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05 janeiro, 2024

Charles Bukowski, o poeta do caos

Bukowski nos TT
Ele era escrotíssimo? Era.
A escrita dele é interessante? É.
Os anos 70 foram muito loucos? Foram.
Este é o tuíte.

- E quando ninguém acorda você de manhã, e quando ninguém espera você à noite, e quando você pode fazer o que quiser. Como você chama isso, liberdade ou solidão?
- Já beijei mais garrafas do que pessoas e, sinceramente, uma ressaca dói menos que um desamor (Bukowski, para escandalizar os sóbrios).
- Então, fui para minha cama com aquela sensação que todos os bêbados conhecem bem: de que tinha sido um idiota, mas também à puta que pariu com isso.
- Você consegue se lembrar quem você era antes que o mundo lhe dissesse quem deveria ser?
- Mentiras maravilhosas. Era disso que precisavam. As pessoas eram idiotas, seria fácil pra mim assim.
- Escrever sobre um bloqueio de escritor é melhor do que não escrever nada.
- Se conseguiu enganar uma pessoa, não significa que ela seja tola. Isso significa que ela confiou em você mais do que você merecia.
- Amar é permitir que alguém possa destruí-lo. E confiar que isso não vai acontecer.
- Eu proponho um relacionamento aberto, mas aí você não fica com ninguém. Ninguém.

12 março, 2020

O ciclo do Caos

O Caos era um deus - um ser divino - ou simplesmente um estado de nada? Ou o Caos, como usaria a palavra hoje, era uma espécie de bagunça terrível, como o quarto de um adolescente ainda pior?
Pense no Caos talvez como uma espécie de grande bocejo cósmico.
Como num abismo de bocejo ou num vazio de bocejo.
Se o Caos trouxe vida e substância do nada ou se o Caos bocejou ou sonhou, ou a conjurou de outra maneira, não sei. Eu não estava lá. Você também, não. E, no entanto, de certa forma, estávamos, porque todos os pedaços que nos fazem estavam lá. É suficiente dizer que os gregos pensaram que era o Caos que, com uma enorme sacudida, ou com um grande encolher de ombros, ou soluço, vômito ou tosse, iniciou a longa cadeia de criação que terminou com pelicanos, penicilinas, cogumelos e sapos, leões-marinhos, focas, leões, seres humanos e narcisos e assassinato e arte e amor e confusão e morte e loucura e biscoitos.


Qualquer que seja a verdade, a ciência hoje concorda que tudo está destinado a retornar ao Caos. Chama isso de entropia inevitável do destino: parte do grande ciclo do Caos à ordem e de volta ao Caos. Suas calças começaram como átomos caóticos que, de alguma forma, se fundiram em matéria que se ordenou ao longo de eras em uma substância viva que, lentamente, evoluiu para uma planta de algodão que foi tecida no material bonito que embainha suas adoráveis pernas. Com o tempo, você abandonará suas calças - agora não, espero - e elas apodrecerão em um aterro ou serão queimadas. Em ambos os casos, sua matéria será libertada para se tornar parte da atmosfera do planeta. E quando o sol explodir e levar todas as partículas deste mundo, incluindo os ingredientes de suas calças, todos os átomos constituintes retornarão ao caos frio. E o que é verdade para as suas calças é verdade para você.
Então o Caos que começou tudo, também é o Caos que terminará tudo.

Stephen Fry, na abertura de "Mythos" - sua narrativa gloriosamente imaginativa e subversivamente engraçada dos mitos gregos clássicos.

Vídeos: La cosmovisión de la teoría del caos, pt.1/2 e pt. 2/2

13 julho, 2019

Corpo e Alma

Fernando Gurgel Filho
Dostoiévski, no livro "Os Irmãos Karamázov", intuía a unicidade do Universo, ou seja, que tudo que existe se interliga, por fazer parte de uma coisa só, dizendo: "...tudo se derrama e comunica, toca-se num lugar e isto repercute na outra extremidade do mundo".
Estudos científicos, que desaguaram na Teoria do Caos, vieram confirmar a intuição de Dostoiévski. Edward Lorenz, um dos expoentes da Teoria do Caos, dizia praticamente a mesma coisa: "O bater das asas de uma borboleta num extremo do globo terrestre, pode provocar uma tormenta no outro extremo..."
A única diferença de ambas as frases é o século em que foram ditas. "Os Irmãos Karamázov" foi lançado em 1880 e a frase de Lorenz é do início dos anos 60. Ou seja, passaram-se 80 anos para que a intuição de Dostoiévski fosse considerada dentro do arcabouço de Leis que regem o Universo.
Dostoiévski ia além, dizendo, no mesmo livro citado, que todos eram responsáveis por tudo e por todos, intuindo que qualquer ação humana, principalmente, traria consequências para todos os outros seres vivos.
Mas sua religiosidade não permitia que visse a unicidade do próprio ser humano, fazendo distinção entre "corpo" e "alma" como se existisse essa dicotomia. Ora, hoje sabemos que, o que chamamos de Alma, nada mais é que o resultado de processos do Corpo ao ser afetado pelas coisas que o cerca, como diria Spinoza.
Então, creio eu, que o grande mal da cultura ocidental ainda está na crença de que possa existir uma Alma e um Corpo como entidades distintas e que estas algum dia possam existir de forma independente. Na morte, por exemplo, como acreditam os religiosos.
Esta crença, entretanto, não causaria nenhum mal à humanidade se não fosse o fato de que a medicina findou por se bipartir em medicina do Corpo e em medicina da Alma, quando o ser humano deveria ser estudado e tratado como a unicidade que é. Assim, para mantermos a saúde física e mental, bem como para tratarmos de ambas, deveríamos sempre atentar para o que está afetando os nossos sentidos, refletindo nos nossos sentimentos e, portanto, no nosso corpo.
Os profissionais da saúde, principalmente os médicos, deveriam ter, em primeiro lugar, ou antes, em primeirísso lugar, uma formação que incluísse o entendimento das causas efetivas das doenças, ou seja, deveriam ser bons conhecedores da psiquê humana para entenderem que a maioria dos problemas físicos nada mais são do que reflexos de problemas do dia a dia que estão a afetar o paciente.
A medicina psicossomática tem caminhado neste sentido, mas, em minha opinião, ainda de forma tímida, porque não considera a unicidade do ser humano como o padrão a ser estudado, entendendo que apenas alguns fatores podem provocar alterações que resultam no que chamamos de doença. Porém, ao atentarmos para a unicidade do ser humano, creio que a medicina psicossomática deveria ser o padrão de estudos de todos os que trabalham com a área de saúde e bem-estar, principalmente na área das Ciências Médicas.

N. do E.
🙏Senhor, pode me dar 10 minutos do seu tempo? É para UM CAFÉ LÁ EM CASA.
Endereço - Body and Soul, Canal de Nelson Farias no YouTube, com Nelson Faria e Alexandre Carvalho.

16 maio, 2017

O efeito borboleta - 2

Em 1979, o professor de meteorologia Edward Lorenz, do MIT, apresentou um trabalho na 139ª Reunião Anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, com o título de "Predictability: Does the flap of a butterfly's wings in Brazil set off a tornado in Texas?" (Previsibilidade: Será que o bater das asas de uma borboleta no Brasil desencadeia um tornado no Texas?)
A ideia de que uma borboleta pode ter o efeito de uma onda de longo alcance em eventos subsequentes parece haver estreado em 1952, em um conto de Ray Bradbury sobre as viagens no tempo.


O efeito borboleta - 1

05 outubro, 2013

O caos nosso de cada dia...

geogente.wordpress.com/
Não sabemos em quem botar a culpa pelo caos no trânsito, mas, certamente, temos algumas pistas.
Basta olhar para os vidros dos carros. Do mais moderninho, novinho, potente, brilhante... Ao mais antiguim, vein, degavarzim, sujim...
Está lá: "Presente de Deus", "Deus está no comando", "Dirigido por mim, guiado por Deus", "Propriedade de Jesus".
E por aí vai a justificativa dos que andam a 20 km/h onde deveriam andar, no mínimo, a 80 km/h. Dos que trafegam devagar, quase parando, na faixa de ultrapassagem. Dos que fazem fila dupla, tripla, quádrupla, onde tem apenas duas pistas. Que está devagar justamente por causa de um outro "irmão". Dos que estacionam em qualquer lugar, desde que seja proibido. Etc., etc., etc...
Como o Detran não tem como fazer uma fiscalização rigorosa nas hostes celestes, para evitar tanta barbeiragem, resta-nos apenas, dirigir por nós e pelos motoristas que não assumem nem a responsabilidade pelos seus próprios atos. Precisam colocar a culpa em quem não pode ser responsabilizado e, pelo que se vê nas ruas, nunca soube dirigir o que quer que seja. Muito menos automóvel.
Lamentável essa interferência do Olimpo cristão em assunto tão complexo.