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03 junho, 2022

O renascimento da borracha

Em uma das minhas últimas viagens a Olímpia (SP), no final da década de 90, quando os tios ainda estavam vivos, constatei com surpresa a plantação de seringueiras em várias propriedades.
Não sei se progrediram.

~ Jaime Nogueira, ao me enviar este artigo de Lúcio Flávio Pinto:

O renascimento da borracha
Goianésia está se tornando um novo polo de produção de borracha natural no país. Não a Goianésia do Pará, mas a Goianésia do planalto goiano, que já possui 20 mil hectares de seringueiras plantadas. Até algum tempo atrás, essa façanha parecia impossível. A região de cerrado, com um período seco de cinco meses, era um desafio para uma espécie nativa da Amazônia, úmida e seca o ano inteiro.
Pesquisa de duas décadas da Embrapa encontrou uma saída tecnológica para superar essa dificuldade. Não no Brasil, que só usa 15 variedades da planta, mas em dois outros continentes. Da Ásia foram trazidos 63 clones, principalmente da Malásia, da Indonésia e da China. Mais 11 da África, da Costa do Marfim, E só 11 variedades do Brasil. Dos testes, resultaram 14 clones, nenhum deles do nosso próprio país.
O plantio experimental de 3 hectares numa das três propriedades particulares que receberam as mudas deu certo e agora já estão a caminho da produção. Numa delas, de 800 hectares, foram plantadas 386 mil seringueiras. Na expansão, para mais 800 hectares, o plantio será de 400 mil árvores. A produção é de três toneladas por hectare, mais do dobro da média nacional. Goiás será o terceiro maior produtor de borracha, abaixo de São Paulo (com 60% do total) e Minas Gerais.
A Amazônia, berço natural da seringueira, está fora do topo. Nada indica que poderá ter qualquer papel significativo no futuro. Ajustadas para o cerrado, as novas variedades estão consolidando a economia gomífera brasileiro, como mostrou reportagem de 12 minutos do Globo Rural da TV Globo, no domingo passado. O rendimento da borracha supera o da soja e dá um emprego a cada cinco hectares, gerando efeito para trás (na produção de mudas) e para frente (no beneficiamento da borracha bruta).
A natureza puniu a Amazônia neste capítulo, mas o Brasil pode ganhar ainda mais.
~ Publicado em Lúcio Flávio Pinto, em 31/05/2022

11 outubro, 2019

A noite das luzes mortais

Comentando a nota A busca de vida nos planetas que brilham (blog EM, data: 10/10/2019), Fernando Gurgel citou este artigo: Bioluminescência: o incrível e raríssimo fenômeno que só acontece aqui em Goiás (site Curta Mais, data: 27/10/2015, upgrade: 12/01/2019), em que "cupinzeiros ficam cheios de pontos brilhantes durante à noite, criando um cenário mágico e de encher os olhos".
"A busca de vida...", na verdade, fala em fluorescência. Vejamos o que distingue a fluorescência da luminescência:
A fluorescência é o fenômeno pelo qual uma substância emite luz quando exposta a radiações do tipo ultravioleta, raios catódicos ou raios X. As radiações absorvidas (invisíveis ao olho humano) transformam-se em luz visível, ou seja, com um comprimento de onda maior que o da radiação incidente. Este fenômeno ocorre usualmente em "tempo real", com o material fluorescente brilhando apenas enquanto exposto à fonte primária de energia.
Já a bioluminescência difere da biofluorescência (a fluorescência em um organismo vivo) por ser a produção natural de luz por reações químicas dentro de um organismo. Um vaga-lume e um tamboril são bioluminescentes.
Ainda há a biofosforescência que é semelhante à biofluorescência em sua exigência de comprimentos de onda de luz como um fornecedor de energia de excitação. A diferença aqui está na relativa estabilidade dos elétrons energizados.

Night of the deadly lights by Ary Bassous (Brazil). The Guardian

Em noites tranquilas e úmidas, os cupinzeiros do Parque Nacional das Emas, no cerrado brasileiro, brilham com estranhas luzes verdes. Estas são as iscas bioluminescentes das larvas de besouros que vivem nas camadas externas dos montes. Quando as condições são adequadas, eles saem de seus túneis. Acendendo seus "faróis", eles esperam as presas - geralmente cupins voadores que emergem para acasalar e procurar novos lugares para colonizar.