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19 maio, 2016

Lesões humanas relacionadas a coqueiros


Resumos
As quedas de cocos podem causar lesões na cabeça, costas e ombros. Uma revisão das admissões por trauma no Hospital Provincial, em Alotau, Milne Bay Province, Papua Nova Guiné, referente a um período de 4 anos, revelou que 2,5% dessas internações foram de pacientes atingidos por cocos. Os coqueiros alcançam na maturidade uma altura de até 35 metros, e um coco com a respectiva casca pode pesar de 1 a 4 quilos. Golpes na cabeça por cocos com uma força superior a 1 tonelada métrica são possíveis. Quatro pacientes com ferimentos na cabeça por quedas de cocos são aqui relatados. Em dois deles, a craniotomia foi necessária. Dois outros morreram, instantaneamente, em suas aldeias depois de atingidos pelos cocos.
J Trauma. 1984 novembro; 24 (11): 990-1.
Lesões devido aos cocos que caem.
Barss P.

Outro estudo, realizado no Hospital de Referência Central das Ilhas Salomão, sobre os pacientes que foram admitidos no Departamento de Cirurgia e Ortopedia, entre janeiro de 1994 e dezembro de 1995, foi mais abrangente:
Do total de pacientes admitidos no Departamento, 3,4% deles apresentavam lesões relacionadas a coqueiros. Oitenta e cinco pacientes haviam caído de um coqueiro, dezesseis pacientes tiveram a queda de um fruto do coqueiro sobre eles, três pacientes tiveram a queda de um coqueiro sobre eles e um paciente havia chutado um coqueiro.
ANZ J Surg. 2001 Jan;71(1):32-4.
Coconut palm-related injuries in the Pacific Islands.
Mulford JS1, Oberli H, Tovosia S.

Beware of falling Coconuts

Você sabia?
Mais pessoas morrem devido a quedas de cocos do que a ataques de tubarões.

16 fevereiro, 2012

A aposta

por Fernando Gurgel Filho
Tem turista que beira o ridículo ao explorar as habilidades dos moradores do lugar. Estes querem apenas um pouco de atenção e, óbvio, ganhar uns trocados. Sabedores disso, alguns turistas chegam a ser muito cruéis e os exploram ao máximo.
Em uma barraca de praia, em Ilhéus, um dos atendentes era o Chicão, que gostava de exibir seu conhecimento de TODAS as capitais de TODOS os países do mundo.
Mas a sua maior habilidade era a de quebrar cocos com a mão. Sua habilidade era tanta que, segundo ele, se exibiu até no Fantástico.
Hoje está adoentado e abandonado à própria sorte.
Quando estava no auge, um belo dia, um grupo de turistas resolveu se divertir com o Chicão, dando-lhe um dos cocos mais duros que encontraram:
- Duas cervejas se você conseguir quebrar este!
Chicão topou, quebrou o coco com alguma dificuldade, nós dos dedos sangrando e as máquinas fotográficas dos turistas explodindo de alegria.
Um cliente antigo do Chicão, sentado numa mesa ao lado, ficou incomodado com a cena e chamou o Chicão:
- Aposta com esses idiotas que eu, Zeildo, negão baiano, jogo um coco para o alto e pego no dente.
Chicão, mesmo contra a vontade porque não queria que seu protetor se ferisse, fez a aposta e, claro, os turistas toparam imediatamente.
Zeildo chegou e acertou os detalhes, repetindo:
- Vou jogar um coco para o alto e pegar no dente. Todos de acordo?
Todos concordaram.
- Outra coisa, a aposta é com o Chicão, eu não quero nada.
Apenas uma senhora mais bem intencionada pediu para o Zeildo desistir, pois "tinha uns dentes tão bonitos" e falou que não queria ver aquilo.
Os outros não deram bola, queriam ver sangue e o Zeildo pediu para escolherem o coco. Deram-lhe um dos maiores e mais pesado. Zeildo tomou-o na mão direita e os turistas apontaram suas máquinas fotográficas. Fez que procurava a direção do vento com o indicador da mão esquerda, virou para o outro lado e os turistas todos se posicionaram em sua frente. Juntou mais turistas de outras mesas. Balançou o coco para cima e para baixo, observou novamente a direção do vento e, vagarosamente, virou para o lado da praia, com os turistas correndo para pegarem o melhor ângulo. Pediu para o pessoal se afastar um pouco, abrindo uma roda na sua frente. Sob intenso pipocar de flashes e gritos de alegria Zeildo, por fim, jogou o coco o mais alto que podia.
Colocou a mão direita nas costas e, com a mão esquerda, pegou no dente da frente.
Quando o coco desceu, numa velocidade vertiginosa, mais flashes e mais gritos.
O coco caiu no chão.
Silêncio total, as máquinas fotográficas paralisadas sob o olhar abobalhado dos turistas.
- Cadê?, falou alguém, entre acanhado e perplexo.
Ante a gargalhada do Chicão, que entendeu a brincadeira, Zeildo mostrou a todos que ainda estava pegando no dente.
Os dois quase foram linchados, os turistas deram queixa ao dono da barraca, pois "estavam sendo feitos de bobos", mas Zeildo exigiu o pagamento da aposta para o Chicão.
Um dos turistas mais exxxpertos gritou:
- Deixa de onda, cê falou que ia agarrar o coco com os dentes e não fez nada disso!
Zeildo pediu gentilmente para não mudarem o que foi combinado:
- Todos aqui devem se lembrar que falei apenas que ia jogar um coco para o alto e pegar no dente, certo? Então? Joguei o coco bem alto e ainda fiquei um tempão pegando no dente para dar tempo de todos fotografarem, não fiquei? Portanto, meus caros, trato cumprido, favor pagarem a aposta para o Chicão.
A confusão aumentou, mas, no fim, os turistas, quase fora de si, se descabelando e desmoralizados, foram obrigados a pagar a aposta para os nativos.
Que se divertiram com as cervejas grátis e se divertem até hoje com a história.