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15 dezembro, 2012

A nova-iorquina

É tarde e tomo o trem para o hotel. Não há alegria no vagão, só cansaço e celulares dedilhados freneticamente pela multidão de ausentes. Em um cantinho, disfarçando a beleza que humilharia suas irmãs de gênero, está uma nova-iorquina. Magra como devem ser as mulheres belas. É minha diversão observá-la. Inclina a cabeça para um lado, para o outro, e vai retirando o minúsculo fone de ouvido. Levanta o rosto mais radiante do que a luz do teto e olha para todos e para nenhum, um olhar sem dono. É a sua mão que tateia o interior da bolsa procurando algo... um perfume. Borrifa levemente os cabelos loiros. Apronta-se para deixar o trem e incendiar o caminho. Está maquiada para noite e seguramente leva toda aquela beleza para alguém. A porta se abre e ela escapa como uma gazela perseguida: leve, rápida e elegante.
Não gostaria de tê-la. A beleza excessiva faz mal às mulheres. Descuidam-se da arte de seduzir pela bondade e gentileza. São cruéis e egocêntricas.
A beleza faz mal ao coração... delas !
Nelson Cunha

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