Mostrando postagens com marcador decreto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador decreto. Mostrar todas as postagens

07 agosto, 2020

O "pijânio"

O presidente Jânio Quadros ocupou o Palácio do Planalto por rápidos sete meses, em 1961. Ele ficou célebre por ter inexplicavelmente renunciado ao cargo. Apesar do governo curto, ele baixou uma série de decretos polêmicos. Jânio vetou as corridas de cavalo no meio da semana e colocou as brigas de galo na ilegalidade. As misses foram proibidas de desfilar nos concursos usando maiôs cavados. Nem mesmo as repartições públicas escaparam das canetadas indiscriminadas do presidente.
Em março, Jânio baixou um decreto criando um modelo de uniforme que os funcionários públicos federais passariam a usar, de humildes motoristas de repartição a graduados professores universitários. O uniforme era um blusão com quatro bolsos e cinto. O modelo dos homens incluía calça; o das mulheres, saia. Esse tipo de blusão era conhecido como slack e se assemelhava a uma roupa de safári. Era um corte que o próprio presidente gostava de trajar. O decreto estabeleceu, no entanto, que o uso seria facultativo.
O jornal Última Hora, do Rio, anunciou a novidade prevendo que a aceitação entre as mulheres seria total: "Acredita-se que haja mesmo uma competição entre as entusiastas no sentido de quem será a primeira a comparecer uniformizada à sua repartição, fato que poderá transformar-se em concurso. Com três slacks, a funcionária poderá passar um ano inteiro bem-vestida".
Para não haver erro, o Diário Oficial publicou as medidas exatas e as cores das peças. Elas poderiam ser compradas prontas em lojas ou encomendadas a costureiras.
O entusiasmo inicial, porém, logo passou. O uniforme passou a ser pejorativamente chamado de "pijânio" — mistura de "pijama" e "Jânio".

Fonte: Agência Senado (ler a íntegra)

16 janeiro, 2015

Um decreto religioso contra os bonecos de neve

Clérigo proíbe a construção de bonecos de neve que se pareçam com seres humanos
Consultado, se os pais poderiam construir bonecos de neve para os seus filhos, depois de uma tempestade de neve que houve no norte do país, o líder religioso Mohammed Saleh al-Munajjid respondeu:
"Não é permitido fazer uma estátua de neve mesmo para brincar e se divertir."
Citando estudiosos muçulmanos, Munajjid argumentou que construir um boneco de neve seria criar uma imagem de um ser humano, uma ação considerada pecaminosa sob a interpretação do islamismo sunita.
"Deus deu às pessoas o espaço para fazer o que quiserem, mas que não tenha uma alma, como árvores, navios, frutas, edifícios e assim por diante", escreveu o proeminente clérigo em sua fatwa (decreto religioso) de inverno.
Nessa cruzada (epa!) que empreende contra os bonecos de neve, Munajjid tem apoiantes. "Quem faz bonecos de neve está imitando os infiéis, que promovem a luxúria e o erotismo", escreveu um deles.
Com o tempo frio que varre o Oriente Médio, a neve cobriu as montanhas da província de Tabuk, perto da fronteira da Arábia Saudita com a Jordânia, o que está a acontecer pelo terceiro ano consecutivo.
É uma pena, crianças.

02 outubro, 2007

Sem justa causa

Leiam:

Decreto nº 28.314, de 28 de setembro de 2007
"Demite o gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O governador do Distrito Federal, no uso das atribuições que lhe confere o artigo100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1° - Fica demitido o gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° - Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º - Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º da República e 48º de Brasília

JOSÉ ROBERTO ARRUDA"

Sr. Governador:

O gerúndio, esta simpática forma nominal do verbo, não é algo que se demita ad nutum. Pois integra, desde tempos imemoriais, o patrimônio oral do povo brasileiro e como tal deve ser respeitado (não digo cultuado). O que o senhor fez, com a publicação desta lei, foi exercitar o seu pensamento mágico. E mostrar que, com essa confusão de significado com significante, não é lá tão esperto assim. Haja vista que demite o gerúndio... para não dispensar os seus auxiliares considerados ineficientes. Talvez fosse o caso de o senhor procurar algum burgo em Portugal (onde as pessoas usam o infinitivo no lugar do gerúndio) para o início de uma nova governadoria. Sem preocupações desta espécie.
Quanto à sua famigerada lei, VAMOS ESTAR PROVIDENCIANDO o envio para ser também publicada no Febeapá, em uma edição revisada e atualizada do livro.
Ass. BPG