doença simples, auto-limitada, para a qual nem sequer prescreverei medicamentos. Com também poderá ter a alternativa, qual seja, estar você portando uma doença realmente séria. Calma aí. A medicina hodierna já consegue curar muita doença com esse rótulo, o que poderá acontecer perfeitamente no seu caso. Ou não, caso esteja a apresentar uma doença considerada atualmente incurável. E daí?! Se, aliviado dos sintomas por conta de um tratamento paliativo, você ainda poderá ter, daqui para frente, uma qualidade de vida razoável. Se bem que eu não possa descartar a outra opção que aqui se coloca: estarmos lidando com uma moléstia que, além de grave e incurável, é inteiramente refratária a qualquer medida de alívio. Bem, você tem religião? Ah, é cristão!... Porque agora vai ser das duas, uma: você, logo que morrer, irá para o Céu ou... para o Inferno. Ir para o Céu será ótimo, já que é a suprema aspiração de quem se diz cristão.
Segundo sei, Dr. Asdrúbal sempre para neste ponto. Por considerar uma redundância mandar para o Inferno quem já apresenta uma doença grave, incurável e de grande padecimento.
O Barão de Itararé não racionalizaria melhor. PGCS
Mostrando postagens com marcador dicotomia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dicotomia. Mostrar todas as postagens
16 setembro, 2011
18 dezembro, 2009
O discurso otimista do Barão

Depois de nove meses preso no navio-prisão Pedro I, na Baía da Guanabara, para onde fora levado por ter sido um dos membros da proscrita Aliança Nacional Libertadora, o Barão de Itararé foi transferido para o presídio da rua Frei Caneca. Neste presídio, onde estavam encarcerados muitos dos participantes da fracassada Intentona Comunista, havia uma forma de comunicação entre eles. Era a "Radio Libertadora", que só funcionava à noite, depois que os presos voltavam a seus cubículos e, através das grades, punham-se a gritar uns para os outros. Assim que o lendário Barão chegou a esse presídio em terra firme, a pedido de todos, teve que falar na "Rádio Libertadora". Eis o seu discurso:
"Tudo vai bem. Não há motivo para receio. O que nos pode acontecer? Somos postos em liberdade ou continuamos presos. Se nos soltam, ótimo: é o que desejamos. Se ficamos presos, deixam-nos com processo ou sem processo. Se não nos processam, ótimo: faltam provas e aí, cedo ou tarde, nos mandam embora. Se nos processam, seremos julgados, absolvidos ou condenados. Se nos absolvem, ótimo: nada melhor, esperávamos isso. Se nos condenam, nos darão uma pena leve ou pena grande. Se for leve, ótimo: descansaremos algum tempo sustentados pelo governo, depois iremos para a rua. Se for pena grande, seremos anistiados ou não. Se formos anistiados, ótimo: é como se não tivesse havido condenação. Se não nos anistiarem, cumpriremos a sentença ou morreremos. Se cumprirmos a sentença, ótimo: depois voltaremos para casa. Se morrermos, iremos para o céu ou para o inferno. Se formos para o céu, ótimo: é a suprema aspiração de cada um. Se formos para o inferno, não há porque nos alarmarmos: é uma desgraça que pode acontecer com qualquer um, preso ou em casa."
Um modelo de argumentação que o leitor vai encontrar também na nota Que é a dicotomia?. Confira.
25 maio, 2009
Que é dicotomia?
Um de seus significados é o de ser uma proposição que se divide em duas, subdividindo-se cada uma destas em outras duas, e assim sucessivamente.
Eis um exemplo de dicotomia:
"Por que preocupar-se? Só existem duas coisas que devem preocupar: ou você está Bom ou está Doente. Se está Bom, então não há com que preocupar-se. Mas se você está Doente, há duas coisas que podem acontecer: ou você Cura ou você Morre. Se Curou, nada mais há com que preocupar-se. Se Morre, duas coisas podem acontecer: ou vai para o Céu ou para o Inferno. Se vai para o Céu, parabéns. Nada mais há com que preocupar-se por toda a eternidade. Mas, se você for para o Inferno, então, com certeza estará tão ocupado cumprimentando e apertando mãos de tantos amigos e conhecidos que não lhe sobrará tempo algum para preocupar-se."
Extraído da crônica "O colecionador de provérbios", que se encontra no livro "Palavras que valeram a pena - volume 2", do médico Dr. Antero Coelho Neto, a quem agradeço a atenção de me ter enviado um exemplar do referido livro. O Dr. Antero é autor de uma vastíssima obra escrita que abrange as áreas de saúde, educação, planejamento estratégico, literatura (poesias) e longevidade e qualidade de vida. Além disso, dirige o IQVida cuja homepage pode ser acessada aqui.
25 março, 2008
Giga & Nano Associados
Acaba de estabelecer-se nesta cidade a Giga & Nano Associados, uma empresa destinada a prestar serviços de consultoria em duas importantes áreas do conhecimento humano: Macroeconomia e Nanotecnologia.Por causa de seus objetivos reconhecidamente dicotômicos, a empresa necessita de freqüentes reuniões entre os membros da diretoria. Com a finalidade de manter a sintonia fina entre as duas áreas em que a empresa atua.
A fotografia mostra os dois diretores da empresa no indispensável cavalete das reuniões.
Assinar:
Postagens (Atom)