Emílio de Menezes deixou um rastro de anedotas, ainda não recolhidas com o devido cuidado histórico. É possível que algumas nem tenha sido criadas ou vividas pelo poeta e a comunicação oral já tenha aumentado mais alguns pontos nas sucessivas narrações. Mas as que aqui transcrevemos têm o sabor do humor emiliano.
IX
Uma tarde, estava Emílio de Menezes à porta da confeitaria Pascoal, em companhia de um amigo, quando passou pela calçada, arrogante, charuto ao queixo, um cavalheiro de alta representação, conhecido na cidade pela sua aversão ao pagamento das dívidas. Ferido pela soberba do tipo, Emílio voltou-se para o companheiro, perguntando-lhe, à queima-roupa:
– Em que se parece aquele sujeito com um botão?
O outro não atinou com a chave do enigma, e ele completou, perverso:
– É que ele também não paga a casa em que mora...
(Humberto de Campos - Discurso de recepção na Academia Brasileira de Letras, maio de 1920)
Na previsão dos próximos calores... | Beba do Emílio | Anedotário do EM: 1 e 2
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19 março, 2016
09 agosto, 2013
Anedotário do EM - 2
Emílio de Menezes deixou um rastro de anedotas, ainda não recolhidas com o devido cuidado histórico. É possível que algumas nem tenha sido criadas ou vividas pelo poeta e a comunicação oral já tenha aumentado mais alguns pontos nas sucessivas narrações. Mas as que aqui transcrevemos têm o sabor do humor emiliano.
V
O poeta visitava uma exposição agrícola e deteve-se a examinar alguns exemplares de espigas de milho, no pavilhão de cereais. Aparece a seu lado um amigo espirituoso que, sabendo das qualidades de Emílio como trocadilhista, quis antecipar-se e disse:
— É milho!…
Emílio nem sequer sorriu pela blague a ele dirigida e logo respondeu:
— Hum, estás com a veia, hoje?
O humorista improvisado percebeu que não poderia concorrer com a veia cômica de Emílio e fez menção de despedir-se e sair de fininho. Mas o poeta o interceptou:
— Não, não se evada.
E puxou-o até uma cadeia próxima, colocando-o sobre o assento.
— Pronto: sentei-o. Mas não te preocupes. A ti não intrigo, somente humilho.
VI
Apertado para aliviar a bexiga, correu até um terreno baldio. Muito gordo, estava terminando de desafogar-se quando um menino grita:
— Ih, eu vi seu negócio!
Emílio recompõe-se, chama o pirralho e lhe dá uma moeda:
— Tome, você merece! Há anos não o vejo…
VII
Certo médico. muito conceituado na profissão, há muito se candidatara a uma vaga na Academia
Brasileira de Letras.. Em uma roda, comentava-se sobre se ele conquistaria a cadeira.
— É mais que certo, — opinou Emílio; — Vocês compreendem: há muito tempo, que F. está fazendo uma cabala única para entrar para a Academia! Não há acadêmico que adoeça, mesmo levemente, que ele não se ofereça para ser seu médico assistente e de graça…
— Cavando o voto!… — interrompe um dos circunstantes.
E Emílio explica:
— Qual voto! Cavando a vaga…
VIII
Ainda estudante, Emílio se aborrecia com os discursos certo Professor Saboya, na sala de aula. Percebendo seu desinteresse, o mestre lhe pergunta:
— Senhor Emílio, defina a Sabedoria!
Resposta rápida:
— A sabedoria, professor, é algo que tem efetivamente muito peso… se colocada n’água, ela afunda.
— E a ignorância, então?
— A ignorância? Ora, essa boia!
Resposta de Manoel de Andrade
Cleto, eis mais duas do Emílio:
1ª- Já velho, com sua bengala, passeava com um amigo pela Avenida Nª. Sª. de Copacabana quando, ao longe, caminhando em direção a ambos, se aproximava uma jovem rebolando acintosamente seu belo corpinho. O amigo provocou Emílio e este, apontando a bengala à garota que passava, exclamou: bem galinha.
Mais adiante cruzaram com uma mulher grávida, que ao passar, novamente Emílio apontou sua bengala dizendo: bem galada.
2ª – Conta-se que uma vez, ao tomar o trem em São Paulo para voltar ao Rio de Janeiro, um amigo literato levou-o a estação e na despedida disse a Emílio: Adeus, insígne partinte. Ao que o poeta respondeu: Adeus, insígne ficante.
V
O poeta visitava uma exposição agrícola e deteve-se a examinar alguns exemplares de espigas de milho, no pavilhão de cereais. Aparece a seu lado um amigo espirituoso que, sabendo das qualidades de Emílio como trocadilhista, quis antecipar-se e disse:
— É milho!…
Emílio nem sequer sorriu pela blague a ele dirigida e logo respondeu:
— Hum, estás com a veia, hoje?
O humorista improvisado percebeu que não poderia concorrer com a veia cômica de Emílio e fez menção de despedir-se e sair de fininho. Mas o poeta o interceptou:
— Não, não se evada.
E puxou-o até uma cadeia próxima, colocando-o sobre o assento.
— Pronto: sentei-o. Mas não te preocupes. A ti não intrigo, somente humilho.
VI
Apertado para aliviar a bexiga, correu até um terreno baldio. Muito gordo, estava terminando de desafogar-se quando um menino grita:
— Ih, eu vi seu negócio!
Emílio recompõe-se, chama o pirralho e lhe dá uma moeda:
— Tome, você merece! Há anos não o vejo…
VII
Certo médico. muito conceituado na profissão, há muito se candidatara a uma vaga na Academia
Brasileira de Letras.. Em uma roda, comentava-se sobre se ele conquistaria a cadeira.
— É mais que certo, — opinou Emílio; — Vocês compreendem: há muito tempo, que F. está fazendo uma cabala única para entrar para a Academia! Não há acadêmico que adoeça, mesmo levemente, que ele não se ofereça para ser seu médico assistente e de graça…
— Cavando o voto!… — interrompe um dos circunstantes.
E Emílio explica:
— Qual voto! Cavando a vaga…
VIII
Ainda estudante, Emílio se aborrecia com os discursos certo Professor Saboya, na sala de aula. Percebendo seu desinteresse, o mestre lhe pergunta:
— Senhor Emílio, defina a Sabedoria!
Resposta rápida:
— A sabedoria, professor, é algo que tem efetivamente muito peso… se colocada n’água, ela afunda.
— E a ignorância, então?
— A ignorância? Ora, essa boia!
O imortal Emílio de Menezes, Banco da Poesia
Resposta de Manoel de Andrade
Cleto, eis mais duas do Emílio:
1ª- Já velho, com sua bengala, passeava com um amigo pela Avenida Nª. Sª. de Copacabana quando, ao longe, caminhando em direção a ambos, se aproximava uma jovem rebolando acintosamente seu belo corpinho. O amigo provocou Emílio e este, apontando a bengala à garota que passava, exclamou: bem galinha.
Mais adiante cruzaram com uma mulher grávida, que ao passar, novamente Emílio apontou sua bengala dizendo: bem galada.
2ª – Conta-se que uma vez, ao tomar o trem em São Paulo para voltar ao Rio de Janeiro, um amigo literato levou-o a estação e na despedida disse a Emílio: Adeus, insígne partinte. Ao que o poeta respondeu: Adeus, insígne ficante.
02 agosto, 2013
Anedotário do EM - 1
Emílio de Menezes deixou um rastro de anedotas, ainda não recolhidas com o devido cuidado histórico. É possível que algumas nem tenha sido criadas ou vividas pelo poeta e a comunicação oral já tenha aumentado mais alguns pontos nas sucessivas narrações. Mas as que aqui transcrevemos têm o sabor do humor emiliano.
I
Emílio de Menezes estava em um bonde, no Rio de Janeiro, quando entrou uma conhecida atriz que não lhe era muito simpática, mas que sempre o assediava, quando se encontravam. Ela procurou sentar no lugar vago a seu lado, mas o poeta lhe desencorajou com uma pronta observação, após verificar que havia lugares disponíveis mais atrás:
— Atriz atroz, atrás há três!
II
Em um de seus prediletos pontos de observação – a mesa de um bar – Emílio bebia com amigos quando vê passar uma pessoa com fama de conquistador, de nome Penha. Os amigos comentaram que Penha estava, no momento, sofrendo de males de amor não correspondido por uma mulher de duvidosa reputação. O poeta saiu-se com esta:
— Um homem que se diz Penha sofrendo por uma mulher que se disputa…
III
Mesmo cenário: Praça Osório, no centro de Curitiba. Postado em sua mesa, em um bar, com vista para a praça, Emílio vê uma senhora bastante obesa tentando acomodar a sua massa corporal em um banco de madeira. Mas o assento não suporta o peso e cede, para susto da untuosa dama. Emílio não demora a fazer sua observação:
— É a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos…
IV
Perguntam-lhe:
— Emílio, sabes qual a parte mais bonita do corpo da mulher?
— Sei-o!
I
Emílio de Menezes estava em um bonde, no Rio de Janeiro, quando entrou uma conhecida atriz que não lhe era muito simpática, mas que sempre o assediava, quando se encontravam. Ela procurou sentar no lugar vago a seu lado, mas o poeta lhe desencorajou com uma pronta observação, após verificar que havia lugares disponíveis mais atrás:
— Atriz atroz, atrás há três!
II
Em um de seus prediletos pontos de observação – a mesa de um bar – Emílio bebia com amigos quando vê passar uma pessoa com fama de conquistador, de nome Penha. Os amigos comentaram que Penha estava, no momento, sofrendo de males de amor não correspondido por uma mulher de duvidosa reputação. O poeta saiu-se com esta:
— Um homem que se diz Penha sofrendo por uma mulher que se disputa…
III
Mesmo cenário: Praça Osório, no centro de Curitiba. Postado em sua mesa, em um bar, com vista para a praça, Emílio vê uma senhora bastante obesa tentando acomodar a sua massa corporal em um banco de madeira. Mas o assento não suporta o peso e cede, para susto da untuosa dama. Emílio não demora a fazer sua observação:
— É a primeira vez que vejo um banco quebrar por excesso de fundos…
IV
Perguntam-lhe:
— Emílio, sabes qual a parte mais bonita do corpo da mulher?
— Sei-o!
O imortal Emílio de Menezes, Banco da Poesia
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