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13 junho, 2022

Onde a grama é mais verde (2)

"A grama é sempre mais verde do outro lado da cerca" expressa a ideia de que a situação das outras pessoas sempre parece melhor do que a nossa. O provérbio traz uma advertência implícita de que, na realidade, a grama é igualmente verde do seu lado e que você deveria estar satisfeito com o que tem.
"Algumas pessoas nunca ficam satisfeitas em lugar nenhum. A grama sempre parece um pouco mais verde do outro lado da cerca." (The Kansas Farmer, fevereiro de 1917)
Como também costuma ser abreviado, "A grama é sempre mais verde ..." é um ditado proverbial do início do século XX.
Existem variantes anteriores, tanto no Reino Unido quanto nos EUA, que são efetivamente a mesma frase, como neste exemplo do jornal The Public Press da Pensilvânia , de agosto de 1897:
"As minas [de ouro de Klondyke] são maravilhosas, mas provavelmente não tão maravilhosas como representadas. A grama é sempre mais verde, sabe, mais longe."
Erma Bombeck (1927 — 1996) foi uma humorista americana que alcançou grande popularidade por sua coluna de jornal que descrevia a vida em uma casa suburbana a partir de meados da década de 1960 até o final dos anos 1990.De 1965 a 1996, ela escreveu mais de 4.000 colunas de jornal narrando a vida comum de uma dona de casa suburbana do meio-oeste, com amplo e, por vezes, eloquente humor. Na década de 1970, suas colunas foram lidas, duas vezes por semana, por 30 milhões de leitores de 900 jornais dos Estados Unidos e Canadá. Erma Bombeck também publicou 15 livros, dos quais muitos se tornaram bestsellers.  Foi título de um deles no Brasil:
"A grama sempre cresce mais verde em cima da fossa." (Editora Record, 1976).

25 abril, 2011

Na Fossa, literalmente



por Fernando Gurgel Filho (de Brasília)

Aquele odor fétido não o abandonava. Banhava-se de perfumes, cremes por todo o corpo, até dentro do nariz. Não adiantava. Na agência bancária, onde trabalhava, quando os clientes riam, achava que era dele.
“Ia matar aquele português f.d.p..”, pensava.
“Aquele português” não era português, era angolano de pais portugueses. Estava a tanto tempo na cidade que o sotaque já sumira, mas era chamado de “português” ou “portuga”.
Era o dono de um comércio em um casarão antigo. Um misto de bar, padaria, açougue, mercearia, muito comum em cidade do interior. Pelo menos uma vez por semana, os colegas de trabalho se reuniam ali para tomar umas cervejas. O bate papo ia até tarde da noite. Quando aparecia um violão, cantavam.
O casarão tinha o banheiro do lado de fora. Depois de meia dúzia de cervejas, o usuário atravessava o alpendre na lateral da casa e, tateando no escuro, encontrava, no fim do muro, a porta do dito cujo. Era daqueles banheiros com piso de madeira, com um buraco quase no centro, que dava diretamente para a fossa embaixo.
Naquele dia o papo estava animadíssimo. Alípio pediu um tempo e foi ao banheiro. Estava escuro como breu. Não demorou, escutaram um berro cavernoso, aterrador, indescritível...
Correram todos para acudir o amigo. Com o susto, quem estava bêbado ficou bom. O “portuga“, talvez já antevendo o ocorrido, somente repetia: “Meu Deus. Meu Deus...”
O banheiro estava em reformas. Iam limpar a fossa, aproveitando a troca do piso que já estava bastante maltratado. Tinha sido arrancado durante a tarde e o “portuga” esqueceu de avisar aos clientes.
Trouxeram uma lanterna. Alípio estava literalmente nadando em merda e urina. Tentava se manter à tona. As laterais da fossa, de barro, denunciavam sua tentativa de se agarrar em algo enquanto afundava.
Além do trabalho para salvá-lo, ainda tiveram que lutar para segurá-lo: todo sujo, queria enforcar o “portuga”. Ficaram todos lambuzados, mas conseguiram arrastá-lo até uma torneira onde deram-lhe banho.
A cidade toda soube do ocorrido. A solidariedade dos colegas não amenizava a dor. Nem o odor. “Ia afogar aquele portugês f.d.p. em m*”. Era seu único objetivo, mas o “portuga”, também transtornado, morreu antes da vingança. Coração. Fulminante.
Alípio mudou-se para local ignorado. Com vergonha. Fétido.
Aquele odor não o abandonava. Nem o ódio, a insanidade, a vontade de matar o “portuga”, a camisa de força...

Bônus
NA HORA DO APERTO.