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23 dezembro, 2012

Lápis feitos de jornais velhos

Desmatamento e produção de lixo são dois grandes problemas ambientais da atualidade. Contribuindo para reduzir esses problemas, uma empresa estadunidense fabrica lápis a partir de jornais velhos e usando uma técnica que não leva nenhum poluente.E desde 1988, vem produzindo esses lápis (imagem) de jornais reciclados.
Os jornais velhos são recolhidos, cortados, misturados com uma solução não tóxica e, a seguir, são enrolados com o grafite. Graças a esse processo, jornais deixam de ir para o lixo e árvores são poupadas.

07 janeiro, 2010

Santa leitura

por Érico e Paulo Gurgel

Filho e pai, respectivamente, reunidos na primeira psicografia inter vivos do mundo. Uma crônica em que os autores, inicialmente pensando em ganhar o primeiro prêmio (viagem à Disneylândia, com direito a acompanhante) da Associação Nacional de Jornais, contentaram-se depois com a sua publicação, em 1994, no Jornal do Leitor.

Eis uma cena do início de minha vida, que se repetia todos os dias e da qual estou hoje a me lembrar: meu pai, sentado no sofá principal da sala, a ler com grande interesse o jornal. Perto dele, o guri que lhes fala, entretido com algum brinquedo no chão, embora, de quando em quando, desviasse a atenção para ver o velho. Sem que este, absorto em sua leitura, pudesse ao menos suspeitar de estar sendo o alvo de minha intermitente admiração. Naqueles fugidios instantes em que eu relaxava na atenção aos brinquedos, obviamente.
Sempre que possível eu evitava interrompê-lo em sua santa leitura. Ao contrário do que fazia minha mãe, a matraquear um assunto atrás do outro, sem ao menos se tocar para a inconveniência da hora. E bem feito porque ele sempre a desouvia!
Ainda pouco me entendia por gente, mas recordo também que aquilo me perturbava. Meu pai dedicar parte de seu tempo a um punhado de folhas impressas, ainda por cima capazes de manchar o sofá novo, como se queixava minha mãe. E, mais: ao fazer aquilo ele se comportava, para os meus tenros olhos, feito um estranho. Um ser sob alguma ação hipnótica porque, naquelas horas, podia o teto da casa vir abaixo. Que o velho, certamente, não ia perder tempo levantando a vista do jornal. Nem para apreciar o novo teto solar com que a casa acabara de ser contemplada.
Intrigava-me saber que força misteriosa possuía o jornal. A ponto de um ser humano, muita vez de forte personalidade, entregar-se a ele como se fora um escravo. Com o tempo, porém, identifiquei existir no ser humano uma especial fragilidade, que é a carência orgânica de informação. Exatamente o que o jornal tem de sobra. E que, para que aconteça a consentida dominação jornal-leitor, não hesita em nos passar diariamente. O seu produto informação, sob as mais diversas apresentações: editorial, reportagens, colunismo social, charges, publicidade etc.
Uma vez sonhei com papai sendo levado, contra a vontade, a uma redação de jornal. E o desfecho dessa experiência onírica, se alguém quer saber, foi a redação ficar só escombros. Porque papai, qual um bíblico Sansão, no fim derrubou suas colunas.
No entanto, nem tudo acontece como a gente sonha. E, sem haver sofrido arranhões nesse meu sonhar, papai continuou... vida boa não quer pressa. A ler o seu jornalzinho no sofá (por vezes, à mesa da sala de jantar), apenas lhe faltando um cachimbo na boca para compor a cena clássica. E, quando me formei em "doutor do ABC", papai me deu a ler um suplemento infantil do jornal. Que eu li com grande satisfação, bem na frente de um enciumado aparelho de televisão.
Pronto, naquele momento estava inaugurado o meu novo hábito!

Termine com esta santa leitura no Preblog.

07 abril, 2009