06 junho, 2018

O criador do sistema de leitura para cegos

Louis Braille (1809 1852)
Ele nasceu em 4 de janeiro de 1809 em Coupvray, na França, a cerca de 40 km de Paris. Seu pai, Simon-René Braille, foi um fabricante de arreios e selas. Aos três anos, provavelmente ao brincar na oficina do pai, Louis feriu-se no olho esquerdo com uma ferramenta pontiaguda, possivelmente uma sovela (usada para fazer furos no couro) . A infecção que se seguiu ao ferimento alastrou-se ao olho direito, provocando a cegueira total.
Na tentativa de que Louis tivesse uma vida o mais normal possível, os pais e o padre da paróquia matricularam-no na escola local. Louis tinha enorme facilidade em aprender o que ouvia e em determinados anos foi selecionado como líder da turma. Com 10 anos de idade, Louis ganhou uma bolsa do Institut Royal des Jeunes Aveugles de Paris (Instituto Real de Jovens Cegos de Paris).
O fundador do instituto, Valentin Haüy, foi um dos primeiros a criar um programa para ensinar os cegos a ler. As primeiras experiências de Haüy envolviam a gravação em alto-relevo de letras grandes, em papel grosso. Embora rudimentares, esses esforços lançaram a base para desenvolvimentos posteriores. Apesar de as crianças aprenderem a ler com este sistema, não podiam escrever porque a impressão era feita com letras costuradas no papel.
Louis aprendeu a ler as grandes letras em alto-relevo nos livros da pequena biblioteca de Haüy. Mas também se apercebia que aquele método, além de lento, não era prático. Na ocasião, ele escreveu no seu diário:
"Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma."
Em 1821, quando Louis Braille tinha somente 12 anos, Charles Barbier, capitão reformado da artilharia francesa, visitou o instituto onde apresentou um sistema de comunicação chamado de escrita noturna. [1] Tratava-se de um método de comunicação táctil que usava pontos em relevo dispostos num retângulo com seis pontos de altura por dois de largura e que tinha aplicações práticas no campo de batalha, quando era necessário ler mensagens sem usar a luz que poderia revelar posições. Assim, era possível trocar ordens e informações de forma silenciosa. Usava-se uma sovela para marcar pontinhos em relevo em papelão, que então podiam ser sentidos no escuro pelos soldados. A escrita noturna baseava-se numa tabela de trinta e seis quadrados, cada quadrado representando um som básico da linguagem humana. Esta ideia de usar um código para representar palavras em forma fonética foi introduzido no Instituto. Louis Braille dedicou-se de forma entusiástica ao método e passou a efetuar algumas melhorias.
Assim, nos dois anos seguintes, Braille esforçou-se em simplificar o código. Por fim desenvolveu um método eficiente e elegante que se baseava numa célula de apenas três pontos de altura por dois de largura. O sistema apresentado por Barbier, era baseado em 12 pontos, ao passo que o sistema desenvolvido por Braille é mais simples, com apenas 6 pontos. [2] Em 1824, com apenas 15 anos, Louis Braille terminou o seu sistema de células com seis pontos. Pouco depois, ele mesmo começou a ensinar no instituto e, em 1829, publicou o seu método exclusivo de comunicação que hoje tem o seu nome. Exceto algumas pequenas melhorias, o sistema permanece basicamente o mesmo até hoje.


Apesar de tudo, levou tempo até essa inovação ser aceita. As pessoas com visão não entendiam quão útil o sistema inventado por Braille podia ser, e um dos professores principais da escola chegou a proibir seu uso pelas crianças. Felizmente, tal decisão teve efeito contrário ao desejado, encorajando as crianças a usar o método e a aprendê-lo em segredo. Com o tempo, mesmo as pessoas com visão acabaram por perceber os benefícios do novo sistema. No instituto, o novo código só foi adotado oficialmente em 1854, dois anos após a morte de Braille, provocada pela tuberculose em 6 de janeiro de 1852, com apenas 43 anos.
Na França, a invenção de Louis Braille foi finalmente reconhecida pelo Estado. Em 1952, seu corpo foi transferido para Paris, onde repousa no Panthéon. WIKI

[1] Escrevendo no escuro, blog EM
[2] Sistema Braille, blog Nova Acta

05 junho, 2018

O Manifesto do Chuchu

por Roberta Sudbrack (*)
Bastaria a chancela de Carmem Miranda, em minha opinião, para que a fama do chuchu fosse outra. Só isso já seria o bastante para que recebesse honras de Chefe de Estado ao chegar à feira livre todos os dias. Todos os outros legumes e verduras deveriam fazer uma flexão e baixar as cabecinhas enquanto ele passasse.
Ora, se numa de suas músicas mais conhecidas, esta inclusive, um belo desabafo, ela escolhe alguém como o chuchu para manifestar seu patriotismo e amor pelo Brasil! "Enquanto houver Brasil, na hora das comidas, eu sou do camarão ensopadinho com chuchu". O que mais podemos querer que ele prove? Que tem textura? Tem! Que tem sabor? Mas é claro que tem. Que tem personalidade? Das fortes! Que tem apelo? Ora, pergunte à Carmem Miranda, meu caro!
(*) Roberta Sudbrack é chèf autodidata.
Este manifesto está postado na íntegra em Gastronomix.
A clássica mistura dos ingredientes camarão e chuchu foi eternizada por Carmem Miranda neste samba de Vicente Paiva e Luiz Peixoto, "Disseram que Eu Voltei Americanizada", no qual ela respondeu a uma fria acolhida do público brasileiro ao voltar a nosso país.
O vídeo abaixo tem cenas com diminuição da nitidez. (PGCS)


Criaturas escatológicas


Plínio, o Velho, escreveu sobre uma alarmante criatura da lenda antiga:
Há relatos sobre a existência de um animal selvagem em Paeonia chamado bonasus, que tem a crina de um cavalo, mas em todos os outros aspectos se parece com um touro. Seus chifres são curvados para trás, de forma a não ser útil para a luta, e é dito que, por isso, ele se salva fugindo. Entretanto, ao fugir, emite um rastro de esterco que, às vezes, cobre uma distância de até três "furlongs" (603 metros). No contato com os caçadores que o perseguem é como uma espécie de fogo.
Na Idade Média, essa criatura evoluiu (com alguma coisa piorando) para o bonnacon, do Bestiário de Cambridge do século XII:
Ainda que sua frente não defenda este monstro, a sua barriga é totalmente suficiente. Ao se virar para fugir, ele emite um peido, com o conteúdo do seu intestino grosso cobrindo três hectares. E qualquer árvore que venha a ser atingida pega fogo. Assim, por meio de seus excrementos nocivos, ele expulsa seus perseguidores.
Parece vagamente ter vivido no sul da Ásia. Espero que permaneça por lá.
https://www.futilitycloset.com/2017/07/30/rude-weapons/

Escatologia
É uma teoria relativa aos acontecimentos do fim do mundo e da humanidade, ou seja, as últimas coisas que devem acontecer antes e depois da extinção da vida na Terra.
Na língua portuguesa, a palavra escatologia, também pode significar o ato de analisar excrementos (fezes), sendo um sinônimo de cropologia, nome dado ao ramo da medicina/biologia que estuda os dejetos humanos/animais.
Assumindo um sentido figurado, este termo ainda pode estar relacionado ao gosto de certos indivíduos por conteúdos obscenos ou sórdidos.
A explicação para a enorme distinção entre os significados de ambos os termos pode ser encontrada nas raízes etimológicas das palavras.
Escatologia, no sentido de "teoria acerca das últimas coisas que vão acontecer no fim da humanidade", surgiu a partir do grego éskhatos, que significa "extremo" ou "último", que agregado ao sufixo "logia" (estudo), forma o significado literal de "estudo das últimas coisas".
Porém, a palavra escatologia, no sentido de "afinidade por excrementos", se originou do termo grego skatós​, que quer dizer "excremento".
https://www.significados.com.br/escatologia/

04 junho, 2018

Pessoas dependem de você

blogdopg.blogspot.com.br

A origem da palavra Abracadabra

Hoje esta palavra costuma ser usada como encantamento por mágicos de palco e, principalmente, por ilusionistas. Antigamente, porém, acreditava-se no poder de Abracadabra para a cura de febres e inflamações.
A primeira menção conhecida a Abracadabra foi feita no século II d.C. pelo médico e polímata Quintus Serenus, num poema chamado "De Medicina Praecepta" (em um tratado médico escrito em versos). Ao imperador romano Caracala, o médico prescreveu que o imperador usasse-a num amuleto para curar sua doença.
Ele usou como talismã um pedaço de papel, com a palavra ABRACADABRA escrita sobre ele, a qual se repetia com uma letra a menos na linha seguinte, até restar apenas o A.
Assim:

ABRACADABRA
ABRACADABR
ABRACADAB
ABRACADA
ABRACAD
ABRACA
ABRAC
ABRA
ABR
AB
A

A palavra em si já era considerada mágica, e no formato triangular, o amuleto teria muito mais poder. O triângulo era considerado a forma geométrica mais perfeita.
Na Roma antiga, era um método para combater a malária que, à época, não estava associada à picada de mosquitos, mas a demônios ou espíritos malignos. E a malária, que tem registros já no ano 450, teve sua própria deusa protetora: a deusa Febris .
A coisa não terminava aí: o médico recomendava enrolar o papel, envolvê-lo em um pano e pendurá-lo no pescoço por nove dias, após o que o enfermo teria que jogar o talismã sobre o ombro em um rio cuja corrente se movia para o leste.
A proteção era contra a malária e as febres pantanosas em geral. Mas se não funcionasse, o médico também tinha outra recomendação: ungir todo o corpo com gordura de leão. Embora não explicasse se o próprio enfermo tinha que matar o leão.
O que é certo é que, já no século XVII, não só protegia da malária, mas também de outras doenças . Daniel Defoe, autor de "Robinson Crusoé", conta em seu livro "The Year of the Plague" como os londrinos tentavam evitar a peste escrevendo a palavra Abracadabra nos linteis de suas portas a fim de que ela permanecesse fora de suas casas.
Há outras teorias sobre a origem desta palavra que um dia entrou no universo dos mágicos.
Abracadabra ganhou o sentido mais comum, ordinário, a partir do início do século 19 com os primeiros shows de ilusionismo que se tornaram bastante populares na França e na Inglaterra. Foi desta forma que ela ganhou a conotação que atualmente conhecemos.

https://www.grandesmedios.com/origen-abracadabra/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Abracadabra

03 junho, 2018

Gaiola para tucano

Charge de Ivan Cabral:


Ivan Cabral, natural de Areia Branca(RN), Chargista e artista gráfico da TVU/UFRN. Mestre em Educação pela UFRN. Membro do Grupehq-Grupo de Pesquisa em História em Quadrinhos (Natal-RN). Controlador do blog Sorriso Pensante.

Versículos tucânicos
Conhecereis Gilmar e Gilmar vos libertará.

O sole mio

Assista a jovem e talentosa Amira Willighagen interpretando a canção "O sole mio", ao lado de Patrizio Buanne, no concerto "Classic is Groot" (de 2016), na África do Sul.



Composta em 1898, "O sole mio" ("Meu sol", em português) é uma das mais famosas canções napolitanas. A letra é de Giovanni Capurro e a melodia foi feita por Eduardo di Capua (posteriormente, foi descoberto que Alfredo Mazzucchi também participou da composição).
Já foi interpretada por muitos cantores em todo o mundo, dentre eles o tenor Luciano Pavarotti. Em língua inglesa, a letra de "O sole mio" recebeu duas versões: "There's no tomorrow" (1949), gravada por Tony Martin, e It's now or never" (1960), gravada por Elvis Presley.

02 junho, 2018

Ordens religiosas e vinificação

por Michael Foley
O vinho foi inventado 6.000 anos antes do nascimento de Cristo, mas foram monges que preservaram em grande parte a vinicultura na Europa. Ordens religiosas como os beneditinos e jesuítas tornaram-se vinicultores experientes. Eles pararam apenas porque suas terras foram confiscadas nos séculos 18 e 19 por governos anticatólicos, como a Assembléia Constituinte da Revolução Francesa e o Segundo Reich da Alemanha.
Para celebrar a Eucaristia, que exige o uso do pão e do vinho, os missionários católicos trouxeram seu conhecimento sobre a plantação de videiras com eles para o Novo Mundo. As uvas vinícolas foram introduzidas na Alta Califórnia, em 1779, por Saint Junipero Serra e seus irmãos franciscanos, lançando as bases para a indústria vitivinícola da Califórnia. Um padrão semelhante surgiu na Argentina, no Chile e na Austrália.
Os homens piedosos não só preservaram e promulgaram a enologia, o estudo dos vinhos: eles também fizeram-na avançar. Um dos pioneiros no "méthode champenoise", ou o "método tradicional" de fazer vinho espumante, foi um monge beneditino cujo nome agora adorna um dos melhores champanhes do mundo: Dom Pérignon.
De acordo com a lenda, quando Pérignon provou seu primeiro lote em 1715, ele gritou para seus colegas monges: "Irmãos, venha rapidamente. Eu estou bebendo estrelas!"
Monges e sacerdotes também encontraram novos usos para a uva. Os jesuítas são creditados com a melhoria do processo de fabricação da grappa na Itália e do pisco na América do Sul, ambos aguardentes de uva.
Feeling guilty about drinking? Well, ask the saints, CRUX
N. do E.
Existe uma diferença histórica entre o Peru e o Chile sobre a exclusividade de se usar o nome "pisco". Enquanto o Peru defende que "pisco" é uma denominação de origem (similar a Champagne, por exemplo) e que somente pode usar o termo "pisco" aquele produzido no Peru, o Chile defende que "pisco" é um nome genérico (como vinho ou uísque).
City Tour em Santiago do Chile, Linha do Tempo

Papai lambe tudo

"A melhor maneira de ensinar seu filho sobre impostos é comer 30% (*) do seu sorvete."
(*) 40% no Brasil

01 junho, 2018

Os joelhos de Nara Leão

Nara Leão nasceu em Vitória, em 1942. No início da década de 60, no Rio de Janeiro, ganhou o epíteto de "a musa da Bossa Nova". Sua casa se tornou uma espécie de sede do movimento. Ela própria já era, então, uma das principais cantoras naquele estilo.
Uma importante instituição nacional eram os "joelhos de Nara Leão". A moça tímida capixaba que descendia de italianos, transitando com seus vestidos em linha A, tubinhos de Courrégès e minissaias inglesas (que deixavam seus belos joelhos à mostra), tornou-se merecedora de um profundo interesse público por seus joelhos.
Ela morreu na manhã de 7 de junho de 1989, aos 47 anos, vítima de um tumor cerebral. Ela sofria com a doença já havia 10 anos. O câncer estava numa área do cérebro que impedia qualquer cirurgia.
A pobre menina rica de Vinícius de Moraes, a musa da Bossa Nova, a moça dos joelhos mais bonitos da MPB, a voz dos desconhecidos da música, a garota da Banda, o açúcar com afeto de Chico Buarque, a mãe da Isabel e do Francisco, a mulher doce e de opinião forte. Essa foi Nara Leão, na definição de Petit Gabi.
Os joelhos de Nara Leão deixavam seus admiradores... de joelhos. Mas por mais, muito mais que isso: ela foi uma das mulheres mais marcantes na música popular brasileira.
Referências
http://tropicalia.com.br/ilumencarnados-seres/biografias/nara-leao
http://www.ascronicasdesantos.com/os-joelhos-de-nara-leao
https://www.sul21.com.br/jornal/30-anos-da-morte-de-elis-70-do-nascimento-de-nara/
http://obviousmag.org/archives/2011/04/uma_leoa_chamada_nara.html#ixzz51YWdv9qJ

O Conde Lucanor - 2

O Conde é uma obra narrativa da literatura espanhola medieval, escrita entre 1330 e 1335 por Don Juan Manuel, príncipe de Villena e neto do rei Fernando III de Castela. O seu título castelhano completo é "Libro de los ejemplos del conde Lucanor y de Patronio".
O livro consiste de cinco partes, a mais conhecido das quais é uma série de 51 exempla (plural de exemplum) ou histórias moralizantes tiradas de várias fontes, como Esopo e outros contos clássicos e tradicionais.
A finalidade didático-moral é a marca do livro. O conde, começa a conversa dando ciência a seu conselheiro Patrônio de um problema ( "Um homem me fez uma proposta ...") e solicitando um parecer para resolvê-lo. Patrônio sempre responde com grande humildade, garantindo não ser necessário dar conselhos a uma pessoa tão ilustre como o conde, mas oferecendo-se para contar uma história da qual se pode tirar uma lição para resolver o problema.
Cada capítulo termina mais ou menos da mesma maneira, com pequenas variações, com um dístico que condensa a moral da história.
Conto XIII - O que aconteceu a um homem que caçava perdizes
Don Juan Manuel
Trad.: Henry Alfred Bugalho
Outra vez, o Conde Lucanor conversava com Patronio, seu conselheiro, e lhe disse:
— Patronio, alguns nobres muito poderosos e outros nem tanto, às vezes, causam danos a minhas terras ou a meus vassalos, mas, quando nos encontramos, eles me pedem desculpas, dizendo-me que fizeram-no obrigados pela necessidade, muito a contragosto e sem poderem evitar. Como eu gostaria de saber o que devo fazer em tais circunstâncias, suplico-vos que me deis vossa opinião sobre este assunto.
— Senhor Conde Lucarno, disse Patronio, o que haveis me contado, e sobre o qual me pedis conselho, parece-se muito com o que ocorreu a um homem que caçava perdizes.
O conde lhe pediu que contasse a história.
— Senhor conde, disse Patronio, havia um homem que estendeu suas redes para caçar perdizes e, quando já apanhado bastantes, o caçador voltou para junto da rede onde estavam suas presas. Na medida em que as recolhia, tirava-as da rede e as matava e,enquanto fazia isto, o vento, que batia em cheio em seus olhos, o fazia chorar. Ao ver isto, uma das perdizes, que estava presa na malha, começou a dizer a suas companheiras:
— Olhem, amigas, o que acontece a este homem! Ainda que nos mate, olhem como ele se condói por nossa morte e, por isto, chora!
Mas outra perdiz que avoava por ali, mais velha e mais sábia do que a outra que havia caído na rede, respondeu-lhe:
— Amiga, dou graças a Deus porque me salvei da rede e agora peço a Ele que salves a mim e a todas minhas amigas dum homem que busca nossa morte, mesmo que dê a entender com lágrimas que muito se condói.
Vós, senhor Conde Lucanor, evitai sempre aqueles que vos causam dano, mesmo que dêem a entender que sentem muito; mas se algum vos prejudica, sem buscar vossa desonra, e se o dano não for muito grave para vós, se se trata duma pessoa à qual deveis favores, e que além disto foi forçado a isto pelas circunstâncias, eu vos aconselho que não se importeis demais, mas deveis procurar que tal não se repita tão freqüentemente que chegue a macular vosso bom nome ou vossos interesses. Mas se vos prejudica voluntariamente, rompei com ele para que vossos bens e vossa fama não se vejam lesionados ou prejudicados.
O conde viu que este era um bom conselho que Patronio lhe dava, seguiu-o e tudo ficou bem.
E vendo don Juan que o conto era bom, ordenou pô-lo neste livro e fez estes versos:
A quem te faz mal, mesmo que seja para ti pesar,
Busca sempre um modo para poder dele se afastar.

http://www.revistasamizdat.com/2008/11/o-conde-lucanor.html
www.cervantesvirtual.com

31 maio, 2018

Quadrados mágicos com números primos

Número primo é um número natural que tem exatamente dois divisores positivos e distintos. São eles o número 1 e o próprio número.
Os números naturais que admitem três ou mais divisores dizem-se números compostos.
Convencionou-se que 1 (a unidade) não é nem um número primo nem um número composto.
Tabela até 1000, hypatiaMAT

Primícias
Os matemáticos tentaram em vão até hoje descobrir alguma ordem na sequência dos números primos, e temos razões para acreditar que é um mistério no qual a mente humana jamais penetrará.
~ Leonhard Euler
Cada número primo maior do que três é +1 ou -1 de um múltiplo de seis.
~ Pat Ballew

Quadrados mágicos
O primeiro a discutir o problema da construção quadrados mágicos com números primos foi Henry Ernest Dudeney.
Em 1900, ele construiu este quadrado mágico que dá a menor soma possível (= 111) para um 3x3 em que usou números primos (assumindo que 1 é primo).
O menor quadrado mágico com primos verdadeiros (não usando 1) tem uma constante mágica de 177.
Boa sorte.
~ Christian Boyer, Multimagic Squares

Bônus
- Por que o 3 não quer casar com o 7?
- Não faço ideia. Por quê?
- É que eles são primos.
- Uma pena. Eles formariam um casal 10.

Ver também
Hexágono mágico

A Suíça está preparada para o que der e vier

Mais do que qualquer outro país, a Suíça está preparada para o colapso civilizatório.
Em toda a Suíça, por exemplo, existem milhares de fontes de água alimentadas por fontes naturais. Zurique é famosa por suas 1200 fontes, algumas delas muito bonitas e ornamentadas, mas são as múltiplas fontes pequenas e simples em todas as aldeias suíças que realmente contam a história. Elegantes, sim, mas se e quando os sistemas de água centrais forem algum dia destruídos, essas fontes formam um sistema descentralizado e robusto para fornecer água potável a todos.
O sistema político suíço também é descentralizado. Se o governo central falhar, o suíço pode nem sequer notar. As montanhas e os vales também significam que as cidades e vilas suíças são geograficamente independentes, porém ligadas por uma rede de fortes conexões.

Extraído de: Switzerland is prepared for civilizational collapse, por Alex Tabarrok. In: Marginal Revolution

30 maio, 2018

Controle do peso - 5

Aprenda a calcular seu peso:

(é sobre como vai querer que seu peso fique depois do regime)

Controle do peso: 1, 2, 3 e 4

Paisagens áridas

A Polícia Metropolitana de Londres acredita que seu software de inteligência artificial (AI) será útil na tarefa de detectar imagens de abuso infantil nos próximos dois ou três anos. Mas, em seu estado atual, o sistema não consegue distinguir a diferença entre uma foto de um deserto e uma foto de um corpo nu.
A polícia londrina já se baseia na AI para ajudar a flagrar conteúdo incriminatório em dispositivos eletrônicos apreendidos, usando o software de reconhecimento de imagem para escanear imagens de drogas, armas e dinheiro. Mas quando se trata de nudez, o sistema não é confiável.
"Às vezes, surge um deserto e o sistema interpreta como uma imagem indecente ou pornografia", afirmou para The Telegraph, Mark Stokes, chefe do departamento de eletrônicos e digitais da polícia. "Por algum motivo, muitas pessoas têm protetores de tela com imagens de desertos e ele detecta-os 'pensando' que é a cor da pele".


Mesmo quando os seres humanos supervisionam os sistemas automatizados os resultados são imperfeitos. No ano passado, um moderador do Facebook removeu uma fotografia vencedora de Pulitzer de uma jovem nua que foge do local de ataques de napalm durante a Guerra do Vietnã, que teria sido sinalizado por um algoritmo. A empresa mais tarde restaurou a imagem e admitiu que não era pornografia infantil.
As máquinas não têm a capacidade de entender as nuances humanas, e o software do departamento ainda não demonstrou que pode mesmo diferenciar com sucesso o corpo humano de paisagens áridas. E, como vimos com a controvérsia da fotografia ganhadora do Pulitzer, as máquinas também não são ótimas para entender a gravidade ou o contexto das imagens nuas de crianças.

29 maio, 2018

Um capítulo sobre as orelhas

Mais uma curiosidade de Sherlock Holmes: "The Adventure of the Cardboard Box" apareceu em The Strand Magazine em 1893. Nela, Holmes diz a Watson:
"Como médico, você está ciente, Watson, de que não há parte do corpo que varia tanto quanto a orelha humana. Cada orelha é, em geral, bastante distinta e difere de todas as outras. No último Anthropological Journal do ano, você encontrará duas curtas monografias de minha pena sobre o assunto."
Poucos meses depois, em outubro e novembro de 1893, The Strand publicou "A Chapter on Ears", analisando as orelhas de britânicos famosos. Curiosamente, o artigo não é assinado.
Inspirado pela história ou foi trabalho do próprio Sherlock Holmes?

Paperback, por George Cavendish

Hubble: antes e depois da correção

O Hubble, de uma forma geral, deu à civilização humana uma nova visão do universo e proporcionou um salto equivalente ao dado pela luneta de Galileu Galilei no século XVII.
Desde a concepção original, em 1946, a iniciativa de construir um telescópio espacial sofreu inúmeros atrasos e problemas orçamentais. Logo após o lançamento para o espaço, o Hubble apresentou uma aberração esférica no espelho principal que parecia comprometer todas as potencialidades do telescópio. Porém, a situação foi corrigida por astronautas de uma missão da Discovery especialmente concebida para a reparação do equipamento.
Em 1993, voltando o telescópio à operacionalidade (quando passou a enviar imagens do espaço com uma clareza nunca antes possível nos observatórios terrestres), o Hubble tornou-se uma ferramenta importantíssima para a astronomia.
Comparação das imagens: antes e depois da correção

Imaginado nos anos 40, projetado e construído nos anos 70 e 80 e em funcionamento desde 1990, o Telescópio Espacial Hubble foi batizado em homenagem a Edwin Powell Hubble, que revolucionou a astronomia ao constatar que o Universo estava se expandindo.

Hubble e o recuo dos horizontes

28 maio, 2018

Baile da Ilha Fiscal - Dois ponto Zero Dezoito


CRÔNICA SOCIAL DOS ÚLTIMOS DIAS - A PROFECIA (?)
Versão modernosa e cafona do Baile da Ilha Fiscal em Brasilia 24/05/2018. Observem a descontração, elegância e alegria dos convivas em que, para embalar o réquiem, faltou um embatinado Barnabé (terceirizado e certamente superfaturado). O falso ar de seriedade e serenidade do Vampiro, poderia ser explicado por sua preocupação com eventual extravasamento de seu penico portátil. O Gatinho Angorá não muda, a elegância de sempre com seu look de Piloto de Provas de Fábrica de Supositórios e seu antípoda, o Marum, aquele que meu sogro, um gauchão nascido na Prussia Oriental (Anklam), facilmente o identificaria como aquele Baita Grosso de Bagé [https://www.youtube.com/watch?v=AXyws7QTWog]. Solene, aquele Ministro com sobrenome de Terrorista Basco - cara assustadora...
Desculpem-me o mau-humor.
Jaime Nogueira

Uma banda, instalada a bordo do "Almirante Cochrane", o navio homenageado, tocou valsas e polcas madrugada adentro
Dançou-se muito n'O Último Baile do Império, mas o que os convidados não imaginavam, nem o imperador D. Pedro II, é que se dançava sobre um vulcão. À mesma hora em que se acendiam as luzes do palacete para receber os milhares de convidados engalanados, os republicanos reuniam-se no Clube Militar, presididos pelo tenente-coronel Benjamin Constant, para maquinar a queda do Império. "Mais do que nunca, preciso sejam-me dados plenos poderes para tirar a classe militar de um estado de coisas incompatível com sua honra e sua dignidade", discursou Constant na ocasião, tendo como alvo justamente o Visconde de Ouro Preto.
Longe dali, ao lado da família imperial, o visconde desmanchava-se em sorrisos ao comandar seu suntuoso festim. A família imperial chegou ao cais pouco antes das 10 horas. D. Pedro II, fardado de almirante, a imperatriz Teresa Cristina e o príncipe D. Pedro Augusto embarcaram primeiro. Quinze minutos depois foi a vez da princesa Isabel e do conde D’Eu. Uma vez no palácio, foram conduzidos a um salão em separado, onde já se achavam reunidos membros do corpo diplomático estrangeiro oficiais e alguns eleitos da sociedade carioca. O guarda-roupa da imperatriz não chegou a causar impressão especial entre os convidados - um vestido de renda de chantilly preta, guarnecido de vidrilhos. A toalete da princesa Isabel, no entanto, causou exclamações de admiração pelo luxo e pela beleza. Ela portava uma roupa de moiré preta listrada, tendo na frente um corpinho alto bordado a ouro. Nos cabelos, carregava um diadema de brilhantes."
Um fato irônico, até hoje não confirmado, ocorreu logo após a chegada da família real, às 10 horas da noite: conta-se que D. Pedro II, ao entrar no salão do baile, desequilibrou-se e levou um tombo. Foi amparado por dois jornalistas. Ao recompor-se, exclamou: "O monarca escorregou, mas a monarquia não caiu!". Apesar do sucesso do baile, o imperador pouco se divertiu. Ficou sentado, visto que já estava em idade avançada, o tempo todo e foi embora à 1h da manhã, sem jantar.

Páginas do cardápio do último Baile da Ilha Fiscal, 1889. Arquivo Nacional.
Outro acontecimento curioso ocorreu no término da festa. Às 5 horas da manhã, após a saída dos convidados, os trabalhos de limpeza revelaram alguns artigos inusitados espalhados pelo chão: além de copos quebrados e garrafas espalhadas, foram recolhidas condecorações perdidas e até peças de roupas íntimas femininas. O fato pode, entretanto, ser fictício, uma vez que foi relatado na coluna humorística Foguetes, do periódico carioca "O Paiz", no dia 12 de novembro, nestes termos:
"Houve quem perdesse dragonas, chapéos de sol, chapéos de cabeça, lenços, e até - parece incrivel, mas é rigorosamente verdadeiro - uma senhora deixou lá ficar o espartilho!!!"
Repercussão
A distribuição dos 5.000 convites começou no dia 4 de novembro. As roupas finas das lojas do Rio de Janeiro se esgotaram. Setenta e duas horas antes do baile já não havia vagas nos cabeleireiros. As senhoras lotavam as lojas de roupas finas e os cavalheiros recorriam aos alfaiates, para ajustar suas casacas e às barbearias, para cortar o cabelo ou aparar os bigodes e barbas. Muitas senhoras chegavam às 9 h da manhã, para fazer os cabelos
Duas bandas militares tocaram quadrilhas, valsas, polcas e mazurcas para os convidados, que dançaram em seis salões do castelo. A princesa Isabel foi uma das pés-de-valsa mais animadas. Depois da festança, às 6h da manhã, o pessoal da limpeza achou: 37 lenços, 24 cartolas e chapéus, 8 raminhos de corpete, 3 coletes de senhoras e 17 cintas-liga. De acordo com o historiador Milton Teixeira todas as fotos feitas na festa desapareceram.
O Baile foi comentado pela mídia por alguns dias, o que trouxe uma falsa imagem de solidez da coroa.

O asteroide em forma de caveira

O asteroide 2015 TB145 foi descoberto em 2015 e também é conhecido como o "asteroide do Dia das Bruxas", precisamente porque, em 2015, sua aproximação máxima da Terra (486.000 km) ocorreu na mesma data dessa celebração (31 de outubro). O asteroide tem um diâmetro entre 620 e 700 metros e os astrônomos acreditam que ele pode ser o "cadáver" de uma cometa.
Em 2018, a aproximação máxima do asteroide ocorrerá no início de novembro, pouco mais de três anos após sua última visita. O seu período orbital é de 1.112 dias.


O asteroide 2015 TB145 que, sob certas condições de iluminação, se assemelha a um crânio. Crédito da imagem: José Antonio Peñas / SiNC.

27 maio, 2018

A visita da Fada Madrinha


Cinderela chegou aos 75 anos. Depois de uma vida gratificante com o príncipe encantado, que tinha recém-falecido, ela sentou-se em sua cadeira de balanço, observando o mundo passar na varanda de sua residência, com um gato chamado Alan como companhia.
Naquela tarde ensolarada, do nada apareceu a Fada Madrinha.
Cinderela disse: "Fada Madrinha, o que você está fazendo aqui depois de todos esses anos?"
A Fada Madrinha respondeu: "Bem, Cinderela,é que eu decidi lhe atender três desejos. Há alguma coisa pela qual o seu coração ainda anseia?"
Cinderela ficou muito feliz e, depois de pensar um pouco, ela disse seu primeiro desejo:
"Eu queria ser muito rica".
Instantaneamente, sua cadeira de balanço foi transformada em ouro maciço. Cinderela ficou atônita. Alan, seu velho gato fiel, pulou de seu colo e correu assustado para a beira da varanda.
Cinderela disse: "Oh, obrigada, Fada Madrinha!"
"É o mínimo que eu posso fazer", respondeu a Fada Madrinha. "O que seu coração agora deseja?"
Cinderela olhou para o seu corpo frágil e disse: "Eu gostaria de ser jovem e bela novamente."
Na mesma hora, seu segundo desejo tornou-se realidade, e ela recuperou a juventude e a beleza de antes.
Então, a Fada Madrinha falou: "Você tem ainda o terceiro desejo, o que você gostaria de pedir?"
Cinderela olhou para o gato ainda assustado e disse: "Desejo que você transforme meu velho gato Alan em um jovem bonito e atraente".
Magicamente, Alan sofreu uma mudança em sua composição biológica e virou um rapaz tão bonito que ninguém jamais tinha visto igual.
A Fada Madrinha novamente falou: "Parabéns, Cinderela, aproveite a nova vida!" E, como em um passe de mágica brilhante, ela se foi.
Por alguns minutos, Alan e Cinderela se contemplam mutuamente. Cinderela estava sentada, quase sem fôlego, olhando para o rapaz mais belo que ela já tinha visto em toda a vida.
Nisso, Alan foi até Cinderela, que estava sentada na cadeira de balanço, e a abraçou com seus braços fortes e jovens. Ele se inclinou perto de sua orelha e sussurrou, soprando seu cabelo dourado com seu hálito quente:
"Aposto que agora você se arrepende de já ter me castrado, não é mesmo?"

Fonte: http://www.tudoporemail.com.br/content.aspx?emailid=8023, reescrito.

LAS CUERDAS BREÑENSES. Músicas de filmes

JINETES EN EL CIELO (1)
LO BUENO,LO MALO Y LO FEO (2)
CAMINO A SAN FRANCISCO (3)
POPCORN (4)


GRAVADO EN LAS BREÑAS, CHACO, ARGENTINA

(1) "Riders in the sky" ("Cavaleiros do céu", no Brasil). O autor é Stan Jones, bombeiro florestal do Vale da Morte, que se inspirou a escrever a letra desta canção (1948) numa lembrança da infância. Um vaqueiro lhe contou que, nas noites tempestuosas, podia-se ver no céu uma movimentação de vacas do inferno conduzidas por cavaleiros fantasmas. Quanto à música da canção, tem uma longa história de plágios que inclui a "When Johnny comes marching house", uma canção do século 19 com a letra composta pelo irlandês Patrick Gilmour.
https://www.taringa.net/comunidades/taringamexico/7086637/Jinetes-en-el-Cielo-la-historia-detras-del-mito.html
(2) "O bom, o mau e o feio", do italiano Ennio Morricone. A música tema do filme "Três homens em conflito".
https://blogdopg.blogspot.com.br/2015/02/o-bom-o-mau-e-o-feio.html
(3) O autor de "Camino a San Francisco" é Hugo "Chichín" Coimbra Gutiérrez, de Santa Cruz de la Sierra, Bolivia.
http://www.bolivia.com/noticias/autonoticias/DetalleNoticia9319.asp
http://www.diarionorte.com/article/7170/las-cuerdas-brenenses-reconocidas-por-el-autor-de-camino-a-san-francisco
(4) "Popcorn" ("Palomitas de maiz", na Argentina). É uma música instrumental (pop, pop, pop, pop / pop, pop, pop, pop) composta em 1969 por Gershon Kingsley, que ficou famosa na década de 1970. Diz-se que um jovem ficou autista depois de escutá-la numa gravação de dez horas (rsrsrsrs).
A versão original: https://www.youtube.com/watch?v=NjxNnqTcHhg

26 maio, 2018

Ressurge a "Mulher Cavalo"






De uma estranha criatura que, nos idos de 2010, andou aterrorizando a população da cidade de Jaguaruana, no Ceará, a uma tímida recepcionista de um hotel de localização ignorada, esta é a imagem atual da "Mulher Cavalo".

O gafanhoto dourado

Oficialmente aberto pela rainha Elizabeth em 1571, o edifício da Royal Exchange foi construído por Sir Thomas Gresham para tornar disponível um lugar de negociação para os comerciantes. Durante o século 17, no entanto, os corretores de ações foram proibidos de entrar na Royal Exchange, devido a seus maus modos, e foram forçados a operar a partir de outros edifícios nas proximidades.
O prédio original foi destruído no Grande Incêndio de Londres e, projetado por Edward Jarman, foi substituído por outro edifício que abriu em 1669.
Infelizmente, a segunda versão foi destruída em outro incêndio, em 1838.
O terceiro e atual prédio da Royal Exchange foi projetado por William Tite, sensivelmente imitando a arquitetura do original de Gresham e, ao mesmo tempo, incorporando um projeto clássico inspirado no Panteão de Roma.
O gafanhoto de cobre dourado que faz as vezes de um catavento no topo do Royal Exchange incrivelmente sobreviveu aos dois incêndios. Sir Gresham, que usava o gafanhoto (não esse) como uma insígnia da família, considerava-o um símbolo da boa sorte.

http://www.dorothearestorations.com/case-studies/royal-exchange-grasshopper-weather-vane
https://lostcityoflondon.co.uk/tag/royal-exchange/


Aos tempos bicudos

25 maio, 2018

A batido

A diferença entre o homem abatido e o frango abatido
É que o frango abatido já está morto. ~ Jô Soares

Bônus

Muito A batido
A batido

"Os Thibault" (e "Os Thibaud", de Pérouges)

"...em todas as épocas, ler é um vício solitário, que inflama os desvãos da alma. É também o vício mais prazeroso, que alimenta, dá lustro e faz crescer, como apregoam nas ruas os vendedores de felicidade." Moacir Japiasssu, no texto "O Livro da Vida Inteira", prefácio de "Os Thibault", de Roger Martin du Gard

Romance francês "cíclico", de R. Martin,
ganhador do Prêmio Nobel em 1937 --
abrange o antes, durante e após a Grande
Guerra de 1914-18. É uma obra de fôlego,
5 volumes, que descreve a vida de uma
família classe média-alta na França.
"Os Thibault", do escritor Roger Martin du Gard, é um livro grandioso. Não só pelo tamanho, mas muito mais pelo conteúdo. Ali desfilam vidas humanas, idéias e ideais. É a História viva, de uma época que mudou a face da Europa, ou seja, do mundo ocidental. Ali desfilam a repressão religiosa travestida de caridade do velho Oscar Thibault, a rebeldia indomável do jovem Jacques Thibault e a inquietude solidária das dúvidas humanistas/existenciais de Antoine Thibault. Tudo isso emoldurado por um cenário da tragédia que se avizinhava com a perspectiva de eclosão da Primeira Guerra Mundial. Cenário que é suavizado apenas pela beleza, a força e a sabedoria do universo feminino, que mesmo à parte das decisões masculinas, parecia dar um pouco de paz e coesão ao estilhaçar do ambiente em volta das pessoas.
Em suma, como diz Moacir Jupiassu, para ele foi "O Livro da Vida Inteira".
Ainda segundo Moacir Jupiassu, o nome do jovem Jacques Thibault foi uma homenagem de Roger Martin, o autor, ao seu mestre e amigo Anatole France, que chamava-se Jacques-Anatole-François Thibault.
Ou seja, apesar de ser uma belíssima obra de ficção, a família Thibaud já existia àquela época, em 1912, quando inicia a história de que trata o livro.
Dia 24 de abril deste ano estávamos em Lyon, França, e resolvemos conhecer Pérouges, uma cidade medieval que diziam ser a mais bela da França, o que se confirmou. Fomos de ônibus e tivemos que seguir, a pé, por uma estrada longa e bem íngreme até chegar à entrada da cidade antiga. Perambulando pela cidade, descobri e fotografei uma caixa de correios com o nome "G Thibaud". Mostrei para a minha esposa e para o casal que nos acompanhava, relatando um pouco da história contida no livro citado acima.
Ao se aproximar a hora do almoço, nosso amigo Ronaldo escolheu um restaurante, o Ostellerie du Vieux Pérouges, que, segundo ele, pertencia à família Thibaud desde 1912. Restaurante que, ao lado, vendia também as famosas Galletes de Pérouges, criação da Senhora Marie-Louise Thibaud, no mesmo ano de 1912. Restaurante onde comemos muito bem, tivemos um atendimento de primeira em um ambiente muito bonito, decorado à moda antiga. E onde continuamos a conversa sobre o livro "Os Thibault".
Nada disso teria grande importância, a não ser pelo aspecto curioso da coisa, se não fosse o que nos aconteceu depois. Foi deveras inusitado.
Terminamos o almoço e resolvemos dar mais uma caminhada para conhecer o restante da cidade. Nosso amigo Ronaldo conversou com o pessoal do restaurante para que, quando resolvêssemos ir embora, ao invés de irmos a pé, eles pudessem nos providenciar um táxi porque, até aquele momento, não tínhamos visto nenhum nas redondezas.
Tudo combinado, fomos perambular pelas ruas medievais da cidade. Ao voltar ao restaurante, informaram que não conseguiram um táxi, mas que uma pessoa do hotel se ofereceu para nos levar até o ponto de ônibus, evitando-nos aquela descida penosa.
Para nossa surpresa, e aí está o inusitado da situação, quem estava ao lado do carro que nos levaria era - nada mais, nada menos - que o Senhor Georges Thibaud, herdeiro e atual proprietário do restaurante e também dono da casa onde eu fotografara a placa de correio.
E o Senhor Georges Thibaud, a quem agradecemos muitíssimo, durante todo o longo percurso, se mostrou radiante de alegria, parecendo realmente muito contente em nos proporcionar aquele inesperado final feliz de passeio em sua cidade.
Ou seja, "O Livro da Vida Inteira", mesmo que a ligação tenha sido apenas com um nome de família, nos proporcionou um evento inusitado e inesquecível em uma aldeia medieval francesa.

Fernando Gurgel Filho

24 maio, 2018

O Pêndulo de Newton - 3

Numa nota aqui publicada, em junho de 2013, fizemos uma apresentação do Pêndulo de Newton.
[http://blogdopg.blogspot.com.br/2013/06/o-pendulo-de-newton.html]

Em abril de 2017, para destacar a suposta propriedade anti-estresse atribuída ao pêndulo, retornamos ao assunto com outra nota.
[http://blogdopg.blogspot.com.br/2017/04/o-pendulo-de-newton-2.html]

Agora, JB Serra e Gurgel me enviou este diagrama, comentando:
Deve ter sido com isto que tentaram lhe ensinar o princípio do Pêndulo de Newton na escola. Que você nunca aprendeu, aposto.


Ele também me enviou uma imagem GIF que eu fiz subir para o Google Drive.

Voltando à vaca fria

As vacas leiteiras geralmente são esfriadas jogando água em seus corpos de cima para baixo. Em seu trabalho científico, "Alternative Cooling of Dairy Cows by udder Wetting", Gebremedhin tentou a tática invertida de molhar as vacas de baixo para cima.
Resultado:
O esfriamento do úbere é tão eficaz como esfriar todo o corpo da vaca. Gebremedhin descobriu que a enorme quantidade de sangue que flui através do úbere distribui o esfriamento.

Imagens térmicas de um úbere antes e depois de ter sido molhado:

--- o úbere pode ser considerado como um dissipador de calor, e assim, em tempo de estresse por calor, uma vaca leiteira pode ser esfriada a partir do úbere ---

23 maio, 2018

A televisão em 1945

Este aparelho de televisão (no varejo por US $ 100) foi declaradamente o primeiro modelo de receptor  produzido em quantidade e vendido a preços moderados. Rose Clare Leonard observa a tela de um deles, que reproduz uma imagem de 5x7, enquanto sintoniza na primeira exibição do pós-guerra em uma loja de departamento de Nova York, em 24 de agosto de 1945. Embora a televisão tenha sido inventada antes da Segunda Guerra Mundial, foi por esta temporariamente impedida de massificar-se. Logo após o conflito, a produção e as vendas dos aparelhos deslancharam, especialmente a partir de 1948 quando a programação da rede comercial se tornou regular.

https://www.theatlantic.com/photo/2011/10/world-war-ii-after-the-war/100180/

- Nós não avançamos muito (isto é sobre o tamanho de uma tela de smartphone).

A Pedra do Sol

Em 1790, a maior relíquia asteca do México, uma pedra do calendário asteca foi descoberta na Cidade do México.
A Pedra do Sol, pesando 24 toneladas, que tem símbolos astronômicos esculpidos. Com base nos movimentos das estrelas, reflete o conhecimento dos astecas sobre astronomia e matemática. Usado para prever as estações e os eventos naturais, também regulava as atividades econômicas e sociais, bem como as cerimônias religiosas.
Os motivos esculpidos que cobrem a superfície desta pedra de basalto referem-se a componentes centrais da cosmogonia asteca.
Os espanhóis enterraram este monumento colossal durante a Conquista, onde está hoje a Catedral Metropolitana, na praça principal da Cidade do México. Perdeu-se por 250 anos até 1790, quando foi redescoberto acidentalmente durante trabalhos de reparação na Catedral. Montada em uma parede exterior da Catedral, a pedra foi ali mantida até 1885.
Encontra-se atualmente no Museu Nacional de Antropologia da Cidade do México.

Sem cosmogonia
A Pedra do Chapéu do Sol

22 maio, 2018

No país das armas

The Daily Caller
"... é mais fácil e mais barato para uma criança de 12, 13 anos conseguir uma arma do que um livro." (Obama)

Osvaldo Gutierrez, Cuba

18/05/18 - O adolescente Dimitrios Pagourtzis, de 17 anos, usou uma espingarda e um revólver calibre 38 para matar 10 pessoas e ferir outras 10 em uma escola de ensino médio em Santa Fe, Texas. Dos mortos, 9 eram alunos e 1, professor.
As armas que ele usou para cometer a chacina eram legalmente propriedade de seu pai.
É o 210.° ataque desse tipo nos EUA, desde 1999. Em março, centenas de milhares de americanos fizeram a Marcha Por Nossas Vidas. No país das armas, a reação contrária cresce.

Por aqui, tem gente querendo + armas.

Dia do Abraço

Um dia alguém vai abraçá-la tão forte
que todos os pedaços quebrados dentro de você
se juntarão novamente. Acredite.

21 maio, 2018

A matemática estagnada

"A introdução do algarismo zero ou do conceito de grupo era também um absurdo geral, e a matemática esteve mais ou menos estagnada por milhares de anos, porque ninguém estava por perto para dar passos tão infantis...".

~ Alexander Grothendieck, em uma carta em 1982 a Ronald Brown.

O caçula dos algarismos

Centro Nacional de Escutas

Fernando Gurgel Filho

Nós, brasileiros, falamos a Língua Portuguesa. Mas existem diferenças significativas no significado de algumas palavras, e isto, para alguns desavisados como eu, às vezes provoca algum constrangimento, mas que, quase sempre, nos levam depois a boas gargalhadas.
Lembro-me bem da primeira viagem que fizemos a Lisboa. Uma excursão. No restaurante, a colega na nossa mesa chamou a garçonete - por sinal, uma brasileira - e tascou a pergunta, apontando para o cardápio:
- Por favor, esses "gambás" são servidos como?
A garçonete olhou, soltou a risada e explicou:
- São "gambas". É o tradicional e saboroso "camarão", como chamamos no Brasil. Servimos fritos, etc, etc...
Silêncio geral na mesa.
Pois é. Agora, em maio/2018, fomos à Serra da Estrela, em Portugal. Um lugar belíssimo.
Um dia, resolvemos descer do hotel onde estávamos, a 1.200 metros de altura, até a cidade de Covilhã, cerca de 450 metros de altitude.
Foi uma das caminhadas mais bonitas que já fizemos. E a mais dolorida.
No meio do caminho há um local para piquenique e descanso dos caminhantes. Tirando fotos, notei uma placa do outro lado da estrada onde se lia: "Centro Escutista Serra da Estrela" e, logo abaixo, "Centro Nacional de Escutas Agrupamento nº 20 Covilhã".
Como se tratava de uma serra, pensei tratar-se de algum local para monitoramento de atividades sísmicas. Ou coisa parecida.
Quase em frente ao local havia um senhor colocando água em um tambor. Curioso, fui até ele:
- Bom dia, por favor, o senhor conhece este local?
- Bom dia, conheço um pouquinho, pois nasci aqui. Precisa de ajuda?
- O que é que se escuta neste "Centro de Escutas"?
- Desculpe, não percebi. (Tradução: "Desculpe, não entendi")
- Ali na placa diz tratar-se do "Centro Nacional de Escutas". Eles escutam o quê? Atividades sísmicas?
Juro que o senhor - português com certeza - não soltou a risada. Respondeu muito sério:
- Ah, ali? É de "escuteiros".
- Agora, quem não percebeu fui eu, falei na gozação.
- Escoteiros como chamam no Brasil.
- Ahhhh. Entendi. Obrigado. Tchau.
E levei meu constrangimento para o outro lado da estrada.

Fernando,
Aditei foto. No Brasil e em Portugal, quem mata a cobra mostra o pau. PGCS

20 maio, 2018

É canja...

A canja é uma sopa feita à base de arroz. A sua principal variação é a canja de galinha, que tem na cultura popular do país uma forte crença em suas propriedades medicinais.


Dar uma canja
De onde surgiu esta expressão?

O sertão vai virar mar

1963 - A convite de Glauber Rocha, Sérgio Ricardo compõe e faz arranjos para a trilha sonora do filme "Deus e o Diabo na Terra do Sol". O tema musicado é o mote messiânico dos rebeldes de Canudos, cuja história foi contada por Euclides da Cunha, em "Os Sertões". Sérgio Ricardo, antes muito identificado com o estilo da bossa-nova, aqui interpreta a canção com a voz rascante de um cantador de feira nordestino.
O Sertão vai virar mar,
E o mar virar sertão!
Tá contada a minha estória,
Verdade, imaginação.
Espero que o sinhô tenha tirado uma lição:
Que assim mal dividido
Esse mundo anda errado,
Que a terra é do homem,
Não é de Deus nem do Diabo!



1977 - Guarabyra e Luiz Carlos Sá gravam no LP "Pirão de peixe com pimenta" (Som Livre) a sua composição "Sobradinho"
E passo a passo vai cumprindo a profecia
do beato que dizia
que o sertão ia alagar
O sertão vai virar mar...
Dá no coração
O medo que algum dia
o mar também vire sertão.



Além de Sá, Rodrix e Guarabyra, gravaram esta canção: Trio Nordestino, Biquíni Cavadão e o Coral Ases MG.

2002 - O médico e escritor Moacir Scliar publica o livro "O sertão vai virar mar".
Gui e seus amigos estão lendo "Os sertões" e se impressionam com a Guerra de Canudos. O que não esperavam é que, quase um século depois, a situação se repetisse na cidade onde moram, e surgisse um beato atraindo fanáticos contra os poderosos.

2003 - Em abril de 2003, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva viajou a Buíque, cidade de 55 mil habitantes, a 258 quilômetros da capital pernambucana, para falar sobre o lançamento do programa Fome Zero. Mas um dos assuntos mais abordados durante seu discurso foi outra medida para ajudar a melhorar as condições de vida no sertão nordestino: a transposição do Rio São Francisco. "O projeto existe desde 1847. Se houver transposição neste país será no meu governo, pois eu sei o que é a seca", disse. Nascido a menos de 100 quilômetros dali, Lula estava certo – pelo menos em parte. Após muita discussão sobre os riscos, a viabilidade e a importância do projeto, a construção teve início em junho de 2007 em Cabrobó, também em Pernambuco. Orçada à época em quase R$ 4 bilhões, a obra engloba nove estações de bombeamento, 477 quilômetros de canais, aquedutos e reservatórios que levarão água para flagelados em quatro estados. Algumas das valas serão ligadas por túneis, como o Cuncas 2, em Mauriti, no Ceará.

Referências
"Da bossa nova à tropicália", de Santuza Cabral Naves
História da música Sobradinho https://youtu.be/s_pmGhMJiIg
https://resumando.wordpress.com/resumo-o-sertao-vai-virar-mar/ (resenha)
http://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2014/04/o-sertao-vai-virar-mar.html