Veio do espaço
Segundo uma pesquisa publicada na revista norte-americana "Meteoritics e Planetary Science", o punhal encontrado junto à múmia de Tutancâmon foi, de fato, feito com material vindo de um meteorito.
Desde 1925, cientistas tentavam comprovar as "lendas" egípcias que citavam o "ferro que caiu do céu". Agora testes científicos feitos com técnicas de fluorescência de raios X indicaram que a lâmina contém 10% de níquel e 0,6% de cobalto, concentrações de substâncias encontradas em meteoritos metálicos.
O estudo também confirmou o valor que os antigos egípcios davam para o ferro dos meteoritos, usados para a produção de objetos preciosos, como o punhal do faraó.
O faraó Tutancâmon, conhecido como "faraó menino", se tornou a múmia mais famosa do mundo e tem sido alvo de curiosidade de diversos historiadores que desejam desvendar mais mistérios sobre aquele que foi o mais jovem mandatário do antigo Egito. Falecido aos 19 anos, em 1.324 a.C, ele reinou por nove anos.
Utilização do ferro meteorítico
O mineral de ferro puro nativo praticamente não existe na superfície da Terra. Antes do domínio do processo de transformação do minério de ferro (hematita) em ferro por volta de 1.200 a.C., os meteoritos foram utilizados como fonte de ferro, podendo ser reconhecidos nos artefatos antigos por conter níquel. Assim, as armas de ferro que revolucionaram as guerras, e o ferro que implementou a agricultura, teriam sido obtidos em grande parte do ferro meteorítico
O ferro meteorítico foi encontrado em numerosos sítios arqueológicos antigos, desde a Suméria cujos artefatos com este metal datam mais de 4,5 mil anos. Inclusive na tumba de Tutancâmon foi encontrada uma adaga de ferro meteorítico.
Mesmo após o advento da metalurgia do ferro, cujo produto ainda não era de boa qualidade, os meteoritos continuaram a ser utilizados em espadas e amuletos para reis, conquistadores e sacerdotes. Isso se deu não apenas pelo fato da qualidade do aço ser superior e mais resistente aos metais forjados na época, mas sobretudo por ser proveniente de fenômeno considerado sagrado desde a mais remota antiguidade, sendo o ferro meteorítico considerado presente dos deuses aos homens, ou melhor, aos reis e sacerdotes.
Têm-se na história espadas lendárias, sendo Excalibur a mais famosa, a espada mágica do rei Artur que, segundo a lenda, fora retirada de uma pedra. Átila, o Huno ou Flagelo de Deus, tinha a "espada de Marte". No Japão, Kusanagi-no-Tsurugi era uma espada lendária, tal como Excalibur, também chamada Ama-no-Murakumo-no-Tsurugi (Espada das nuvens do céu). Esses nomes insinuam fortemente uma origem celeste, isto é, seriam espadas feitas de ferro meteorítico. A espada que Joana d’Arc achou atrás de um altar seria também de ferro meteorítico. Em 1814 o czar Alexandre recebeu de presente uma espada forjada por James Sowerby de um meteorito do cabo da Boa Esperança (Sears, 1975).
Aqui no novo continente os maias, incas e astecas também tinham o conhecimento do uso do ferro meteorítico. Quando Hernán Cortés, o conquistador espanhol perguntou aos chefes astecas de onde obtinham suas facas, eles lhe apontaram o céu.
Até muito recentemente, o ferro meteorítico era também utilizado pelos malaios e indonésios para a produção de uma arma que ainda hoje faz parte da indumentária (especialmente nas festas) daquele arquipélago, as Keris ou Kris.
Em 1818, na expedição que buscava a passagem marítima do Atlântico para o Pacífico através do arquipélago ártico canadense, o explorador John Ross encontrou membros de tribo da Groelândia usando pontas de arpões e facas feitas de ferro meteorítico. Os nativos, no entanto, não queriam revelar a fonte do ferro. Cinco expedições de 1818 a 1883 falharam em encontrar o local considerado sagrado, até que Robert Peary conseguiu trocando algumas pistolas com um guia local, que o levou à fonte do ferro que eles chamavam a Tenda (Ahnighito) pesando 31 t, a Mulher 2,5 t e o Cão 0,5 t. Todas essas partes desse enorme meteorito foram transportadas para o Museu de História Natural de Nova Iorque.
Referências
Veio do espaço: punhal de Tutancâmon é mesmo feito de ferro de meteorito.
In: https://noticias.uol.com.br/ciencia/ultimas-noticias/redacao/2016/06/02
Zucoloto, M. E. (MN/UFRJ), Breve histórico dos meteoritos brasileiros, 4-5. In: www.mast.br
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19 agosto, 2019
10 janeiro, 2013
O peixe da sorte
Anemia ferropriva é um problema sério no Camboja. Chris Charles, um estudante da Universidade de Guelph, no Canadá, tentou persuadir as pessoas de uma aldeia a aumentar a quantidade de ferro na alimentação. Uma solução simples seria a de pôr pedaços de ferro dentro de panelas, mas Charles encontrou séria resistência a essa idéia. E a solução que, ao final, ganhou ampla aceitação foi a de moldar o ferro como um peixe que a população considerava que trazia sorte.
"Nós projetamos que o peixe de ferro teria de 3 a 4 centímetros de comprimento. Assim, seria pequeno para ser mexido facilmente na panela, mas grande o suficiente para fornecer até cerca de 75 por cento das necessidades diárias de ferro por pessoa", disse Charles.
Um metalúrgico local produziu esses peixes de ferro por US $ 1,50 cada. Eles estão sendo utilizados há três anos com resultados animadores na prevenção e tratamento da anemia.
Uma lição de marketing social.
Lucky Iron Fish Saves Lives in Cambodia por John Farrier. In: Neatorama
01 novembro, 2012
A bordadeira de ferro
Cal Lane, 39 anos, artista canadense transforma objetos rudes do cotidiano em maravilhosas obras de arte. Em suas mãos, um objeto de ferro grosseiro e pesado adquire um aspecto inesperado - de como se ele tivesse, por exemplo, delicadas rendas.
Fica-se impressionado com a beleza que ela "descobre" num trambolho de ferro.
Nesta imagem, retirada do blog Trapitos de Colores, Cal Lane aparece trabalhando sobre uma velha caldeira.
Trabalhando sem proteção respiratória, atentar para isso, em uma ocupação considerada de risco para a siderose pulmonar!
A siderose pulmonar (imagem radiológica) pode acometer trabalhadores expostos a atividades extrativas de minério de ferro (hematita, magnetita, limonita), produção de pigmentos naturais contendo óxidos de ferro em tintas e pisos, metalurgia de aço, ferro e ligas, solda a arco elétrico e oxietileno, polimento de metais com óxidos de ferro em cutelaria de aço e prata e outras atividades afins.
Apesar de ser uma pneumopatia ocupacional "benigna", há sempre a possibilidade de que, além das partículas de ferro geradas pela ocupação, a pessoa exposta possa também inalar outras poeiras minerais, como a silica, o que pode então conferir gravidade à doença.
Espero que Cal Lane não trabalhe sempre desse modo.
RELATO DE CASO
Souza, MB, Garcia, GF e Maciel, R. Siderose pulmonar. J Pneumol 24(1) – jan-fev de 1998.
Fica-se impressionado com a beleza que ela "descobre" num trambolho de ferro.
Nesta imagem, retirada do blog Trapitos de Colores, Cal Lane aparece trabalhando sobre uma velha caldeira.
| Die Lunge im Netz |
A siderose pulmonar (imagem radiológica) pode acometer trabalhadores expostos a atividades extrativas de minério de ferro (hematita, magnetita, limonita), produção de pigmentos naturais contendo óxidos de ferro em tintas e pisos, metalurgia de aço, ferro e ligas, solda a arco elétrico e oxietileno, polimento de metais com óxidos de ferro em cutelaria de aço e prata e outras atividades afins.
Apesar de ser uma pneumopatia ocupacional "benigna", há sempre a possibilidade de que, além das partículas de ferro geradas pela ocupação, a pessoa exposta possa também inalar outras poeiras minerais, como a silica, o que pode então conferir gravidade à doença.
Espero que Cal Lane não trabalhe sempre desse modo.
RELATO DE CASO
Souza, MB, Garcia, GF e Maciel, R. Siderose pulmonar. J Pneumol 24(1) – jan-fev de 1998.
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