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04 maio, 2012

Jorge George em ritmo de desventura - 1

Amor louco - ele muito e ela pouco.
Provérbio

Jorge checou a si próprio (não dizem que o primeiro ego é o ego corporal?) para ver se a imagem estava ótimo. Estava: dos pés às cabeças. Faltava só retocar a mecha de cabelo que caía sobre a testa, vulgo pega-rapaz, pronto, para que ele agora tocasse a campainha do apartamento de Petúnia. Oito, cinco, sete, dois, três, um, seis, quatro... triiim. Ah, Jorge George está nervoso. Por isso, não reparem na contagem regressiva que ele acabou de fazer.
Jorge e Petúnia: de algum tempo se conheciam, mas ainda não eram íntimos. Perita em artes venusianas, a moça já havia despachado três anginosos para o além, Jorge não sabia disso. E mesmo que soubesse, ele não pularia fora. Logo mais, o tão aguardado programa a dois deveria acontecer e, benza deus, que outros depois acontecessem. Anginoso? Não, não era. E para matá-lo só mesmo com o recurso do fio desencapado na banheira.
O olho mágico do apartamento de Petúnia fora instalado ao contrário. Através dele Jorge espiou a voluptuosa moradora. Ela vinha vindo bela como nunca, como se fosse Vênus, a Calipígia, para lhe abrir a porta. Enquanto ele, lá fora, era um fauno que mal se continha nos cascos, perdendo até a noção comercial do tempo. Quem já deixou táxi parado marcando hora sabe o que estou a dizer.
Aberta a porta, Jorge a desarmou de uma tramela e abraçou-a com uma sofreguidão sem retorno. Em seguida, houve uma espécie de interlúdio, que consistiu de uma sequência de corridas que eles fizeram, em torno de uma mesinha de centro, no sentido dos ponteiros do relógio. Até que a fêmea se deu por capturada. E, como sempre faz quando quer mostrar que é o senhor da situação, ele rasgou já na primeira tentativa a lista telefônica de Barroquinha.

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