18 novembro, 2022

Domingo, sete

Era uma vez um homem tão pobre quanto engenhoso, que, ao passar certa noite por um bosque, viu um grupo de bruxas dançando ao compasso de uma musiquinha cuja letra era assim:
"Segunda e terça e quarta, três."
Ouvindo-a, o homem por brincadeira interrompeu aquela cantoria, dizendo:
"Quinta e sexta e sábado, seis."
Agradecidas com quem havia tão bem completado a letra da cantiga, as bruxas lhe ofertaram uma bolsa cheia de moedas de ouro. 
Louco de alegria, o homem foi contar o sucedido a um compadre que tinha tanto de avarento como de sandeu. 
Quando este soube do caso, deitou a correr para o bosque onde não tardou a escutar a voz alegre das bruxas que cantavam:
"Segunda e terça e quarta, três,
Quinta e sexta e sábado, seis."
Pensando em ganhar também uma bolsa de ouro, interrompeu o conciliábulo, acrescentando:
"E domingo, sete”.
As bruxas indignadas, em vez de ouro, deram-lhe uma grande surra.

Moral
Todo sandeu que se mete
a querer ser muito experto
passa por "domingo, sete"
sendo logo descoberto.
Fonte: http://www.etimologista.com/2021/06/a-magia-do-numero-sete.html. Texto adaptado.

san.deu (arcaísmo; f. sandia) parvo; tolo; pateta (século XVI)
"E ò fidalgo, quem lhe deu... / O mando, dizês, do batel? / Corregedor, coronel, / castigai este sandeu!" (Gil Vicente, Auto da Barca do Inferno)
Etimologia: palavra composta por justaposição do latim sine (sem) e deus (Deus).

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