Neste texto (*) datado de 1951, Theodor W. Adorno demonstra como a teoria de Sigmund Freud sobre a psicologia das massas desenvolvida em 1921 antecipou de maneira impressionante as dinâmicas pulsionais envolvidas na ascensão de Hitler; e indica como ela pode ser usada para compreender o fenômeno dos agitadores fascistas que ele observava em primeira mão nos EUA do pós-Segunda Guerra Mundial. Passadas mais de seis décadas desde sua publicação, o ensaio de Adorno se mostra de relevância assombrosa para o leitor brasileiro de 2018.
“Como seria impossível para o fascismo ganhar as massas por meio de argumentos racionais, sua propaganda deve necessariamente ser defletida do pensamento discursivo; deve ser orientada psicologicamente, e tem de mobilizar processos irracionais, inconscientes e regressivos.”
“Como uma rebelião contra a civilização, o fascismo não é simplesmente a reocorrência do arcaico, mas sua reprodução na e pela civilização.”
“A irracionalidade redespertada do seguidor é bastante racional do ponto de vista do líder: ela necessariamente tem de ser ‘uma convicção que não é baseada em percepções e raciocínios, mas em um vínculo erótico’.”
“A agitação fascista está centrada na ideia do líder, não importando se ele lidera de fato ou se é apenas o mandatário de interesses do grupo, porque apenas a imagem psicológica do líder é apta a reanimar a ideia do todo-poderoso e ameaçador pai primitivo.”
“Mostrando-se como um super-homem, o líder deve ao mesmo tempo realizar o milagre de aparecer como uma pessoa comum, da mesma maneira como Hitler se apresentou como uma mistura de King Kong e barbeiro de subúrbio.”
“As pessoas que obedecem aos ditadores sentem que eles são supérfluos. Elas se reconciliam com essa contradição por meio da presunção de que elas próprias são o opressor cruel.”
“É provavelmente a suspeita do caráter fictício de sua própria ‘psicologia de grupo’ que torna as multidões fascistas tão inabordáveis e impiedosas. Se parassem para raciocinar por um segundo, toda a encenação desmoronaria, e só lhes restaria entrar em pânico.”
“O ganho narcisista fornecido pela propaganda fascista é óbvio. Ela sugere continuamente, e às vezes de maneiras bastante maliciosas, que o seguidor, simplesmente por pertencer ao grupo, é superior, melhor e mais puro que aqueles que estão excluídos. Ao mesmo tempo, qualquer tipo de crítica ou autoconsciência é ressentida como uma perda narcisista e provoca fúria.”
“O líder pode adivinhar os desejos e necessidades psicológicas dos que são suscetíveis à sua propaganda porque a eles se assemelha psicologicamente e deles se diferencia pela capacidade de expressar sem inibições o que neles está latente, em vez de lançar mão de alguma superioridade intrínseca.”
“O segredo da propaganda fascista pode bem ser o fato de que ela simplesmente toma os homens pelo que eles são – os verdadeiros filhos da cultura de massa estandardizada atual, amplamente despojados de autonomia e espontaneidade – em vez de estabelecer metas cuja realização transcenderia o status quo psicológico não menos que o social. A propaganda fascista tem apenas de reproduzir a mentalidade existente para seus próprios propósitos – não precisa induzir uma mudança –, e a repetição compulsiva, que é uma de suas características primárias, estará em acordo com a necessidade dessa reprodução contínua.”
“A psicologia das massas foi controlada por seus líderes e transformada em meio para sua dominação. Ela não se expressa diretamente pelos movimentos de massa.”
(*) extraído de "A psicanálise da adesão ao fascismo", publicado no Blog da Boitempo
Contemporâneas
"Reconhecer erros engrandece instituições. Comemorá-los demonstra que podem repeti-los." ~ Jorge Solla
"Como voltar atrás, recuar sem vergonha de tê-lo feito, desdizer o que dissera, autotraduzir as próprias palavras são atos praticados por Bolsonaro sem se sentir em situação vexaminosa e sem enrubescer sequer os lábios emaciados, descoloridos, lembrando lábios de defuntos emaciados, que nos oferece na TV todas as vezes em que nela aparece, há tempo para ele anunciar que o apelo à celebração do golpe de 1964 foi uma chula, inoportuna e malfeita piada de 1.º de abril." ~ Luis Costa Pinto, O golpe da piada pronta
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01 abril, 2019
04 fevereiro, 2019
Em alguns casos não há o que problematizar
1"Às vezes, um charuto é apenas um charuto."
Foi a resposta que Sigmund Freud (na foto) deu a um psicanalista. Ao ser questionado se o charuto que ele fumava, segundo a própria teoria freudiana, não seria também um símbolo fálico.
Freud consumia uma média de vinte charutos por dia e raramente era fotografado sem estar fumando.
2
Churchill era um desordeiro talentoso. Sir William Joynson-Hicks estava fazendo um discurso na House of Commons e notou Churchill balançando a cabeça tão vigorosamente que distraía a atenção de todos.
"Vejo o meu honrado amigo a abanar a cabeça", exclamou Joynson-Hicks, exasperado. "Gostaria de lembrá-lo de que estou apenas expressando minha opinião!"
"E quero lembrar ao palestrante que estou apenas balançando a cabeça", respondeu Churchill.
Celebridades que amavam charutos
04 março, 2018
Freud e o trauma do Nobel
por Gaël BRANCHEREAU, YAHOO!
AFP, 1º de outubro de 2017 - O Nobel não só ignorou Sigmund Freud, como o comitê que atribui o prestigioso prêmio deixou para a posteridade comentários devastadores sobre o pai da psicanálise.Sua candidatura ao Nobel de Medicina ou Fisiologia foi apresentada em 1915 pelo neurologista americano William Alanson White. Freud (1856-1939) foi candidato no total 12 vezes, apresentado por diferentes personalidades até 1938, um ano antes de sua morte no exílio londrino.
Freud também foi candidato ao Nobel de Literatura.
Em 1937, nada menos que 14 cientistas - vários deles premiados com o Nobel - apadrinharam o médico vienense que não hesitava em se comparar a Copérnico e Darwin. Em vão.
Rapidamente, Freud "compreendeu que não podia alcançar um Nobel científico. A psicanálise não podia ser considerada uma ciência já naquela época. E isso o magoou", explica Elisabeth Roudinesco, autora de "Sigmund Freud na sua época e em nosso tempo".
Em 1929, o professor Henry Marcus, do Instituto Karolinska - que atribui o Nobel de Medicina -, resume cruelmente a desconfiança do mundo científico com as teorias freudianas.
"Toda a teoria psicanalítica de Freud, tal como a conhecemos, constitui uma hipótese", segundo a qual a neurose é consequência de um trauma sexual infantil, algo que não pôde ser demonstrado ainda em casos em que este trauma realmente existe", escreve Marcus em um documento recuperado em 2006 pelo universitário sueco Nils Wiklund. As deliberações dos comitês Nobel se mantiveram em sigilo durante meio século.
Elisabeth Roudinesco admite: "Seus críticos têm razão sobre o complexo de Édipo porque o transformou em dogma", mas descartar o conjunto da reflexão freudiana é um erro.
Antes de Freud, "todos os psiquiatras consideravam a mulher histérica como uma louca, o menino que se masturbava como um perverso e o homossexual como um degenerado", lembra a historiadora.
- Estilo muito bom -
Diante da indiferença dos comitês Nobel científicos, a princesa Marie Bonaparte, sua amiga e tradutora ao francês, mobiliza apoios para fazer atribuir o prêmio de Literatura ao então septuagenário, que sofre desde 1919 de um câncer de mandíbula.
Nobel de Literatura em 1916 (já que em 1915 ficou sem ganhador), foi o escritor francês Romain Rolland que solicitou a máxima recompensa dos poetas e romancistas para quem nunca publicou uma única linha de ficção em sua vida.
Em 20 de janeiro de 1936, o autor do romance "Jean-Christophe" escreve à Academia sueca para propor o nome de Sigmund Freud, com quem havia se correspondido.
Nesta carta, à qual a AFP teve acesso, o escritor propõe contrabalançar as reticências dos acadêmicos suecos: "Sei que à primeira vista o ilustre sábio pareceria estar destinado mais especialmente a um prêmio de medicina".
Em seguida, se entusiasma: "seus grandes trabalhos (...) abriram uma nova via à análise da vida emocional e intelectual, e há 30 anos a literatura recebeu sua profunda influência".
Rolland omitiria ressaltar que o amigo havia recebido em 1930 o prestigioso prêmio Goethe.
Hallström, secretário perpétuo da Academia sueca da época, reconheceu "a perspicácia, a fluidez e a clareza dialética" de Freud.
"Seu estilo literário também é indiscutivelmente bom", prosseguiu, antes de acrescentar uma nuance devastadora: "Salvo, talvez, 'A interpretação dos sonhos', obra sobre a qual está baseada toda a sua doutrina". Freud, conclui, "não merece os louros do poeta, embora como cientista tenha feito muita poesia".
Fim da discussão.
- Einstein, seu maior inimigo -
Oitenta anos depois, o diretor administrativo da Academia tenta aparar as arestas: "a concorrência era muito forte" naquele ano de 1936 que viu a consagração do dramaturgo americano Eugene O'Neill, lembra Odd Zsiedrich.
Ao contrário de Freud, com quem publicou "Por que a guerra?", em 1933, Albert Einstein (1879-1955) inscreveu seu nome na página de glórias do Nobel, atribuídos pela primeira vez em 1901. Proposto em 11 oportunidades, levou o prêmio de física em 1921.
Em 1928, Einstein se negou a apoiar a candidatura de Freud ao prêmio de medicina. Será que o médico vienense soube disso algum dia?
"Sou incapaz de formar uma opinião de fundo sobre as teorias freudianas e menos ainda a emitir um juízo autorizado", destacou Einstein naquela época.
Em 1939, após ler "O homem Moisés e a religião monoteísta", a última publicação de Freud, o pai da teoria da relatividade geral lhe fez um elogio bastante ambíguo: "admiro especialmente essa obra, assim como todas as outras", antes de acrescentar: "de um ponto de vista literário".
06 maio, 2016
Sigmund Freud - 160º aniversário
Sigmund Freud nasceu há 160 anos, em Freiberg, na Áustria, a 6 de maio de 1856, Ele foi médico neurologista e criador da Psicanálise, tratamento que conquistou um espaço de relevo na Psicologia e na Psiquiatria. O Pai da Psicanálise desenvolveu teorias que centram no papel da mente, no inconsciente humano e no modo como estes influenciam e determinam as ações do ser humano.
Esta efeméride está sendo aqui lembrada por meio da publicação de uma pequena seleção de seus pensamentos mais famosos:
"O homem é dono do que cala e escravo do que fala."
"Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro."
"Estar apaixonado é estar mais próximo da insanidade do que da razão."
"Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra sê-lo."
"Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste."
"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos."
"Cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar dentro delas."
"Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio."
"Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano."
"Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim."
"De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade."
"O estado proíbe ao indivíduo a prática de atos infratores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los."
"Às vezes, um pepino é somente um pepino."
"Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa."
"A humanidade progride. Hoje queimam meus livros, séculos atrás teriam queimado a mim."
“Onde abundam as dores brotam os licores.”
"Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?"
Esta efeméride está sendo aqui lembrada por meio da publicação de uma pequena seleção de seus pensamentos mais famosos:
"O homem é dono do que cala e escravo do que fala."
"Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro."
"Estar apaixonado é estar mais próximo da insanidade do que da razão."
"Existem duas maneiras de ser feliz nesta vida, uma é fazer-se de idiota e a outra sê-lo."
"Um dia, quando olhares para trás, verás que os dias mais belos foram aqueles em que lutaste."
"Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos."
"Cada pessoa é um abismo. Dá vertigem olhar dentro delas."
"Podemos nos defender de um ataque, mas somos indefesos a um elogio."
"Só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano."
"Aonde quer que eu vá, eu descubro que um poeta esteve lá antes de mim."
"De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade."
"O estado proíbe ao indivíduo a prática de atos infratores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los."
"Às vezes, um pepino é somente um pepino."
"Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa."
"A humanidade progride. Hoje queimam meus livros, séculos atrás teriam queimado a mim."
“Onde abundam as dores brotam os licores.”
"Nunca fui capaz de responder à grande pergunta: o que uma mulher quer?"
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