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23 dezembro, 2022

Um pouco de humor no diário

Em sua versão fictícia do "Diário de John Adams", o humorista Bill Nye (Edgar Wilson Nye) incluiu esta passagem:
"Não creio que uma piada prejudique a utilidade de um diário, como alguns acham. Um diário com uma piada é tão bom para deixar à posteridade quanto outro que não o esteja. Na verdade, o que a posteridade já fez por mim para que eu hesitasse em colocar um pouco de humor em um diário? Quando foi que a posteridade se esforçou para me fazer um favor? Nunca! Desafio o historiador a mostrar um único caso em que a posteridade tenha sido a primeira a reconhecer e remunerar o talento."
Diários x Blogs
A principal distinção entre diários e blogs os contrapõe de maneira inconciliável. Diários pessoais se voltam para o intrapessoal, têm como destinatário o próprio autor. Blogs, por outro lado, visam o interpessoal, o grupal. Embora existam também os blogs confessionais, que são vistos como diários que migraram para a tela do computador.

04 julho, 2022

Grandes diaristas

Robert William Shields (17 de maio de 1918 - 15 de outubro de 2007), de Dayton, Ohio, foi um professor de inglês do ensino médio mais conhecido por escrever um diário de 37,5 milhões de palavras, em que narrava cada cinco minutos de sua vida, de 1972 até ser incapacitado por um acidente vascular cerebral em 1997.
Acreditando que interromper seu diário seria como "desligar minha vida", ele ficava quatro horas por dia no escritório, na varanda dos fundos, de cueca, registrando sua temperatura corporal, pressão arterial e medicamentos que tomava, descrevendo sua micção e evacuações e dormindo por apenas duas horas de cada vez para que pudesse descrever seus sonhos. O New York Times resumiu o diário como sendo sobre qualquer coisa "desde trocar lâmpadas a refletir sobre Deus e ir ao banheiro". Ele também deixou amostras dos pelos do nariz para estudos futuros . Após seu derrame em 1997, Shields tentou continuar o diário fazendo sua esposa escrever o que ele lhe disse para escrever, mas ela não teve a compulsão e a energia para fazê-lo e parou logo depois.
Uma página do diário de Shields (fonte: Story Corps):


O diário de Shields, que encheu 91 caixas, era mais longo do que os mantidos pelo jornalista Edward Robb Ellis (21 milhões de palavras), pelo poeta Arthur Crew Inman (17 milhões de palavras), e 30 vezes mais longo do que o de Samuel Pepys (1,25 milhão de palavras).

21 março, 2009

O que os pets escrevem em seus diários

Do diário de um cão
8h - Biscoitos para cão, adoro!
9h30 - Um volta de carro, adoro!
9h40 - Um passeio no parque, adoro!
10h30 - Ser afagado, adoro!
12h - Almoçar, adoro!
13h - Correr no quintal, adoro!
15h - Abanar a cauda, adoro!
17h - Morder meu osso de brinquedo, adoro!
19h - Brincar de bola, adoro!
20h - Ver televisão com meus donos, adoro!
23h - Dormir na cama com eles, adoro!

Do diário de um gato
Meus algozes continuam me insultando com pequenos e bizarros objetos que balançam em minha frente. Eles jantam carne fresca enquanto me oferecem umas bolotas secas e intragáveis, uns tais nuggets
Apesar de meu repúdio, por razões perfeitamente claras eu devo comê-las para me manter forte.
A única coisa que me faz prosseguir é o meu sonho de fuga. Para mostrar o meu desagrado com eles, mais uma vez eu vomitei no tapete da sala.
Ontem, eu arranquei a cabeça de um rato e larguei o seu corpo decapitado junto a seus pés. Era minha intenção amedrontá-los, dando-lhes uma demonstração das atrocidades que eu sou capaz de cometer. Entretanto, eles se limitaram a comentar que eu era um grande caçador. Bastardos!
Na noite passada, houve uma espécie de reunião com seus cúmplices. Fui confinado num lugar solitário enquanto durou o encontro. De lá eu podia ouvir os ruídos e sentir os odores das comidas. Entreouvi que o meu confinamento se devia a um problema de alergia. Devo aprender o que isso significa para tirar alguma vantagem desse problema.
Hoje, eu fui quase bem sucedido na tentativa de assassinar um dos meus algozes, enroscando-me em seus pés. E devo tentar isso novamente amanhã, porém lá no topo da escada.
Eu estou convencido de que os outros prisioneiros aqui não são nada confiáveis. O cão recebe privilégios especiais. Ele é regularmente solto, mas retorna a seguir. É um retardado mental, obviamente. E o pássaro deve ser um reles informante. Observo que ele se comunica com seus captores, regularmente. Ah, tenho certeza de que ele vem relatando cada movimento que eu faço. E meus algozes o custodiam numa jaula, que é colocada em local elevado onde ele se sente seguro. Não por muito tempo...

"What pets write in their diaries", de Chippycap, Scribd. Versão para o português de PGCS.