31 março, 2024

Na maior fossa

David Penfold
https://mastodon.social/@davep@infosec.exchange
Como violinista faço muitos espectáculos. Recentemente, um agente funerário pediu-me para tocar na cerimónia fúnebre de um sem-teto. Ele não tinha família nem amigos, pelo que a cerimónia teria lugar num cemitério de pobres no interior de Dorset.
Como não estava familiarizado com as estradas rurais, perdi-me e, sendo um homem típico, não parei para pedir informações.
Cheguei finalmente com uma hora de atraso e vi que os agentes funerários tinham ido embora e que o carro funerário não estava à vista. Só restavam os escavadores que estavam a almoçar.
Senti-me mal e pedi desculpa aos homens por ter chegado atrasado. Fui para o lado da campa e olhei para baixo e a tampa do jazigo já estava no local. Não sabendo mais o que fazer, comecei a tocar.
Os trabalhadores pararam o almoço e juntaram-se para escutar. 
Toquei com o meu coração e com a minha alma por este homem sem família nem amigos. Toquei para este sem-teto como nunca havia tocado antes.
E enquanto eu tocava "Amazing Grace" (vídeo), os trabalhadores começaram a chorar. Eles choraram, eu chorei, choramos todos juntos. Quando terminei, peguei no meu violino e dirigi-me para o meu carro. Embora a minha cabeça estivesse baixa, o meu coração estava cheio.
Quando abri a porta do meu carro, ouvi um dos trabalhadores dizer: "Nunca vi nada igual nesses vinte anos em que construo fossas sépticas."

Nenhum comentário: