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05 junho, 2017

A arte do ruído

O pintor futurista italiano Luigi Russolo não tinha nenhuma experiência como compositor, mas em 1913 ele argumentou que a música tinha se tornado "um mundo fantástico superposto ao real", uma coleção de "harmonias suaves" que buscavam "pureza, limpidez e doçura do som". Mas não tinha nada a ver com o mundo real.
Ele propôs que "este círculo limitado de sons puros deveria ser quebrado e a variedade infinita de ruídos, "conquistada". "Encontramos muito mais prazer na combinação dos ruídos de bondes, motores a explosão, carruagens e multidões gritantes do que em ouvir, por exemplo, a "Eroica" ou a "Pastoral" de Beethoven."
Assim considerando, ele inventou um novo conjunto de instrumentos experimentais que produziam a arte do ruído (l'arte dei rumori). Havia 27 variedades de instrumentos, todos acústicos. Normalmente, performers viravam alavancas que chacoalhavam ou curvavam cordas, e as caixas corneteiras amplificavam os sons.
Quando Russolo e Filippo Tommaso Marinetti estrearam sua "orquestra do ruído", em abril de 1914, causou o maior tumulto, mas Russolo se mostrou imperturbável. "Eu não sou um músico", ele escreveu. "Não tenho, portanto, predileções acústicas nem obras a defender".
(https://www.futilitycloset.com/2017/01/12/new-sounds/)


Para homenagear a memória do compositor futurista, a Fundação Russolo-Pratella, de Varese, Itália, organiza uma competição anual para composições eletro-acústicas. O Prêmio Internacional Luigi Russolo em Eletro-acústica da Música é um dos mais prestigiados na área.

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