A sinestesia – do grego
syn (junção) +
esthesia – (sensação) é a transferência de uma sensação sugerida por um sentido para outro sentido.
Leia este trecho de uma obra de Mário de Andrade:
"Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema."
No período acima, Mário misturou diferentes tipos de sensações: visuais, olfativas e gustativas. A isso chamamos sinestesia, figura de linguagem que consiste em agrupar e reunir sensações originárias de diferentes órgãos do sentido.
Leia estes outros exemplos:
"Vamos respirar o ar verde do outono." (autor desconhecido)
(respirar = olfato / verde = visão)
"Sempre havia, ao amanhecer, uma cor estridente no horizonte." (Giuliano Fratin)
(cor = visão / estridente = audição)
"E um doce vento, que se erguera, punha nas folhas alagadas e lustrosas um frêmito alegre e doce." (Eça de Queirós)
(vento = tato / doce = paladar / frêmito = tato / doce = paladar)
"A melodia do pianista era doce e rósea em suas sublimes imensidões." (Giuliano Fratin)
(melodia = audição / doce = paladar / rósea = visão)
"Estende a mão trazendo a chuva, tocando o som do trovão." (Tiago Iorc)
(tocando = tato / som= audição)
A
sinestesia, que também é aplicável à descrição de fenômenos provocados por condições neurológicas, não deve ser confundida com a cinestesia. A
cinestesia diz respeito à capacidade em reconhecer a localização espacial do corpo, sua posição e orientação, a força exercida pelos músculos e a posição de cada parte do corpo em relação às demais, sem utilizar a visão.
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