14 março, 2026

Stølum e os rios

"Nenhum homem pode banhar-se duas vezes no mesmo rio… pois, na segunda vez, o rio já não é o mesmo, tampouco o homem." Heráclito de Éfeso.

"Os rios atravessam nossas civilizações como fios em um colar de pérolas”, escreveu Olivia Laing. "Há um mistério nos rios que nos atrai, pois eles nascem de lugares escondidos e percorrem as rotas que nem sempre serão as mesmas."

"O tempo é um rio que me arrasta, mas eu sou o rio." JL Borges

"Os rios que atravessam uma cidade também atravessam a infância de quem cresce nela." Renata Rossi

"Rio, caminho que anda e vai resmungando talvez uma dor." Luís Antônio, em "Eu e o rio"

Em 1996, o geólogo da Universidade de Cambridge, Hans-Henrik Stølum, publicou um artigo anunciando sua descoberta surpreendente de que pi também impulsiona, sempre impulsiona, os caminhos sinuosos dos rios do mundo a continuarem seus meandros aparentemente caóticos — em um padrão matematicamente previsível. Sua simulação, usando dados empíricos e modelagem de dinâmica de fluidos, descobriu que os caminhos oscilantes dos rios — sua sinuosidade, calculada dividindo-se o comprimento real dos meandros do rio pelo comprimento da linha reta traçada da nascente ao mar — têm uma média de 3,14.

13 março, 2026

Um título: duas canções

Ó abre alas
1 - de Chiquinha Gonzaga (1899)
Um marco na obra de Chiquinha Gonzaga, a marcha Ó abre alas foi composta em 1899, despretensiosamente, para um cordão carnavalesco que ensaiava próximo a sua casa. Sua biografia revela também que foi a primeira música feita especialmente para o carnaval.
2 - de J. Piedade e Jorge Faraj
http://chiquinhagonzaga.com/wp/o-abre-alas-mesmo-titulo-dois-compositores/

Nova ilusão
1 - de Pedro Caetano e Claudionor Cruz
intérpretes: Paulinho da Viola, Zélia Duncan
2 - de Zé Menezes e Luiz Bittencourt
intérpretes: João Gilberto, Os Cariocas
http://blogdopg.blogspot.com/2023/03/novas-ilusoes.html

O que será?
1 - de Chico Buarque 
 ("À flor da pele", no álbum "Geraes")
2 - de Chico Buarque
("À flor da terra", no álbum "Meus caros amigos")
http://youtu.be/zXJciCo86kU?si=c5V1liQG5ewwjVih
Wikipédia
 
Meu vício é você
1 - de Adelino Moreira
intérprete: Nelson Gonçalves
2 - de Chico Roque e Carlos Colla
intérprete: Alcione

12 março, 2026

Não se pode explodir o Sol

"Quando a economia global depende de um recurso centralizado e combustível, os mísseis fazem mais do que simplesmente cortar o fornecimento de energia ou interromper o transporte marítimo. Eles abalam os próprios alicerces da estabilidade global." (Greenpeace)
Não se trata apenas de emissões de carbono ou metas climáticas. Trata-se de resiliência, segurança e sobrevivência.
Eis por que uma transição descentralizada, liderada por energias renováveis, é um caminho para a proteção vital e a segurança econômica:
  1. Fortalecendo a rede: Não se pode "explodir" o Sol. É incrivelmente difícil desativar uma rede descentralizada de milhões de painéis solares em telhados. A energia distribuída é inerentemente mais resistente à sabotagem do que um punhado de usinas térmicas enormes e vulneráveis.
  2. Acabar com a dependência energética: Conflitos geram bloqueios e colapsos nas cadeias de suprimentos. Um país que produz sua própria energia a partir do sol e do vento não pode ficar refém de rotas marítimas interrompidas ou da volatilidade do mercado de petróleo.
  3. Soberania econômica: Com a disparada dos preços, as nações que dependem de combustíveis importados enfrentam uma inflação devastadora. A transição para energias renováveis ​​locais funciona como uma proteção contra os impactos de guerras, mantendo os custos previsíveis para as famílias em seus momentos de maior vulnerabilidade.
  4. Descentralização como defesa: ao eliminar os "pontos únicos de falha", garantimos que hospitais, escolas e residências possam manter o fornecimento de energia mesmo que a rede elétrica nacional esteja comprometida.
Ativistas desfraldam uma faixa em frente ao Palácio Nacional da Cultura da Bulgária. 
Com os dizeres: "Nosso Sol. Nossa Força. Nosso Futuro."
© Boris Dimitrov / Greenpeace

11 março, 2026

Ataques crocodilianos

Existe um site dedicado ao rastreamento de ataques de crocodilos. 
É o https://crocattack.org/
Não dá para dizer que a internet não tem algo para todos.


O que devo fazer se um crocodilo me atacar?
Parafraseando Blackadder (apud Marca, professora aposentada em Melbourne) quando lhe perguntaram o que fazer, depois de pisar numa mina terrestre: 
"Salte 60 metros no ar e espalhe-se por uma área bastante ampla."
Se um crocodilo atacá-lo e você não puder correr como se não houvesse amanhã, o protocolo padrão consiste em duas etapas:
  1. Ser atacado
  2. Ser comido

10 março, 2026

Asya, a gata

O linguista soviético Yuri Knorozov foi fundamental na decifração da escrita maia. Durante toda a sua vida, ele tentou creditar a interpretação da referida escrita à gata Asya (juntamente com ele), mas seus editores sempre recusaram. 
Em 2012, os mexicanos o homenagearam com um monumento que incluía a sua amada gata.

09 março, 2026

Cobogós, brises e muxarabis

Cobogó, conforme sua patente, seria especificamente aquela peça quadrada com fileiras de oito furos.
Essa peça, que surgiu na indústria da construção pernambucana, acabou fazendo parte de estratégias usadas pelos arquitetos modernistas do século 20 para amenizar o calor em épocas em que o ar-condicionado não havia se popularizado ou sequer sido introduzido no Brasil.
Todos os outros tipos de elementos vazados que vieram depois, com diversos desenhos e formatos, teoricamente não seriam um cobogó.
É um caso de chamar o todo pela parte", explica Borba, doutor em Desenvolvimento Urbano pela UFPE. Algo que acontece ao chamarmos curativos de "band-aid" ou lâminas de barbear de "gilette", por exemplo.
Em suas pesquisas para o livro "Cobogó de Pernambuco", o arquiteto Cristiano Borba encontrou a patente de peça construtiva, datada de 1929.
Apesar de não existir uma explicação registrada sobre a escolha do nome, a história que se conta passa bem longe de uma origem africana ou indígena - como a sonoridade da palavra pode indicar.
O Dicionário Aurélio sacramentou "co-bo-gó", como unindo as iniciais dos três engenheiros residentes em Recife por trás da criação.
  • Coimbra (do português Amadeu Oliveira Coimbra).
  • Boeckmann (do alemão Ernest August Boeckmann).
  • Góis (do pernambucano Antônio de Góis).
Sim, o cobogó faz uma barreira contra o Sol, ao mesmo tempo que deixa passar alguma luminosidade. Também oferece ventilação e alguma privacidade para quem está dentro, que consegue ver quem está fora.
Quanto ao brise-soleil (um termo francês que significa "quebra-sol"), ou simplesmente brise, trata-se de um elemento arquitetônico de fachada, projetado para reduzir a incidência direta de luz solar, garantindo conforto térmico, controle de iluminação e privacidade. Composto por lâminas horizontais ou verticais (fixas ou móveis) de metal (alumínio ou aço), de madeira ou concreto, ele é muito utilizado na arquitetura moderna para sombrear e ventilar, além de fazer divisória de ambientes e dar sofisticação estética a edifícios.
Já o muxarabi é uma treliça vazada de madeira, de origem árabe, usada principalmente em janelas, varandas ou fachadas na arquitetura islâmica. (*)
Os muxarabis permitem justamente a entrada de luz e ventilação nas casas.
Para o arquiteto Cristiano Borba, o elemento vazado com essa função sempre esteve presente na história em locais de clima quente, sendo impossível definir quem o criou.
"Isso vai sempre aparecer na Ásia, no Oriente Médio e até na arquitetura indígena", explica.
As principais diferenças entre esses elementos arquitetônicos são o material utilizado e a estética: cobogó é bloco industrializado (de concreto, cerâmica ou vidro), brise é de metal metal ou madeira e muxarabi é madeira trabalhada.
Depois de cair em certo esquecimento, estes dois elementos vazados foram redescobertos por arquitetos nos últimos anos. E são apreciados pelo potencial de refrescar ambientes em tempos de calor extremo.
Fonte: https://www.bbc.com e outras
(*) Este recurso também está presente na "Casa Gaudincha", do arquiteto e compositor Ricardo Bezerra, na Cidade 2000, em Fortaleza-CE.

08 março, 2026

Robôs que realizam demonstração de kung fu artístico


Este vídeo da China Global Television Network (CGTN), em circulação nas redes sociais e que está agora no YouTube, foi um dos destaques do Festival de Gala da Primavera de 2026, transmitido pelo China Media Group. Nele, um grupo de robôs humanoides realiza - sem truques nem artifícios* - uma demonstração de rotinas sincronizadas de artes marciais, ao lado de crianças praticantes de kung fu. 
(O que poderia dar errado se ensinarmos artes marciais a robôs, dando-lhes armas tradicionais como espadas e nunchakus?)

* Embora seja difícil confiar nesses vídeos, por causa dos truques disponíveis (CGI, controle remoto, aceleração da sequência, seleção apenas das melhores tomadas etc.), este vídeo passa no teste: a sequência é contínua, não há erros ou repetições e nenhum controle remoto. E os robôs não são CGI, porque é possível ver várias tomadas e ângulos, e até mesmo vê-los fazendo microajustes durante a apresentação. Comentário de Alvy, no Microsiervos.

Segundo algumas estimativas, a China atualmente responde pela venda de cerca de 90% dos robôs humanoides. Embora seja difícil saber exatamente quanto cada empresa vende, essa seria a ordem de grandeza em comparação com seus concorrentes.

07 março, 2026

O Mata-sete

Nelson José Cunha
Nove horas da manhã, e a campainha toca furiosa. Santinha corre à porta ainda de camisola, o coração na boca.
 É você, Ribamar? Já voltou tão cedo?
Ele nem responde. Entra atropelando tudo, direto para o banheiro, deixando um rastro de odor fétido e humilhação. Lá de dentro, entre gemidos de alívio e vergonha, vem o desabafo:
 Fiz nas calças, mulher! O maior vexame da minha vida! Recusei duas corridas no caminho porque não podia parar o táxi. Estava todo cagado...
Ribamar era taxista novato - só um ano de praça. Já ouvira, nas rodinhas, histórias de partos no banco de trás, malas de dinheiro esquecidas e cantadas perigosas. Com ele, nada. Atribuía a calmaria ao muiraquitã no peito, presente da avó maranhense, índia Tembé. Ela ensinara o ritual: ao sair de casa, apertar a rãzinha de pedra e sussurrar: Muyrakitan katu!
Naquele dia, levantou cedo para a feira em Floriano. Na estrada, viu um carro enguiçado e três homens acenando. Parou, crente de que a sorte o visitava. Um com maleta e dois com sacolas subiram no carro.
O mais falante, que parecia o chefe, sentou-se à frente. Mal o Fusca arrancou, ele resmungou:
 Mata-sete, mostra a escopeta pro motorista. Ele quer ver a grossura do cano.
Ribamar gelou. Olhou pelo retrovisor: roupas amarrotadas, malas suspeitas. O coração começou a tamborilar.
 Não, senhor! Não quero ver!  gaguejou, tremendo tanto que o volante parecia vivo.
O bandido deu uma risada intimidadora:
 Vamos aproveitar o táxi e fazer mais um serviço em Guadalupe. Você passa a escopeta para o motorista, ele dá cobertura. Em seguida, escondemos o dinheiro na casa dele.
O da maleta, o tal Mata-sete, alertou:
 Rubens... cuidado.
 Cuidado o quê? Com quatro assaltantes fica mais fácil!
Humberto, o terceiro, completou:
 Precisamos esconder o dinheiro e as armas em sua casa, sim, senhor.
Ribamar sentiu o mundo girar. Pensou no filho que ia nascer, na mãe velha, na própria vida por um fio. Invejava o burrinho magro à beira da estrada. Queria ser qualquer coisa  preá, sabiá, pedra  menos refém daquelas feras.
Agarrava o amuleto com tanta força que rasgou a camisa.
 Muyrakitan katu!
 Muyrakitan katu!
Repetia sem parar.
O Fusca trepidava nas costelas do chão de terra. O sol piauiense já transformava o carro numa fornalha. Foi então que o corpo de Ribamar cedeu. O inevitável aconteceu: o medo tomou conta, e o que devia ficar firme se soltou.
 Que cheiro de merda é esse?  berrou o chefe, quase cambaleando.  Está fazendo carreto de esterco, motorista?
 Não, senhor - respondeu Ribamar com calma súbita, a calma dos derrotados.  É bosta própria. Me distraí com a elevada palestra de Vossa Excelência e afrouxei... "os ânus". Coragem para assalto eu ainda não tenho muita. E não posso ir ao banco de Guadalupe, não. Recebi carta de cobrança. Estou com três prestações do carro atrasadas!
A fedentina se espalhou rapidamente, insuportável no calor fechado. Os bandidos tossiram, xingaram, abriram as janelas, lutando por oxigênio. Não aguentaram. Mandaram parar e desceram em debandada, sumindo pelo mato, fugindo do cheiro da morte - que, afinal, era apenas o cheiro da vida em pânico.
Ribamar, aliviado em todos os sentidos, fez o caminho de volta... cagado, mas finalmente em paz.

06 março, 2026

É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?

Pouco antes de eu vir para cá, o Google anunciou a aquisição da Nest, uma fabricante de termostatos de luxo. Nunca imaginei que usaria essas duas palavras juntas. A Nest possui sensores que detectam quem está em um cômodo e quando, então, naturalmente, havia a preocupação de que o Google agora aprendesse todas essas informações extras sobre você e soubesse a temperatura da sua casa.
O Google rapidamente designou o CEO da Nest, que prometeu que haveria salvaguardas, uma política de privacidade e todos os tipos de limites para garantir que tudo permanecesse dentro da lei. E não tenho motivos para duvidar dele.
Mas eu não deveria precisar da palavra dele, nem do lema corporativo do Google, nem da Magna Carta, nem do Tratado de Waitangi para me proteger do meu termostato. Meu termostato antigo não era tão assustador assim! Era burro demais para dedurar. E ninguém conseguia ouvi-lo gritar.
Este novo termostato, por outro lado, tem advogados, assessores de imprensa, uma política de privacidade, está por aí escrevendo posts para o blog e possivelmente comendo a minha pizza que sobrou. Parece mais um colega de quarto suspeito do que um termostato.
Deixe-me esclarecer o que me preocupa aqui. Não tenho medo dos meus eletrodomésticos. Não tenho medo de que o Google me mande para o Googlag para minerar bitcoins.
Nem temo uma Nova Zelândia maior, embriagada pela vigilância eletrônica, expandindo-se agressivamente para controlar a região do Pacífico. Isso sim seria uma mudança bem-vinda! Se acontecer, estarei esperando nos cais de São Francisco, com uma cesta de abacates, pronto para receber nossos senhores neozelandeses.
O que me assusta é a sociedade em que já vivemos. Onde pessoas como você e eu, se permanecermos dentro das regras, podemos desfrutar de vidas confortáveis e relativamente fáceis, mas que Deus ajude quem for considerado fora dos limites. Essas pessoas sentirão todo o poder do Estado moderno e altamente tecnológico.
Considere seus vizinhos do outro lado do Mar da Tasmânia, administradores de um continente vazio, que estabeleceram campos de internação nas partes mais remotas do Pacífico por medo de que alguns milhares de indigentes chegassem de barco, aceitassem empregos de baixa remuneração e, assim, destruíssem sua sociedade.
Ou o país em que vivo, onde temos um consenso bipartidário de que a única maneira de preservar nossa liberdade é pilotar aviões controlados remotamente que ocasionalmente lançam bombas sobre crianças . É coisa de Dostoiévski.
Só que Dostoiévski precisou de um calhamaço para abordar a questão: "É aceitável que inocentes sofram pelo bem maior?" E os americanos, um povo mais prático, responderam a isso em duas palavras: "Claro que sim!"
Em sua palestra de ontem, Erika Hall questionou o que Mao ou Stalin poderiam ter feito com os recursos da internet moderna. É uma boa pergunta. Se analisarmos a história da KGB ou da Stasi, veremos que elas consumiam recursos enormes apenas para manter e cruzar informações de suas montanhas de papelada. Há uma passagem em Admirável Mundo Novo, de Huxley, onde ele menciona "800 metros cúbicos de fichários" na fábrica de bebês eugênicos. Imagine o que Stalin poderia ter feito com um servidor MySQL decente.
Ainda não vimos do que um governo verdadeiramente ruim é capaz com a tecnologia da informação moderna. O que os governos bons conseguem fazer já é suficientemente assustador.
Não estou dizendo que não podemos ter a internet divertida da próxima geração, onde todo mundo usa óculos de realidade virtual e tem conversas profundas com a geladeira. Só estou dizendo que não podemos improvisar como temos feito até agora e esperar que tudo se resolva sozinho.
A boa notícia é que se trata de um problema de design! Vocês são todos designers aqui — podemos tornar isso divertido! Podemos construir uma internet distribuída, resiliente, irritante para governos do mundo todo e livre no melhor sentido da palavra, como sonhávamos nos anos 90. Mas isso exigirá esforço e determinação. Significará abandonar a vigilância em massa permanente como modelo de negócio, o que será doloroso. Significará aprovar leis em um sistema jurídico esclerosado. Será preciso muita insistência.
Mas se não projetarmos essa internet, se simplesmente continuarmos a construí-la, eventualmente ela atrairá pessoas notáveis e visionárias. E não gostaremos delas, e isso não fará diferença.
Precisei me estender nesse desabafo porque não sabemos muito sobre a segunda metade da vida de Termen. Ele não gostava de falar sobre isso.
A Segunda Guerra Mundial salvou sua vida. Ele foi designado para trabalhar em uma instituição que só a União Soviética poderia ter inventado, uma prisão repleta dos maiores engenheiros e especialistas em aerodinâmica do país.
Após a guerra, ficou claro que ele trabalhou em muitos dispositivos de escuta. Além de "The Thing", ele desenvolveu um sistema ainda mais inovador chamado Buran, que captava as vibrações em um vidro de janela refletindo um feixe de luz nele. Isso ainda é tecnologia de ponta hoje em dia. Termen construiu um microfone a laser antes mesmo de existirem lasers ou correção digital de ruído. Isso lhe rendeu o Prêmio Stalin e sua liberdade.
Stalin não sabia que Buran estava sendo usado contra ele, pelo seu próprio chefe de segurança. Esses bolcheviques malucos!
Termen estava agora livre, mas aquela mancha em sua ficha criminal o tornava inelegível para emprego. Então, ele voltou a trabalhar na KGB.
OUR COMRADE THE ELECTRON (NOSSO CAMARADA, O ELÉTRON) - 9.ª parte desta palestra, que Maciej Ceglowski proferiu em 14/02/2014, na Webstock, em Wellington, Nova Zelândia.
[http://idlewords.com/]
Traduzida por Paulo Gurgel.

05 março, 2026

Parélio

Parélio, ou "falso sol", é um fenômeno óptico atmosférico que cria pontos luminosos coloridos ao lado do Sol, como se fossem outros sóis, causado pela refração da luz solar em pequenos cristais de gelo em nuvens altas. Ocorre quando o Sol está perto do horizonte, com os cristais hexagonais alinhados.


Em 1734, uma carta e um desenho de Martha Gerrish, uma mulher da Nova Inglaterra, descreviam um parélio, este raro fenômeno astronômico. Gerrish comentou: "Se isso viesse de uma mão masculina, acredito que seria um presente aceitável para a Royal Society". Esta é a primeira carta à Royal Society conhecida por ter sido enviada por uma mulher em seu próprio nome e demonstra que as mulheres contribuíram para a ciência mesmo quando seu trabalho não era divulgado publicamente.(Pat's Blog)

04 março, 2026

Dicas antiéticas

  • Derrame a bebida no assento à sua frente no cinema para evitar que as pessoas bloqueiem sua visão.
  • Se você estiver preso em uma ligação chata, coloque o telefone no modo avião em vez de apenas desligar. A outra pessoa verá "chamada falha" em vez de "chamada encerrada".
  • Se a pessoa sentada à sua frente em um vôo reclinar o assento totalmente para trás e deixá-lo sem espaço, ligue o ar-condicionado acima de você no máximo e aponte-o para o topo da cabeça dela.
  • Guarde os cartões de visita das pessoas de quem você não gosta. Se você alguma vez acidentalmente bater num carro estacionado, basta escrever "desculpe" na parte de trás e deixá-lo no para-brisa.
  • Furte um cone de tráfego e carregue-o no porta-malas, caso precise reservar uma vaga de estacionamento realmente privilegiada.
  • Se você for pego dormindo em sua mesa no trabalho, diga: "Eles me disseram no banco de sangue que isso ia acontecer!" quando perguntado por um motivo.
  • Despeje vinho barato em garrafas caras para servir a seus convidados, a fim de fazê-los pensar que você está servindo coisas "premium". Eles não saberão a diferença.
  • Quando você der um cartão-presente de presente a alguém, anote o número e o código do cartão. Depois de um ou dois anos, verifique o saldo e, se ainda não o tiver feito, use você mesmo. Eles obviamente não saberão ou se importarão.
  • Em seu último ano de faculdade, "perca" sua carteira de estudante e obtenha uma nova. A data de vencimento será redefinida e você poderá obter mais 4 anos de descontos.
  • Doe para abrigos de sem-teto na próxima cidade. A maioria dos desabrigados tende a ir onde há serviços disponíveis, e isso reduzirá o número de desabrigados em sua cidade.
  • Ao esmagar um travesseiro de espuma viscoelástica, solte um pum enquanto ele se expande: ele sugará o flato por cerca de 5 minutos; então, quando a próxima pessoa colocar a cabeça no travesseiro, os odores dos gases serão liberadas ao redor da cabeça dessa pessoa.
  • O  melhor lugar para mascarar os flatos é na enfermaria da Gastrenterologia. Todo mundo pensará que são os pacientes. (Unethical Life Hacks)
O Blog EM publica mas não se responsabiliza por conselhos enviados por estranhos.

03 março, 2026

Viaji pru nor-di-Minas

Você é magrelo e quer engordar? Vá a Montes Claros.
Bate e volta.
Vá sem pressa, parando e comendo.
Na volta, comendo e parando.
Pegue o desvio para Cordisburgo e compre lá as famosas fatias.
Guimarães Rosa ficou inteligente por causa delas.
Compre umas dez de uma vez.
Dê só a seus inimigos. Ficarão seus amigos.
Ô diabo de fatia boa!

Depois, de Curvelo para BH pare na Fazenda Jasdan, do Onofre Ribeiro, o maior criador de gado indiano do mundo.
Compre o creme de milho da Cida.
Nelson Cunha
Metáforas de vida
Desde a Antiguidade, pode-se dizer que a alimentação vem sendo objeto de atenção e conhecimento, devido à necessidade inescapável de ingerir alimentos para manter a vida (Ulpiano). Por conseguinte, os prazeres da mesa não poderiam ausentar-se da vida e obra de Guimarães Rosa, que, frequentemente,  usava elementos do cotidiano mineiro em suas frases. Uma citação popularmente atribuída ao mestre de Cordisburgo ("junto dos bão é que a gente fica mió") diz que "no viver cabem todas as fatias... que você desejar", porquanto une a filosofia de vida ao prazer das pequenas coisas.
Paulo Gurgel

02 março, 2026

Visualizações do Blog

Criado em novembro de 2006, o Blog EntreMentes ontem (01/03/2026) atingiu a marca de 6 MILHÕES DE VISUALIZAÇÕES DE PÁGINA.
Fonte: Blogger

As 7 línguas misteriosas ainda não decifradas

"Nós, humanos, somos, até onde sabemos, a única espécie com consciência histórica.
Pensamos sobre de onde viemos e para onde vamos."
(Svenja Bonmann)

1. A linguista Bonmann está atualmente pesquisando o sistema de escrita epiolmeca, que foi usado na costa sul do Golfo do México na antiguidade. Inscrições e símbolos individuais da escrita olmeca apontam para um sistema antigo. No entanto, as evidências são tão escassas e o contexto tão incerto que decifrá-la é muito difícil.

2. Comparavelmente enigmática é a escrita do Vale do Indo, da civilização Harappa, no atual Paquistão e noroeste da Índia. Ela aparece em centenas de selos e fragmentos de cerâmica, mas quase sempre apenas em sequências extremamente curtas. Se essa escrita representa uma língua totalmente desenvolvida ou um sistema simbólico, ainda é um tema em debate.

3. A escrita rongorongo da Ilha de Páscoa também é altamente abstrata. Ela se assemelha a uma escrita pictográfica composta por pássaros, figuras humanas e formas ornamentais, e sobrevive apenas em algumas poucas tábuas de madeira, muitas vezes, danificadas.

4. A cultura minoica de Creta é mais familiar para nós. De seus três sistemas de escrita, apenas o linear B foi decifrado, por ser uma forma primitiva da língua grega. Os hieróglifos cretenses e o linear A, por outro lado, permanecem enigmáticos até hoje.

5. O famoso Disco de Festo, datado do segundo milênio a.C., também é originário de Creta. Trata-se de um objeto de argila único com símbolos estampados dispostos em espiral que, por ser um artefato isolado, é praticamente impossível decifrar de forma sistemática.

6. O etrusco, falado na Itália central na antiguidade, também permanece enigmático. Embora o alfabeto seja legível por ser derivado do grego, a própria língua quase não possui parentes reconhecíveis. Isso dificulta a compreensão do que está escrito nas inscrições.

7. A protoelamita foi a mais antiga tradição escrita e administrativa conhecida no antigo Elão, uma região no oeste e sudoeste do atual Irã. Os caracteres estão bem catalogados, mas as tabuletas são frequentemente fragmentárias. O conteúdo parece ser de anotações administrativas, e a língua subjacente não se encaixa em nenhuma família linguística conhecida.

Todas essas escritas compartilham um problema fundamental: a falta das chamadas Pedras de Roseta, inscrições bilíngues contendo o mesmo texto em um idioma conhecido e na escrita do enigma. Sem essas chaves, associar símbolos a sons, sílabas ou palavras continua sendo difícil. A inteligência artificial é frequentemente apontada como um potencial "decifrador de códigos". Essas tecnologias são capazes de verificar padrões em sequências de caracteres, distinguir variantes, preencher trechos danificados e contar frequências. No entanto, a IA rapidamente atinge seus limites quando há quantidades de texto muito pequenas. 

Ler na íntegra em https://www.dw.com/pt-br

01 março, 2026

José Fernandes

José Fernandes de Mendonça
Nasceu em Arcos-MG, em 1925.
Foi jurado do programa "Um Instante, Maestro", comandado por Flávio Cavalcanti, na TV Excelsior, e do "Programa Sílvio Santos", na Rede Globo de Televisão. Sua notoriedade se deveu ao tipo especial que criou para si nos programas da televisão: carrancudo, mal-humorado e dando sempre notas baixas aos calouros.
Era pianista e maestro.
Em 1973, fui a um show de José Fernandes com sua Orquestra Típica, em uma casa de espetáculos no Rio de Janeiro.
Faleceu em 1979.
Discografia: LPs "Tangos nota 10 - José Fernandes e sua Orquestra Típica" (1976) e "Tangos nota 10, volume 2" (1977)