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29 abril, 2024

A escravidão nas plantações de São Tomé

A escravidão nas plantações pode ter tido origem numa pequena ilha da África Ocidental, de acordo com arqueólogos que investigaram um engenho e uma propriedade de açúcar do século XVI.
São Tomé, uma ilha a 240 quilômetros a oeste do Gabão, no Golfo da Guiné, foi colonizada pela primeira vez pelos portugueses no final do século XV. Ao encontrar essa ilha desabitada com madeira abundante, água doce e potencial para o cultivo de cana-de-açúcar, a monarquia portuguesa tentou motivar as pessoas a se mudarem para lá. Porém, devido às altas taxas de malária, São Tomé foi considerada uma armadilha mortal. Em 1495, para fornecer mão-de-obra para o comércio de açúcar, os governantes portugueses forçaram os condenados, as crianças judias e os africanos escravizados a mudarem-se para a ilha.
Enquanto outras usinas de açúcar portuguesas dependiam de pessoas escravizadas apenas para o trabalho manual, no sistema de plantações de açúcar de São Tomé as pessoas escravizadas - em grande parte do que hoje é o Benin, a República do Congo, Angola e a República Democrática do Congo - realizavam quase todos os trabalhos. as tarefas, desde a colheita e beneficiamento da cana-de-açúcar até a carpintaria e alvenaria necessárias à construção e ao funcionamento dos engenhos.
Isto fez de São Tomé "a primeira economia de plantação nos trópicos baseada na monocultura açucareira e no trabalho escravo, um modelo exportado para o Novo Mundo onde se desenvolveu e se expandiu",
As plantações da ilha tiveram tanto sucesso que, na década de 1530, São Tomé ultrapassou a Madeira - um arquipélago atlântico que os portugueses utilizavam para as suas lucrativas operações açucareiras - no abastecimento de açúcar aos mercados europeus, e foram construídas em São Tomé dezenas de engenhos de açúcar.
Mas São Tomé teve dificuldade em acompanhar a demanda europeia de açúcar, dada a elevada umidade, as florestas em rápido crescimento e as rebeliões de escravos. Assim, os portugueses transferiram muitas de suas operações para o Brasil no início do século XVII, levando consigo o modelo de operação das plantações. Os engenhos de São Tomé caíram em desuso a partir do século XIX.
Figura: croqui de um engenho na Praia do Melão, em São Tomé.

21 janeiro, 2020

Um Engenho de Açúcar, por Henry Koster

"Um Engenho de Açúcar", que retrata o trabalho de escravos em um engenho.
Ficheiro Wikipédia

Esta pintura encontra-se no livro "Viagens ao Brasil", publicado em 1816 pelo pintor de origem inglesa Henry Koster (1793-1820). Koster, que chegou ao Brasil em 1812, se alocou em Pernambuco, onde se tornou latifundiário e senhor de escravos. Koster também foi autor de um livro, publicado em 1816, com um título que expressa a ideologia de sua classe social: "Como melhorar a escravidão".
Agro é pop: cultivando desinformação e elogiando a escravidão, por Vinicius Alves. In: A Nova Democracia
Segundo o Ministério do Trabalho, dos mais de 52 mil trabalhadores resgatados do "trabalho análogo à escravidão" no país, entre 1995 e 2016, 22 por cento atuavam no setor sucroalcooleiro.

09 novembro, 2012

A primeira cerveja de cana do mundo

Felipe e Tiago
Olha aí, Nelson:
A bebida alcoólica mais popular do mundo vai ganhar uma cara brasileira.
Neste sábado, a cervejaria mineira Wäls, comandada pelos irmãos José Felipe Carneiro, 25, e Tiago Carneiro, 29, vai dar um toque tupiniquim à popular fórmula de água, malte de cevada, lúpulo e levedura, ao acrescentar cana-de-açúcar na produção da cerveja. É a primeira experiência de inserir a matéria-prima da cachaça no processo de fermentação da cerveja.
O primeiro lote da produção da cerveja de cana, que chegará ao mercado com o nome de "Saison de Caipira", estará sob a responsabilidade de uma das maiores autoridades na bebida do mundo. Garrett Oliver, da norte-americana Brooklyn Brewery, desembarca em Belo Horizonte no sábado para dar o pontapé inicial na produção.
José Felipe explica que a bebida será no estilo Saison, típico do interior da Bélgica, que dá uma “certa liberdade” na manipulação dos ingredientes. As cervejas do tipo Saison têm aromas frutados, leve acidez e alta carbonatação.
A projeção é de que a garrafa de 375 mililitros chegue ao consumidor final em dezembro, com o preço de R$ 18.
Para o sommelier de cervejas André Cancegliero, a "Saison de Caipira" será "uma cerveja de experimentação. Ninguém vai sentar no bar para tomar uma caixa dela".
A notícia veio daqui.

Bônus
Pergaminho (do Bar Morto?) com A História da Cerveja