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16 setembro, 2011

Dr. Asdrúbal e a dicotomia na medicina

O refinado Dr. Asdrúbal, em se tratando de erguer o moral de um paciente, tem uma técnica infalível. Costuma aplicá-la em quem, receoso de estar apresentando uma grave patologia, ameaça entrar em estado de pânico.
Ele, simplesmente, convida o paciente a acompanhá-lo em um raciocínio de clareza solar.
- Ainda não formei o diagnóstico, quanto a isto vou recorrer a exames complementares. Mas já se vê que estamos diante de duas possibilidades: higidez ou doença. Se for a primeira, ótimo, você não tem nada, mas se for a segunda possibilidade, nem assim haverá motivo para se desesperar. Porque poderá ter uma doença simples, auto-limitada, para a qual nem sequer prescreverei medicamentos. Com também poderá ter a alternativa, qual seja, estar você portando uma doença realmente séria. Calma aí. A medicina hodierna já consegue curar muita doença com esse rótulo, o que poderá acontecer perfeitamente no seu caso. Ou não, caso esteja a apresentar uma doença considerada atualmente incurável. E daí?! Se, aliviado dos sintomas por conta de um tratamento paliativo, você ainda poderá ter, daqui para frente, uma qualidade de vida razoável. Se bem que eu não possa descartar a outra opção que aqui se coloca: estarmos lidando com uma moléstia que, além de grave e incurável, é inteiramente refratária a qualquer medida de alívio. Bem, você tem religião? Ah, é cristão!... Porque agora vai ser das duas, uma: você, logo que morrer, irá para o Céu ou... para o Inferno. Ir para o Céu será ótimo, já que é a suprema aspiração de quem se diz cristão.
Segundo sei, Dr. Asdrúbal sempre para neste ponto. Por considerar uma redundância mandar para o Inferno quem já apresenta uma doença grave, incurável e de grande padecimento.
O Barão de Itararé não racionalizaria melhor. PGCS

18 dezembro, 2009

O discurso otimista do Barão

Depois de nove meses preso no navio-prisão Pedro I, na Baía da Guanabara, para onde fora levado por ter sido um dos membros da proscrita Aliança Nacional Libertadora, o Barão de Itararé foi transferido para o presídio da rua Frei Caneca. Neste presídio, onde estavam encarcerados muitos dos participantes da fracassada Intentona Comunista, havia uma forma de comunicação entre eles. Era a "Radio Libertadora", que só funcionava à noite, depois que os presos voltavam a seus cubículos e, através das grades, punham-se a gritar uns para os outros. Assim que o lendário Barão chegou a esse presídio em terra firme, a pedido de todos, teve que falar na "Rádio Libertadora". Eis o seu discurso:
"Tudo vai bem. Não há motivo para receio. O que nos pode acontecer? Somos postos em liberdade ou continuamos presos. Se nos soltam, ótimo: é o que desejamos. Se ficamos presos, deixam-nos com processo ou sem processo. Se não nos processam, ótimo: faltam provas e aí, cedo ou tarde, nos mandam embora. Se nos processam, seremos julgados, absolvidos ou condenados. Se nos absolvem, ótimo: nada melhor, esperávamos isso. Se nos condenam, nos darão uma pena leve ou pena grande. Se for leve, ótimo: descansaremos algum tempo sustentados pelo governo, depois iremos para a rua. Se for pena grande, seremos anistiados ou não. Se formos anistiados, ótimo: é como se não tivesse havido condenação. Se não nos anistiarem, cumpriremos a sentença ou morreremos. Se cumprirmos a sentença, ótimo: depois voltaremos para casa. Se morrermos, iremos para o céu ou para o inferno. Se formos para o céu, ótimo: é a suprema aspiração de cada um. Se formos para o inferno, não há porque nos alarmarmos: é uma desgraça que pode acontecer com qualquer um, preso ou em casa."
Um modelo de argumentação que o leitor vai encontrar também na nota Que é a dicotomia?. Confira.

25 maio, 2009

Que é dicotomia?

Um de seus significados é o de ser uma proposição que se divide em duas, subdividindo-se cada uma destas em outras duas, e assim sucessivamente.
Eis um exemplo de dicotomia:
"Por que preocupar-se? Só existem duas coisas que devem preocupar: ou você está Bom ou está Doente. Se está Bom, então não há com que preocupar-se. Mas se você está Doente, há duas coisas que podem acontecer: ou você Cura ou você Morre. Se Curou, nada mais há com que preocupar-se. Se Morre, duas coisas podem acontecer: ou vai para o Céu ou para o Inferno. Se vai para o Céu, parabéns. Nada mais há com que preocupar-se por toda a eternidade. Mas, se você for para o Inferno, então, com certeza estará tão ocupado cumprimentando e apertando mãos de tantos amigos e conhecidos que não lhe sobrará tempo algum para preocupar-se."
Extraído da crônica "O colecionador de provérbios", que se encontra no livro "Palavras que valeram a pena - volume 2", do médico Dr. Antero Coelho Neto, a quem agradeço a atenção de me ter enviado um exemplar do referido livro. O Dr. Antero é autor de uma vastíssima obra escrita que abrange as áreas de saúde, educação, planejamento estratégico, literatura (poesias) e longevidade e qualidade de vida. Além disso, dirige o IQVida cuja homepage pode ser acessada aqui.

25 março, 2008

Giga & Nano Associados

Acaba de estabelecer-se nesta cidade a Giga & Nano Associados, uma empresa destinada a prestar serviços de consultoria em duas importantes áreas do conhecimento humano: Macroeconomia e Nanotecnologia.
Por causa de seus objetivos reconhecidamente dicotômicos, a empresa necessita de freqüentes reuniões entre os membros da diretoria. Com a finalidade de manter a sintonia fina entre as duas áreas em que a empresa atua.
A fotografia mostra os dois diretores da empresa no indispensável cavalete das reuniões.