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11 junho, 2011

Palavras para ninar nada...

por Fernando Gurgel Filho

Acordou com a sensação de Titanic. Como se tivesse sido lançado ao mar pela primeira vez e visse um iceberg vindo ao seu encontro e vice-versa e os versos do vice verdejando na vela velada do velório não viam a viad..., digo vadiagem das palavras ao vento.
Como servidor público, a sensação de desastre iminente não passava nunca. Parecia aquele famoso gato de Schrödinger: quando olhavam para ele, estava vivo, quando não, estava morto.
Resolveu cutucar o mau humor reinante no reino dos risos mofados e viu que aquilo era divertido e surtia mais efeito que pimenta-do-reino em hemorróidas, úlceras, LER, dor de cotovelo e sinusite, e resolveu encher de ar aquelas mentes carentes e foi em frente em seu autismo cibernético.
Decidiu, então, colocar os pingos nos iis. Escreveu mais e colocou um pingo no i do mais, no ademais, no até mais... No i de ídolo o pingo ficou meio de banda, mas fazer o quê? Nossa língua idiota vive a nos pregar peças. A gente fala Tomais e, ao escrever Tomaz, cadê o i? Como colocar um pingo no fonema? Assim não dá. “Santa ignorância, Batman”, falou a segunda voz da dupla sertaneja gregoriana fazendo um pas-des-deux numa abertura divina e a plateia maravilhada olhava o colante transparente murmurando “oh, ela não faz o brasileirinho!” enquanto pescava tomates no rio Sena à sombra de uma macieira da floresta amazônica nas estepes russas e um imenso iceberg ameaçava as tumbas dos faraós chineses avançando em direção à Grande Muralha que o grão mongol construiu para evitar a fuga dos búfalos da ilha de Marajó e a cachaça rolava solta em Dublin onde Madame Satã balançava suas madeixas sentada no colo de Madame Bovary que se deliciava com um Pão de Açúcar na hora que Bloom completava sua trajetória pelas ruas de Piripiri em apenas 24, oras, e o bêbado asmático não se equilibrava mais no asfalto e suplicava por um ponto qualquer porque estava sem fôlego, mas o teletipista encontrava apenas vírgulas e o redator foi obrigado a escrever apenas Ponto Final.

O gato de Schrödinger
É um felino que foi submetido a estranhas experiências com mecânica quântica e que, devido a isso, ganhou a habilidade de estar vivo e morto ao mesmo tempo. PGCS

http://adoutrinadiverge.blogspot.com

O físico austríaco Erwin Schrödinger apresentou, em 1935, na revista alemã Naturwissenschaften ("Ciências Naturais"), o seu teorema do gato.
Uma experiência que consiste no seguinte:
Um gato é preso dentro de uma câmara de aço.
Dentro dessa caixa encontra-se um contador Geiger, com o qual o gato não pode interferir, e que contata com uma pequena quantidade de substância radioativa.
No espaço de uma hora, um dos átomos pode decair assim como, com a mesma probabilidade (50% x 50%), nenhum deles pode decair.
Se decair, liberta-se um martelo que quebra um pequeno frasco que contém ácido cianídrico e o gato morre. Enquanto isso não acontece, o gato vive.
Para quem está no exterior da caixa, é impossível afirmar, sem a abrir, que o gato está morto ou que ele está vivo.
O que a mecânica quântica afirma é que, se ninguém olhar para o interior da caixa, o gato encontrar-se-á numa sobreposição dos dois estados possíveis: vivo e morto.
Só se supera essa dúvida com uma medida: a abertura da caixa.

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