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09 março, 2026

Cobogós, brises e muxarabis

Cobogó, conforme sua patente, seria especificamente aquela peça quadrada com fileiras de oito furos.
Essa peça, que surgiu na indústria da construção pernambucana, acabou fazendo parte de estratégias usadas pelos arquitetos modernistas do século 20 para amenizar o calor em épocas em que o ar-condicionado não havia se popularizado ou sequer sido introduzido no Brasil.
Todos os outros tipos de elementos vazados que vieram depois, com diversos desenhos e formatos, teoricamente não seriam um cobogó.
É um caso de chamar o todo pela parte", explica Borba, doutor em Desenvolvimento Urbano pela UFPE. Algo que acontece ao chamarmos curativos de "band-aid" ou lâminas de barbear de "gilette", por exemplo.
Em suas pesquisas para o livro "Cobogó de Pernambuco", o arquiteto Cristiano Borba encontrou a patente de peça construtiva, datada de 1929.
Apesar de não existir uma explicação registrada sobre a escolha do nome, a história que se conta passa bem longe de uma origem africana ou indígena - como a sonoridade da palavra pode indicar.
O Dicionário Aurélio sacramentou "co-bo-gó", como unindo as iniciais dos três engenheiros residentes em Recife por trás da criação.
  • Coimbra (do português Amadeu Oliveira Coimbra).
  • Boeckmann (do alemão Ernest August Boeckmann).
  • Góis (do pernambucano Antônio de Góis).
Sim, o cobogó faz uma barreira contra o Sol, ao mesmo tempo que deixa passar alguma luminosidade. Também oferece ventilação e alguma privacidade para quem está dentro, que consegue ver quem está fora.
Quanto ao brise-soleil (um termo francês que significa "quebra-sol"), ou simplesmente brise, trata-se de um elemento arquitetônico de fachada, projetado para reduzir a incidência direta de luz solar, garantindo conforto térmico, controle de iluminação e privacidade. Composto por lâminas horizontais ou verticais (fixas ou móveis) de metal (alumínio ou aço), de madeira ou concreto, ele é muito utilizado na arquitetura moderna para sombrear e ventilar, além de fazer divisória de ambientes e dar sofisticação estética a edifícios.
Já o muxarabi é uma treliça vazada de madeira, de origem árabe, usada principalmente em janelas, varandas ou fachadas na arquitetura islâmica. (*)
Os muxarabis permitem justamente a entrada de luz e ventilação nas casas.
Para o arquiteto Cristiano Borba, o elemento vazado com essa função sempre esteve presente na história em locais de clima quente, sendo impossível definir quem o criou.
"Isso vai sempre aparecer na Ásia, no Oriente Médio e até na arquitetura indígena", explica.
As principais diferenças entre esses elementos arquitetônicos são o material utilizado e a estética: cobogó é bloco industrializado (de concreto, cerâmica ou vidro), brise é de metal metal ou madeira e muxarabi é madeira trabalhada.
Depois de cair em certo esquecimento, estes dois elementos vazados foram redescobertos por arquitetos nos últimos anos. E são apreciados pelo potencial de refrescar ambientes em tempos de calor extremo.
Fonte: https://www.bbc.com e outras
(*) Este recurso também está presente na "Casa Gaudincha", do arquiteto e compositor Ricardo Bezerra, na Cidade 2000, em Fortaleza-CE.

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